Os vinhos austrais da Casa Yagüe
Por Nelson Peixoto (@nelsoncsp)
Localizada a cerca de 2.000 quilômetros ao sul de Mendoza, na região de Trevelin, Província de Chubut, na Patagônia argentina, a Casa Yagüe é uma pequena vinícola familiar, criada por Marcelo e Patrícia Yagüe com suas três filhas, que desafia o clima extremo local para produzir alguns dos vinhos mais austrais do mundo.
Cercada por parques, bosques e glaciares, a região tem noites sempre muito frias e no verão pode ter dias bastante quentes (até 35 graus), sendo marcada por grande amplitude térmica e longa exposição diária à luminosidade. O clima ainda sofre influência dos ventos úmidos vindos do Pacífico e da proximidade do Rio Futaleufú (“Rio Grande”), que também passa por território chileno a caminho do Oceano Pacífico, ao contrário da maioria dos rios argentinos, que correm em direção ao Atlântico. Essas condições climáticas garantem a sanidade dos vinhedos, os quais somente são ameaçados pelas constantes geadas, cujo combate é feito por um caro e moderno sistema de proteção automatizado, que expele água previamente armazenada por sobre as vinhas sempre que a temperatura atinge zero grau, congelando nessa temperatura as plantas, que assim ficam inativas e protegidas das temperaturas mais baixas que lhes poderiam ser fatais.

Com produção atual de cerca de 10.000 garrafas/ano, a Casa Yagüe elabora nove rótulos, a partir de cepas que melhor se adaptam ao clima extremo local, como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Sémillon, Marsanne, Pinot Noir e Cabernet Franc. No evento realizado pela importadora Flaks, de Avi Flaksberg, os próprios proprietários da vinícola, Marcelo e Patrícia Yagüe, comandaram a degustação dos três rótulos da empresa atualmente comercializados no Brasil.
O Casa Yagüe Sauvignon Blanc 2024 é elaborado a partir de uvas cuidadosamente colhidas no ponto adequado da maturação e vinificadas sem qualquer passagem por madeira e sem submissão à conversão malolática, com fermentação em tanques de inox, para melhor expressão do terroir local. Um vinho sem excessos de aromas herbáceos ou frutas tropicais, de caráter mais neutro e elegante, com acidez cortante e bastante gastronômico.
Já o Casa Yagüe Chardonnay 2022, de vinificação semelhante ao anterior, permanece por cerca de nove meses em tanques de aço em contato com as borras finas, resultando em um branco leve e fresco, no qual a acidez desponta mais do que o caráter frutado, e com interessante toque salino em boca.
Por fim, foi provado o Río Frío 2024, um raro corte de Pinot Noir (80%) e Cabernet Franc (20%), em que esta última agrega ao vinho apenas um pouco mais de corpo, ressaltando a fruta. Produzido com 30% de cachos inteiros e parcial maceração carbônica, o vinho é envelhecido por cerca de oito meses em barricas de carvalho francesas que não são tostadas com fogo, mas com pedras vulcânicas aquecidas, o que não marca o vinho com tanta influência da passagem por madeira, preservando seus aromas mais delicados e frutados.
Todos os vinhos exprimem bem o clima da região, apresentando baixo teor de álcool, intensa presença de fruta e grande acidez natural.
@flakswines
@casayague
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