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Belo Horizonte,30/05/2026

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Salmão com certificado de bem-estar animal chega ao Brasil

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Salmão com certificado de bem-estar animal chega ao Brasil

Rezam muitas lendas sobre o salmão. O que pouco ainda se sabe é que existe gente querendo mudar a lógica do sistema de produção desse peixe queridinho da culinária oriental e saudável, sobretudo no Brasil. Há mais de 50 anos em atividade, a Damm Produtos Alimentícios traz, pela primeira vez, para o mercado nacional, o salmão com o selo Certified Humane®.


A certificação atesta que o alimento tenha vindo de produtores que atendem aos critérios de bem-estar animal. Desde 2015, a empresa familiar com sede em Osasco, em São Paulo, é certificada pela ASC (Aquaculture Stewardship Council), que garante sustentabilidade e responsabilidade socioambiental na aquicultura.


População caiu de 100 mil para 80 mil peixes por tanque, para garantia do bem-estar. Foto: Ricardo D´Angelo.
População caiu de 100 mil para 80 mil peixes por tanque, para garantia do bem-estar. Foto: Ricardo D´Angelo.

Para conhecer de perto a cadeia do salmão de bem-estar animal, Prazeres da Mesa foi até o “fim do mundo”, na Patagônia Chilena. O Brasil é o segundo maior consumidor do salmão que vem do Chile, atrás apenas dos Estados Unidos. O vizinho latino-americano, por sua vez, é o segundo produtor mundial do peixe nórdico. 


Foram três dias de visita à produção do salmão da Cermaq, na 12ª Região, em Magalhães. A empresa – que pertence ao grupo Mitsubishi Corporation, com operações também no Canadá e na Noruega – é a primeira produtora do peixe a receber o Certified Humane®. Da piscicultura em Punta Arenas, passando por um centro de cultivo no estuário de Seno Skyring, até chegar ao processamento, na planta Alvarez y Alvarez, em Puerto Natales.


Em todas as etapas é possível observar a aplicação dos critérios de bem-estar animal. Nutrição controlada, uso de anestésico natural, manejo dos animais dentro da água ou por no máximo 15 segundos fora dela, densidade dos animais nas fazendas e nos transportes, abate humanizado e gestão do processo produtivo são alguns deles. 


Barco de abate humanizado. Foto: Ricardo D´Angelo.
Barco de abate humanizado. Foto: Ricardo D´Angelo.

Reação em cadeia


Para a certificação do produto final, toda a cadeia tem que possuir o selo, seguir a norma e passar por auditoria uma vez ao ano. “Piscicultura, centro de cultivo, transporte, abatedouro, processamento, filetagem”, diz Luiz Mazzon, presidente da Certified Humane International. A organização sem fins lucrativos, que tem a missão de melhorar a vida dos animais de produção, é a responsável pela promoção e auditoria do Certified Humane®. 


O conceito atinge o consumidor. “O produtor está se dando conta de que, ao aderir à certificação, há menos perda, maior qualidade da carne e maior aderência do consumidor, inclusive da geração Z, mais sensível ao modelo de criação animal”, diz Mazzon.


A perda a que ele se refere se comprova. Com a diminuição da população desses tanques de 100 mil para 80 mil indivíduos, a perda de animais que era de 10% a 12% foi para 3%. “Os peixes crescem melhor e mais relaxados”, comentaram especialistas da Cermaq, na visita ao centro de cultivo. 


Restaurante certificado


Para um estabelecimento gastronômico adquirir o selo Certified Humane®, deve seguir algumas regras, como: 



  • Não usar nenhum salmão que não seja o certificado

  • Treinar os funcionários sobre a certificação

  • Comprovar que a quantidade de peixe vendido é a mesma do comprado

  • Não usar o selo indistintamente, apenas para o salmão 


Ciclo de vida


Larvas. Foto: Ricardo D´Angelo.
Larvas. Foto: Ricardo D´Angelo.

Larvas: depois da eclosão das ovas, são mantidas em berçário, até que o saco vitelino desapareça. O controle é manual: a hora de ir para os tanques é quando começam a procurar comida no fundo das bandejas. 


Alevinos. Foto: Ricardo D´Angelo.
Alevinos. Foto: Ricardo D´Angelo.

Alevinos: os peixes-bebê são levados a tanques maiores, ainda de água doce, em que nadam em círculos e são alimentados com ração, até atingirem o tamanho adequado para passar à próxima fase. 


O Smolt. Foto: Ricardo D´Angelo.
O Smolt. Foto: Ricardo D´Angelo.

Smolt: quando atinge 150 g e perde as listras, ganhando a cor prateada, o salmão é chamado de smolt; então ele recebe uma vacina para prevenir seis enfermidades e é levado ao centro de cultivo.


Peixe com certificado de bem-estar animal chega ao Brasil com marca familiar. Foto: Ricardo D´Angelo.
Peixe com certificado de bem-estar animal chega ao Brasil com marca familiar. Foto: Ricardo D´Angelo.

Operação de guerra


Quando chegam a seis quilos, com um ano e meio, os peixes são levados à embarcação, onde seguem em uma suave correnteza. Em poucos segundos, o espaço em que estão se estreita, um sensor é ativado e, rapidamente, um a um, os animais são abatidos de maneira humanizada. Imediatamente, seguem para os caminhões e cruzam 130 quilômetros, de Punta Arenas até à planta, em Puerto Natales. Em menos de 8 horas, estão limpos e processados.


Saúde do pescado


O salmão processado pela Damm, que chega de Magalhães, tem um diferencial: é criado sem o uso de antibióticos. “O bem-estar animal é o caminho para ter um salmão desse tipo”, diz Roberto Veiga, diretor da Damm. Como o peixe é delicado, lembra, se ele se estressar ou se machucar, a resistência cai e as bactérias podem agir. “A certificação garante que, durante todo o ciclo de vida do animal, ele tenha condições de vida superiores às convencionais. Quando o ambiente é melhor, ele não tem medo do manejo, tem espaço para expressar seu comportamento natural”, complementa Santiago Rucinque, consultor em bem-estar animal na FWS. Boas práticas levam a outras.


Ana Mosquera alimenta salmão. Foto: Ricardo D´Angelo.


Atualmente, o salmão Certified Humane® vendido pela Damm custa o mesmo preço do que o não certificado comercializado pela marca. “A gente tem que ser conhecido pelas pessoas. O selo me custa mais, mas estamos incubando esse negócio”, diz Veiga. Antes de comercializar o produto com selo Certified Humane® da marca própria, a Damm já vendia o salmão certificado para a Korin, empresa referência em Agricultura Natural há mais de 30 anos. A Damm agora se prepara para entrar em nova fase. A empresa acaba de contratar Reginaldo Morikawa como diretor de sustentabilidade, que foi CEO da Korin por 16 anos, como diretor de sustentabilidade. 


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