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Belo Horizonte,03/04/2026

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É fake!

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É fake!
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Em nada o salmão lembra o Saci Pererê – mas o que não faltam são lendas (eufemismo pra mentiras mesmo) em torno dele. Aqui você desvenda, em 10 tópicos, o que é verdadeiro e o que é falso nessa que é a maior indústria do Chile depois do cobre. Atrás da Noruega, o país vizinho responde pela segunda produção de salmão no mundo. Com mais de 6 mil funcionários, a AquaChile é líder global de mercado e uma das principais fornecedoras da Frescatto – curadora e garantidora de uma cadeia que não admite falhas.





É fake: o salmão de cultivo é produzido em laboratórios





A AquaChile trabalha com duas espécies – o salmão-do-atlântico (Salmo salar) e o salmão Coho (Oncorhynchus kisutch), mais conhecido como salmão do Pacífico e preferido dos japoneses – e tem o próprio centro de reprodução e genética. Apenas as ovas de salmão são fecundadas em laboratório. Depois da fecundação, o processo acontece em uma espécie de berçário e se divide em duas etapas. Na primeira, as ovas permanecem em incubação em ambiente protegido por 60 a 90 dias. Após a eclosão, os animais vivem em água doce por um período de até 12 meses, quando atingem cerca de 130 gramas e estão prontos para a vida no mar. A sanidade dos animais exige cuidados extremos: para entrar no laboratório onde as ovas são fecundadas, o visitante precisa tomar três banhos. E aquele que visita a fábrica onde os peixes são abatidos e processados só pode entrar no berçário depois de quatro dias, a fim de evitar contaminação cruzada.





É fake: os produtores dão corantes para o salmão





Na natureza, o salmão se alimenta de krill, um pequeno crustáceo com carotenoides (principalmente astaxantina), que lhe garantem o pigmento rosado. Reproduzindo o alimento natural do peixe, a ração do salmão de cultivo contém farinha de krill.





É fake: todo salmão de cultivo toma antibióticos





A AquaChile lança 5 milhões de peixes ao mar por ano e a mortalidade não passa de 6% do total. Todos os animais são vacinados, justamente para reduzir o uso de antibióticos, restrito a casos pontuais – sempre que isso acontece, é necessário verificar o nível residual de antibióticos presente no pescado antes da chamada colheita.





É fake: o salmão de cultivo toma hormônios e anabolizantes, para crescer rápido





O ciclo de produção do salmão, da eclosão das ovas à colheita, dura cerca de dois anos e meio. Hormônios e anabolizantes são proibidos. Além da farinha de krill, estão presentes na ração dos animais: soja, milho, trigo, farinha de pescado, azeite de pescado, farinha de sangue e hidrolisado de proteína. A AquaChile opera sua própria fábrica de ração, localizada em Puerto Montt.





É fake: o salmão de cultivo não tem ômega 3





É exatamente o contrário: o salmão de cultivo tem mais que o dobro de ômega 3 que o salmão selvagem. Ele é livre de açúcares, carboidratos e também tem menos sódio que o salmão selvagem.





É fake: os peixes ficam amontoados nas fazendas de cultivo e não têm espaço para nadar





Uma vez prontos para viver em água salgada, os salmões são transportados para grandes fazendas marinhas – como a unidade da AquaChile que Prazeres da Mesa visitou em Puerto Natales, no extremo sul do Chile –, onde ocupam somente 4% do espaço dos tanques-rede em que crescem. Nesses tanques, com águas frias, limpas e correntes, eles se alimentam, nadam e passam por manejo diário, até o momento do abate, que se dá quando o peixe atinge de cinco a seis quilos.





É fake: os resíduos de ração das fazendas de salmão poluem o meio ambiente





A legislação chilena exige, das fazendas de salmão, períodos de descanso de três meses, como parte de um conjunto de medidas para garantir a sustentabilidade da indústria de salmão no país. Essas informações são públicas, assim como são públicos os dados de quantos animais as empresas levam ao mar e seus índices de mortalidade. Executivos da AquaChile observam, ainda, que o desperdício de ração equivale a desperdício de dinheiro – portanto, a quantidade de ração administrada aos animais é minuciosamente monitorada. Em termos ambientais, a maior preocupação dos produtores de salmão é o escape dos animais por ação de lobos marinhos que rondam as redes. Ao mesmo tempo em que salmão é um peixe exótico no Chile (e traria impactos à cadeia caso solto na natureza), os lobos são espécies protegidas (que sequer podem ser afugentadas das redes). Para evitar o rompimento das redes e o escape de salmões, a AquaChile usa robôs em vistorias diárias nos tanques.





É fake: as fazendas de salmão ocupam áreas protegidas no Chile





A indústria chilena não tem mais, hoje, concessões de fazendas de salmão em áreas protegidas. A AquaChile opera 15 fazendas – inclusive na região de Magalhães, mas fora dos limites do Parque Nacional Torres del Paine, famoso pelos glaciares (imensos paredões de gelo azul). Ao todo, o Chile conta com 1,09 milhão de hectares marinhos destinados à aquicultura, sendo cerca de 14 mil hectares outorgados para o cultivo de salmão. 





É fake: o salmão só chega congelado ao Brasil





A AquaChile abate cerca de 300 mil toneladas de salmão por ano e tem, como maior consumidor, os Estados Unidos – que só recebe o produto congelado. No Brasil, segundo maior cliente da empresa, a história é outra: a Frescatto traz o peixe inteiro e refrigerado numa viagem de sete dias e 4,4 mil quilômetros desde o Chile, atravessando a Cordilheira dos Andes e a Argentina. Cerca de 20 carretas, cada uma com 400 toneladas de salmão, chegam, por semana, à fábrica da empresa, em Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro – onde são inspecionadas, processadas e distribuídas para 16 mil clientes em todo o Brasil. Além do peixe inteiro, preferido dos sushimen, a Frescatto comercializa cortes frescos e congelados. O aproveitamento é total: cabeças de salmão são vendidas para as Filipinas e as aparas, para indústrias de ração. Resfriado, o salmão tem validade de 21 dias.





É fake: judeus não devem consumir salmão





Rabinos visitam regularmente as fábricas tanto da AquaChile quanto da Frescatto, onde o salmão é, sim, um produto kosher.


O post É fake! apareceu primeiro em Prazeres da Mesa.




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