Sem perder a essência
Em visita ao Brasil, Chris Fletcher, master distiller da Jack Daniel’s, apresentou aos apreciadores de whiskey a nova Bonded Series, que reúne os rótulos Jack Daniel’s Bonded, Bonded Rye e Triple Mash. De passagem, também compartilhou algumas curiosidades e bastidores sobre o universo do Tennessee whiskey.
A Jack Daniel’s construiu sua identidade ao longo de mais de um século. Ao trabalhar em uma série como a Bonded Series, como equilibrar tradição e inovação sem perder o DNA clássico da destilaria?
Esse equilíbrio começa justamente pela tradição. Seguimos usando os mesmos processos, os mesmos ingredientes e o mesmo padrão de qualidade que moldaram a identidade da Jack Daniel’s ao longo de gerações. Quando pensamos em uma expressão nova, como a Bonded Series, a primeira pergunta é sempre a mesma: “isso ainda representa o espírito do Old No. 7?” A inovação acontece, mas sempre dentro desse legado.
O processo de charcoal mellowing é uma das marcas registradas da casa. Em termos sensoriais, como esse método influencia o perfil do whiskey?
O charcoal mellowing não adiciona sabor ou cor. Ele funciona como uma filtragem natural. O destilado recém produzido passa lentamente por uma espessa camada de carvão vegetal antes de seguir para o barril. Esse processo remove compostos mais pesados e deixa o destilado mais suave. O resultado é um whiskey mais equilibrado, no qual notas naturalmente formadas na fermentação e na destilação aparecem com mais clareza. É um dos traços que definem o caráter do Tennessee whiskey.
O conceito de Bottled in Bond nasceu no século XIX como um selo de confiança. Em um mercado global tão competitivo, qual é a relevância desse estilo hoje?
Talvez ele seja ainda mais relevante hoje do que no passado. O Bottled in Bond exige transparência absoluta. O consumidor sabe exatamente quem destilou o whiskey, em qual destilaria, em qual temporada e com qual graduação alcoólica. Em um mercado com centenas de marcas e muito marketing, esse tipo de clareza faz diferença. No caso da Jack Daniel’s, reforça algo que sempre destacamos com orgulho: todos os nossos whiskies são produzidos na mesma destilaria, no Tennessee.
O Tennessee whiskey costuma ser comparado ao bourbon. Do ponto de vista técnico e sensorial, quais diferenças ajudam a entender melhor esses dois estilos?
Tecnicamente, o Tennessee whiskey segue as mesmas leis federais que regem o bourbon. A diferença é que nem todo bourbon pode ser chamado de Tennessee whiskey. Para receber essa denominação, o destilado precisa ser produzido no Tennessee e passar pelo processo adicional de charcoal mellowing. Essa filtragem em carvão de bordo leva cerca de 24 horas e ajuda a criar um perfil mais suave e arredondado, que se tornou a assinatura do estilo.
Nos últimos anos o mundo do whiskey tem explorado novos barris, maturações e finishes. Como você enxerga o futuro da categoria e os próximos passos da Jack Daniel’s?
A experimentação sempre fez parte da história da Jack Daniel’s, embora muita gente associe a marca apenas ao Old No. 7. Antes mesmo da Lei Seca, a destilaria já produzia diferentes estilos de destilados. Hoje temos a oportunidade de revisitar essa tradição e explorar novas interpretações do Tennessee whiskey. A ideia é ampliar o portfólio, apresentar expressões diferentes e continuar surpreendendo o público, sempre respeitando a essência que construiu a reputação da casa.
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