EUA ampliam verificação de presença online na análise de vistos
I.A. A partir de outubro, governo americano incluirá novas categorias no procedimento; para brasileiros, análise de presença digital já é aplicada a diferentes tipos de visto
As redes sociais passam a integrar uma etapa cada vez mais ampla da análise de vistos dos Estados Unidos. Em anúncio divulgado em 18 de setembro, o Departamento de Estado informou que, a partir de 1º de outubro de 2026, ampliará o chamado online presence review para novas categorias de solicitantes. A medida inclui os vistos I, TN e TD, destinados, respectivamente, a representantes de meios de comunicação estrangeiros, determinados profissionais do Canadá e do México e seus dependentes.
Embora parte das novas categorias não se aplique diretamente a brasileiros (o visto TN, por exemplo, é destinado a cidadãos canadenses e mexicanos que atendam aos requisitos do programa), a verificação de presença online já faz parte da análise de diferentes categorias de vistos solicitados por brasileiros.
O procedimento já alcança categorias como H-1B e H-4, voltadas a determinados profissionais e seus dependentes; F e M, destinadas a estudantes; J, para intercambistas; além de outras categorias específicas. Para os grupos abrangidos, o Departamento de Estado orienta que os perfis de redes sociais sejam mantidos públicos ou abertos para possibilitar a verificação.
Para o Dr. Vinicius Bicalho, advogado, professor universitário e membro da American Immigration Lawyers Association (AILA), a ampliação anunciada pelo governo americano reforça uma prática que brasileiros que solicitam determinados vistos já precisam considerar.
“A presença digital já faz parte do processo de verificação de diferentes categorias de vistos. O anúncio mais recente mostra que o governo americano continua ampliando o alcance dessa análise. Para o brasileiro que pretende estudar, trabalhar ou permanecer nos Estados Unidos, é importante entender que as informações disponíveis publicamente nas redes podem fazer parte desse contexto de verificação”, afirma.
Segundo o especialista, a análise não significa que uma publicação isolada determine automaticamente a concessão ou a negativa de um visto.
“O ponto principal não é uma publicação específica, mas a coerência das informações apresentadas durante o processo. O candidato deve estar atento ao propósito declarado para a viagem, aos documentos apresentados, ao histórico profissional ou acadêmico e às informações que mantém publicamente disponíveis”, explica Bicalho.
A orientação, portanto, não deve ser interpretada como uma recomendação para apagar conteúdos ou modificar artificialmente os perfis antes da entrevista consular.
“Não se trata simplesmente de apagar publicações antes de solicitar o visto. A preparação deve começar pela compreensão dos requisitos da categoria migratória, pela organização da documentação e pela consistência das informações apresentadas às autoridades. A presença digital é mais um elemento dentro de um processo de verificação que vem se tornando mais abrangente”, afirma.
Para brasileiros que pretendem solicitar vistos americanos, o cenário reforça a importância de conhecer previamente as regras da categoria escolhida e preparar o processo antes da entrevista consular.
“A melhor preparação começa antes do preenchimento dos formulários. O candidato precisa entender os requisitos do visto, organizar a documentação e estar preparado para explicar de forma objetiva seu propósito de viagem. Também é importante saber que, em determinadas categorias, a presença digital pública já integra o contexto de verificação consular”, conclui Bicalho.




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