O legado de Otto Bemberg em taça: degustação reúne vinhos emblemáticos da casa
Por Nelson Peixoto (@nelsoncsp)
Família de origem alemã, os Bemberg já se dedicavam à viticultura em seu país de origem, antes mesmo da chegada de Otto Peter Bemberg à Argentina, em 1850. Ele e o filho, Otto Sebastián, fundaram a empresa que viria a ser conhecida como a cervejaria Quilmes. Após a venda da cervejaria à gigante AMBEV em 2016, a família resolveu transformar sua antiga paixão pelos vinhos em negócio e em 2010 adquiriu o grupo vinícola Peñaflor.
Dentre os cerca de 3.000 hectares de vinhedos, foram selecionadas algumas das melhores parcelas, para elaboração dos vinhos da reserva familiar, a qual em 2013 virou o rótulo com o sobrenome da família, sob o comando do enólogo Daniel Pi, apontado como o Melhor Enólogo Argentino em 2017, pelo Master of Wine Tim Atkins.
Durante evento promovido pela importadora Interfood em São Paulo, Daniel e um dos atuais proprietários da empresa familiar, Sebastián Bemberg, apresentaram os vinhedos que a Bemberg Estate Wines possui de norte a sul do país, em diferentes propriedades: Finca Las Mercedes (Valle de Cafayate, Salta); Finca Los Chañares (Chañar Punco, Catamarca); Finca La Yesca (Valle de Pedernal, San Juan); Finca Las Piedras (Los Árboles, Mendoza); Finca El Milagro (La Consulta, Mendoza); e Finca El Tomillo (Gualtallary, Mendoza), onde fica a nova e moderna sede da vinícola.

Em seguida, foram provados cinco vinhos da primeira safra lançada pela marca (2019), que já não estão mais disponíveis no mercado argentino, fornecendo um interessante painel da evolução dos vinhos da Bemberg. Além do mineral La Linterna Pinot Noir (Los Árboles, Valle de Uco), do potente La Linterna Malbec (Gualtallary, Valle de Uco) e do complexo La Linterna Cabernet Sauvignon (Valle de Cafayate, Salta), foram degustados dois outros vinhos que se destacaram.
O La Linterna Chardonnay (El Tomillo) é resultado da fermentação em diferentes recipientes de uvas colhidas em três distintos momentos, com intervalo de sete dias entre cada um deles. As uvas da primeira colheita são fermentadas em cimento e não passam por conversão malolática, as da segunda colheita fermentam em foudres (1.000 a 3.000 litros) e as da terceira colheita passam por barricas de 300 litros, sendo que as uvas fermentadas em madeira passam por conversão malolática. Com sete anos em garrafa, o vinho exibiu boa forma, com corpo médio, acidez marcante e aromas frutados (tangerina, pêra) e florais (jasmim), sem demasiada influência da madeira.
Outro destaque foi o blend Pionero, ícone da vinícola elaborado para homenagear o patriarca da família Otto Bemberg, a partir de uma interpretação livre do enólogo sobre o tipo de vinho que o homenageado bebia quando chegou à Argentina, na segunda metade dos anos 1800, época em que o forte fluxo imigratório havia criado o hábito de produção e consumo de vinhos de estilo bordalês. Trata-se de um corte de Malbec, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc das melhores parcelas da Finca El Tomillo, em Gualtallary, que fermenta em tanques de concreto e em barricas de carvalho e amadurece por cerca de 18 meses em barricas e foudres, gerando um tinto encorpado, de taninos macios, com notas de frutas negras maduras, especiarias (pimenta negra), tabaco e alcaçuz, representando bem o cuidadoso trabalho da vinícola.
@bembergestatewines
@interfoodbr
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