Seja bem-vindo
Belo Horizonte,13/10/2026

  • A +
  • A -

Ayurveda: o amor pode ser considerado medicina?

vidasimples.co
Ayurveda: o amor pode ser considerado medicina?

Ao pensar em medicina, é comum que imagens de remédios, exames e consultas sejam as primeiras a surgir. Já o amor costuma ser associado ao campo afetivo, às relações humanas e ao que acontece dentro de nós. Apesar de parecerem coisas distintas, essa lógica pode estar concentrada apenas na visão da medicina ocidental.


O Ayurveda parte de outra forma de compreender a saúde. Desenvolvido na Índia há milhares de anos, esse sistema tradicional de cuidado considera diferentes aspectos da vida quando pensa no que significa estar saudável. O próprio nome ajuda a entender essa visão: ayus significa vida e veda, conhecimento. Em uma tradução aproximada, Ayurveda significa “conhecimento da vida”.


Nina Habib, terapeuta ayurvédica, explica que isso envolve olhar para a saúde a partir da relação entre corpo, mente, hábitos e ambiente. O ser humano não é dividido em pequenos departamentos independentes e, para a especialista, talvez o amor entre justamente nesse espaço indivisível. Não como medicamento ou promessa de cura, mas como uma experiência capaz de modificar a maneira como habitamos o próprio corpo.


“Pense na diferença entre estar ao lado de alguém que exige que você permaneça em alerta e estar diante de alguém com quem você consegue descansar. Externamente, talvez nada esteja acontecendo. Internamente, são experiências completamente diferentes.”


Da digestão à sustentação da vida


No Ayurveda, o Ojas é como uma espécie de essência da boa nutrição e da vitalidade, construída depois que o corpo digere e transforma adequadamente o que recebe. Por isso é associado à estabilidade, resistência e sustentação da vida. “Aquilo que recebemos precisa ser digerido, transformado, assimilado e, só então, pode participar da construção dos tecidos e dessa essência mais sutil.”


Para a especialista, experiências de afeto também podem participar daquilo que sustenta o corpo. Enquanto uma refeição oferece nutrientes que conseguimos identificar, uma relação segura, apesar de não ser material, pode trazer descanso, acolhimento e estabilidade. Essas sensações também repercutem fisicamente e ajudam a pensar a nutrição para além do que colocamos no prato.


Afeto também nutre


A conexão entre corpo e emoção também aparece na forma como o coração é compreendido no Ayurveda. O conceito de Hridaya não o considera apenas como o órgão responsável por bombear sangue. Nina explica que, em textos tradicionais, ele também aparece ligado à mente, aos sentidos, à consciência e a Ojas. “Talvez por isso seja tão difícil separar completamente a história emocional de uma pessoa da maneira como ela vive dentro do próprio corpo.”


Isso porque o que sentimos não fica apenas na mente. A preocupação pode aparecer no sono, o medo na tensão muscular e a ansiedade na digestão. Da mesma forma, a sensação de segurança também pode produzir efeitos positivos. As relações, os ambientes e as emoções vividas ao longo do dia deixam marcas na maneira como o organismo responde.



“Uma presença pode nos tranquilizar. Um abraço pode fazer o corpo relaxar antes mesmo que qualquer palavra seja dita. O organismo participa daquilo que sentimos.”



Cuidar do que chega até nós também faz parte da forma como o sistema tradicional de medicina ayurvédica compreende a saúde. “O ambiente em que vivemos, as conversas que repetimos, aquilo que vemos todos os dias e as relações que cultivamos não são elementos completamente externos a nós.”


A especialista sugere que o amor se aproxima da ideia de medicina porque “uma vida na qual existe afeto, pertencimento, segurança e presença é uma experiência corporal diferente de uma vida permanentemente atravessada pelo medo, pela hostilidade ou pela solidão.”


E esse amor não se restringe ao romântico. Ele aparece entre mãe e filho, amigos, irmãos e na comunidade, mas também em uma refeição preparada com carinho, no toque e até na forma como alguém se relaciona consigo mesmo.


Nina lembra ainda que o Ayurveda valoriza a rotina por reconhecer a força da repetição, algo que também vale para os vínculos. “Um grande gesto de amor pode ser inesquecível, mas muitas vezes é a repetição das pequenas experiências de segurança que constrói intimidade.”


➥ Leia mais

– Ayurveda: quais chás ajudam no equilíbrio de cada dosha?

– Como começar no Ayurveda?

– A bênção das ervas



O post Ayurveda: o amor pode ser considerado medicina? apareceu primeiro em Vida Simples.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.