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Belo Horizonte,25/09/2026

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'O dinheiro tem que trabalhar para você': 5 lições de Gil do Vigor para fazer o negócio dar certo

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'O dinheiro tem que trabalhar para você': 5 lições de Gil do Vigor para fazer o negócio dar certo


Saber a hora de reinvestir, conter impulsos de consumo e entender que o lucro da empresa não é renda pessoal são desafios para quem decide abrir o próprio negócio. Diante desse cenário, a educação financeira deixa de ser um conceito distante e se torna fundamental para transformar a rotina do caixa em sustentabilidade a longo prazo. Esse debate guiou a participação do economista e ex-BBB Gil do Vigor na 10ª edição do Mercado Livre Experience, que chega ao fim nesta sexta-feira (25/9), em São Paulo.
No painel, o economista, que é embaixador do Mercado Pago (instituição financeira do Mercado Livre), avaliou a realidade de pequenas empresas e Microempreendedores Individuais (MEIs), alertando para a alta taxa de mortalidade nos primeiros anos de funcionamento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 60% das empresas no Brasil encerram suas atividades antes de completar cinco anos.
"Para quem tem negócio, os primeiros anos são os anos mais difíceis. Tanto que 3 em cada 10 pequenos negócios não chegam no segundo ano. E a gente sabe que empreender é um sonho. Ninguém abre uma empresa querendo fechar depois de um ano", afirmou.
A seguir, confira os cinco pilares destacados pelo economista para garantir a longevidade do negócio:
1. Foco em construção e reinvestimento
A transição da postura de consumidor para a mentalidade de proprietário representa o primeiro passo para o fortalecimento do negócio. Gil destaca que o consumidor habitual enxerga o capital com foco no gasto imediato, enquanto o gestor enxerga o recurso como meio de expansão e sustentação. "Quem pensa como consumidor olha para o dinheiro e pergunta: o que eu posso comprar com isso? Mas quem pensa como dono pergunta: o que eu posso construir com isso?", pontuou.
O economista ressalta ainda que a matemática diária das empresas não exige fórmulas complexas, mas sim o controle básico entre receitas, despesas e o reinvestimento contínuo. "Se tem alguém que tem uma obrigação de trabalhar para vocês antes de qualquer pessoa, de qualquer colaborador, é o seu dinheiro. Se o dinheiro não estiver trabalhando para vocês, alguma coisa errada está acontecendo", alertou.
2. Separação de contas e fixação de pró-labore
A fusão entre o orçamento pessoal e as contas da empresa representa uma das falhas mais recorrentes no empreendedorismo inicial, de acordo com o economista. Essa mistura impede a identificação do lucro líquido, da receita real e dos custos operacionais, comprometendo o diagnóstico financeiro.
Para ilustrar a necessidade de estabelecer limites, Gil utilizou uma analogia sobre a relação entre funcionário e empregador: "Você pode ser ao mesmo tempo o dono e o funcionário da sua empresa, mas se você não conseguir separar isso e entender que são duas estruturas diferentes você tende a se lascar [sic]. Imagine que você trabalha em uma empresa e tem um chefe. Você deixaria o seu chefe invadir a sua casa, bagunçar tudo, quebrar tudo e falar 'quem manda aqui sou eu'?".
A partir dessa perspectiva, ele sugere a definição de um salário fixo (pró-labore) para o proprietário, alinhado aos seus gastos pessoais. Com o pró-labore fixado, o empresário evita retiradas desordenadas do caixa e preserva a clareza sobre o desempenho financeiro. "Precisa ter essa separação. O que é da empresa é da empresa", reforçou.
3. Planejamento e estratégia
O planejamento prévio é a ferramenta principal para superar a fase inicial do negócio. Definir metas reais e cronogramas de execução permite antecipar gargalos e direcionar a aplicação dos recursos.
Para demonstrar a eficácia da preparação prévia, Gil compartilhou sua experiência pessoal ao se preparar para a aplicação de um doutorado nos Estados Unidos. Com uma taxa de aplicação de R$ 12 mil e um salário mensal de R$ 2 mil, o economista elaborou um plano de 12 meses. Ele calculou que conseguiria poupar R$ 400 por mês, somando R$ 5 mil ao longo de um ano. Para levantar o restante, mapeou oportunidades adicionais oferecendo aulas, monitorias e reforços em suas áreas de especialidade. "Um ano antes eu pensei como empresa, como dono. E aí eu criei um planejamento, uma estratégia para que eu conseguisse minimizar as dificuldades", explicou.
"Quando você começa a colocar em prática os planos reais e factíveis, você começa a trabalhar com mais afinco. Planejar é fazer com que o universo, Deus ou o que você acredita, prepare todo o caminho para que os seus planos possam acontecer", acrescentou.
4. Reserva de emergência
A criação de um fundo de segurança é indispensável para a manutenção das atividades durante períodos de retração de vendas ou imprevistos de mercado. Gil comparou a dinâmica corporativa à biologia humana para demonstrar a utilidade da reserva no caixa.
"A gente não consegue prever quando vai viver uma dificuldade. A reserva de emergência é aquele remédio. A sua empresa é um corpo humano. Por mais que a gente vá para a academia e se alimente bem, ainda assim você tem a chance de ficar doente. E a empresa é a mesma coisa. Nesse momento você tem que aplicar o remédio", reiterou.
5. Acesso ao crédito consciente
O crédito financeiro pode funcionar como vetor de expansão ou como recurso de socorro, exigindo avaliação criteriosa do cenário antes da contratação. Contudo, Gil alerta que a captação de recursos externos não deve ser realizada para cobrir despesas de consumo sem planejamento.
Ele ressalta que o crédito deve ser encarado rigorosamente como "uma dívida que vai gerar retorno", voltada ao aumento da capacidade produtiva, resolução de gargalos operacionais ou investimentos estruturais de médio e longo prazo.
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