O fino da fruta
Sem querer desmerecer aquele preparo de avó, caseiro e com aquele sabor avinagrado que vai evoluindo com o tempo, o novo licor de jabuticaba que chegou ao mercado brasileiro é fino. Com dulçor, textura e coloração garantidos, a acidez fica por conta das combinações: “Experimente misturar duas partes do licor e uma parte de Cointreau num copo baixo com gelo”, sugere Emilio Iacovini, idealizador da bebida conhecida como Jaboo.
Há cerca de três meses no mercado brasileiro, o aperitivo já ganhou o aval de grandes nomes da área, como o da especialista e consultora em bebidas brasileiras, Isadora Fornari, a Isadinha, e está em drinques das cartas de restaurantes paulistanos como Il Capitale, Gianni, Il Carpaccio e Cittadino, que fica dentro do hotel Grand Hyatt. Para o consumidor final adquirir – e preparar a sugestão de Iacovini –, basta recorrer a mercados como Emporium São Paulo, Santa Luzia, Varanda, Mambo e St. Marche, na capital paulista, ou comprar online, no próprio site da marca. Leia o bate-bola com o fundador da marca para saber mais.
Você vem de outra área. O que te motivou a criar o Jaboo?
Estudei administração e sempre tive um amor pelo desenvolvimento de produtos. Trabalhei na antiga Meta 29, empresa de mídia em aeroportos, que importava painel lenticular, daquele efeito 3D. Quando saí de lá, fui atrás de criar isso no Brasil e montei a 3 Design Interativa, que chegou a ganhar o Prêmio Tomie Ohtake, por inovação. Mas sempre tive paixão por conhecer e apreciar bebidas, e gosto muito de jabuticaba, desde a infância. Ela é da Mata Atlântica, e eu cresci em Ubatuba, que tem uma exuberância, uma força da natureza. Se eu conseguisse fazer algo com ela seria uma conquista.
E qual o objetivo desse licor fino, aveludado, no mercado de bebidas?
A gente fez o licor pensando em coquetelaria, em estabilidade. Até porque essa fruta é extremamente difícil de conservar, tem safra curta e oxida com facilidade. O subproduto é totalmente diferente da fruta. A dificuldade foi criar algo que fosse natural. Para isso, usamos um processo moderno, que extrai cada volátil que compõe o sabor da jabuticaba. É uma tecnologia avançada, e a gente foi meio pioneiro.
Como foi o processo de chegar à fórmula ideal?
A fórmula é o coração do negócio, fiquei dois anos desenvolvendo. Fiz testes com combinações de frutas e botânicos florais, que dão essa aveludada. Eu queria essa base. Eles não alteram o sabor, mas dão um colchão pra jabuticaba não ficar no vácuo. Ela cresce em cima dele, em termos sensoriais, de aromas. Essa acidez, que se consegue perceber de forma mais acentuada na fruta, você consegue de volta combinando cítricos, como laranja ou limão-siciliano, quando cria um coquetel. O Jaboo vai muito bem com outros elementos.
A embalagem também é muito sofisticada, combina com ele.
Foi uma preocupação muito grande. Se você vir, ele não puxa pela tradicionalidade. A jabuticaba é vazada no vidro, como se estivesse cortada ao meio. Faz toda a diferença pro produto. É séria e moderna. Foi feita pela Agência Vanzak, sob direção da Thais Andrade Bueno Torres, com criação do Rodrigo Chiaparini.
A ideia é parar no Jaboo ou criar licores de outras frutas?
Como plano de expansão de negócio, primeiro estamos buscando captar investimento e trabalhar com estados que recebem muitos turistas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina. Num segundo momento, queremos usar outras frutas, e não só em licores, mas em outras bebidas, talvez em algo sem álcool. Também queremos levar o Jaboo para fora do país, fazer rodadas de negócios com distribuidores. Eu tenho a visão de transformá-lo no que é o Amarula hoje, que começou como produto da savana africana e chegou ao mundo inteiro. A jabuticaba é uma fruta quase exótica: nasce no caule, a safra curta, está ligada ao Brasil. Quero levar essa história para o mundo, e sinto que o Jaboo já tem uma força muito grande.
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