Seja bem-vindo
Belo Horizonte,03/10/2026

  • A +
  • A -

Não se cobre tanto: dicas para respeitar seu tempo de aprendizado

vidasimples.co
Não se cobre tanto: dicas para respeitar seu tempo de aprendizado

Começar em um trabalho, aprender a dirigir, entrar numa academia ou tocar um instrumento. Fazer algo novo pode provocar insegurança e medo, e provavelmente você vai se sentir vulnerável nessa posição de aprendiz, porque isso coloca o cérebro diante de uma situação desconfortável: não saber exatamente o que fazer.


“Nós gostamos de previsibilidade, domínio e sensação de controle. Quando assumimos uma função diferente, perdemos temporariamente essa segurança”, explica a psicóloga Adriana Santiago. Mesmo assim, é comum chegar ao primeiro dia de uma atividade querendo fazer tudo de forma irretocável.


Estimulados por uma cultura em que tudo precisa acontecer imediatamente, esquecemos que algumas competências só se constroem vivendo, errando, repetindo, corrigindo e tentando novamente. “A expectativa não combina com o tempo real da aprendizagem”, afirma a especialista. 


As origens da autocobrança


Entender que existe um processo natural de aprendizado não faz com que as emoções desapareçam. Ainda assim, é possível sentir vergonha por não conseguir fazer alguma coisa de primeira. Adriana explica que isso acontece porque nossas respostas emocionais não são construídas apenas pelo conhecimento atual, mas também pela nossa história.


Pessoas que cresceram recebendo muita valorização pelo desempenho podem ter aprendido que falhar significa decepcionar alguém ou perder reconhecimento. A autocobrança também pode estar relacionada à necessidade de aprovação, ao medo de cometer erros e à ideia de que precisamos provar rapidamente que somos competentes. “O que deveria ser um período de descoberta acaba virando uma espécie de prova permanente.”


Faz parte do aprendizado


Quando estamos adquirindo uma habilidade nova, o cérebro está construindo e fortalecendo determinadas redes neurais. Por isso, é natural ter dúvidas, esquecer etapas, precisar perguntar novamente, demorar mais e ficar mentalmente cansado. Essas dificuldades fazem parte do processo de aprendizado e não devem ser interpretadas como sinal de incapacidade.


Com a repetição, as tarefas tendem a exigir menos esforço e até se tornam automáticas. O problema, segundo a especialista, é que uma dificuldade momentânea pode acabar sendo confundida com uma característica pessoal: em vez de reconhecer que algo ainda está sendo aprendido, surge a sensação de não ser capaz.



“Existe uma enorme diferença entre essas duas visões. O ‘ainda’ abre uma possibilidade de desenvolvimento. Já o ‘não sou capaz’ fecha a porta antes mesmo de o cérebro terminar a reforma.”



Por isso, um ponto importante é conversar consigo da mesma maneira que conversaria com alguém que ama. “Muitas pessoas são extremamente compreensivas com os erros dos outros e absolutamente impiedosas com os próprios.”


Transforme um erro em autoconhecimento


Aprender pressupõe tentativa, correção e recomeço. Por isso, é necessário deixar de olhar para o erro como uma sentença. Ele pode funcionar como informação: indicar uma estratégia que precisa ser ajustada, um conhecimento que ainda não se consolidou, a necessidade de mais atenção ou até de uma orientação adicional.


Isso não significa romantizar falhas nem deixar de assumir responsabilidade pelo que aconteceu. A ideia é transformar o erro em uma pergunta e entender o que pode ser feito de outra forma na próxima vez.


Volte o olhar para o próprio caminho


Medir o próprio desempenho pelo de pessoas mais experientes tende a aumentar a autocobrança, já que cria uma perspectiva injusta consigo mesmo. “Comparamos o nosso começo com o meio da história de outra pessoa”, explica Adriana.


Isso porque a facilidade costuma vir de quem provavelmente já repetiu a tarefa centenas de vezes. “Nós vemos a execução pronta, mas não assistimos aos erros, às dúvidas, às perguntas e aos tropeços que aconteceram antes. É como entrar hoje numa academia, olhar para uma pessoa que treina há dez anos e concluir: ‘Realmente, musculação não é para mim’.”


Comparar-se pode ser útil quando funciona como referência, em vez de instrumento de punição. Nesses casos, vale trocar a pergunta “por que ele consegue e eu não?” por “o que essa pessoa já aprendeu que eu ainda estou aprendendo?”.


Reflexões simples e focadas apenas na própria trajetória também ajudam. Por isso, questione-se: “O que hoje consigo fazer que há duas semanas não conseguia?”, “O que ficou um pouco mais fácil?” e “O que ainda preciso aprender?”.


Adriana também sugere registrar pequenas conquistas, já que o cérebro tende a prestar mais atenção ao que deu errado. “Às vezes, alguém evoluiu muito, mas continua dizendo: ‘Não estou melhorando’. Quando olhamos para trás com algum método, percebemos que várias coisas que hoje fazemos automaticamente já foram extremamente difíceis.”


➥ Leia mais

– Quando o descanso não descansa o corpo

– A coragem de se reinventar

– Dicas para se acolher em um dia que não saiu como esperado


O post Não se cobre tanto: dicas para respeitar seu tempo de aprendizado apareceu primeiro em Vida Simples.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.