Sem receber R$ 225 mil por caminhonetes, agricultor diz que comprador ofereceu tratores como pagamento em Sertãozinho, SP

Sem receber, agricultor diz que comprador ofereceu tratores como pagamento em Sertãozinho
Um agricultor que diz não ter recebido R$ 225 mil pela venda de duas caminhonetes em Sertãozinho (SP) afirma que o comprador ofereceu três tratores como forma de pagamento. Segundo ele, nenhuma das máquinas foi entregue.
Valter Donizete Ravagnani conta que fechou o negócio em junho com José Martins de Azevedo Souza Neto e recebeu dois cheques, de R$ 110 mil e R$ 115 mil. Os dois foram devolvidos pelo banco. O agricultor registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil para que a suspeita de estelionato seja apurada.
Ravagnani diz que precisava do dinheiro para pagar uma área de reserva florestal em Minas Gerais. O prazo venceu na sexta-feira (25), e ele teve de pedir mais tempo à empresa com quem fechou esse negócio.
Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp
Em nota enviada ao g1, Souza Neto negou ser criminoso e afirmou que a negociação tem "circunstâncias relevantes" que não constaram da primeira reportagem sobre o caso. Ele diz que mantinha tratativas com o vendedor e que está reunindo documentos para apresentar às autoridades.
Caminhonetes vendidas por agricultor em Sertãozinho, SP, que não recebeu pagamentos
Arquivo pessoal
Três tratores oferecidos
Segundo Valter, o comprador ofereceu três tratores para quitar o valor:
o primeiro não foi enviado porque, de acordo com o comprador, estava quebrado;
o segundo era um trator de esteira, que não tem utilidade para ele, segundo o agricultor;
o terceiro, que ele estima valer cerca de R$ 150 mil, foi oferecido na quarta-feira (23). O comprador prometeu entregá-lo naquela semana, o que não tinha acontecido até sexta.
O agricultor diz que o comprador visualiza as mensagens, mas não responde. Segundo ele, às vezes o comprador liga prometendo o pagamento.
"Toda vez ele me liga confortando que vai pagar, mas não paga, porque já passaram-se quatro meses, e isso está sendo uma agonia", conta.
Valter afirma que prefere receber em dinheiro. Se ficar com as máquinas, diz, terá de revendê-las por um preço mais baixo.
LEIA MAIS
Agricultor vende caminhonetes por R$ 225 mil e recebe cheques sem fundo em Sertãozinho, SP
"Se eu pegar em outro produto, eu vou ter que queimar, vender um preço barato para poder pagar onde que eu fiz negócio."
Cheques do pagamento de caminhonetes em Sertã, SP, foram devolvidos por banco por falta de saldo
Aurélio Sal/EPTV
Dinheiro para reserva florestal
Valter conta que decidiu vender as caminhonetes depois de ser convocado pelo Ministério Público de Minas Gerais, em Frutal (MG). Segundo ele, precisava comprar uma área de reserva florestal e fechou negócio com uma empresa de reflorestamento.
O pagamento vencia na sexta-feira, dia em que ele deu entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.
"Inclusive, era hoje que era para mim pagar. E tive que ligar lá e pedir para a pessoa esperar mais um pouco para ver se eu consigo receber", disse.
Negócio na base da confiança
Segundo Valter, o comprador foi apresentado a ele por um conhecido de cerca de oito anos, com quem já tinha feito outros negócios sem problemas. De acordo com o agricultor, esse intermediário apresentou José como um grande produtor rural, com propriedades em Ribeirão Preto (SP).
Valter afirma que só conheceu o comprador no dia da negociação. Ele entregou as caminhonetes e assinou as autorizações para a transferência dos veículos.
"Meu pai sempre me falou que nome, é melhor você não ter dinheiro, mas ter nome. Com nome você consegue tudo. É o famoso fio do bigode que os antigos falavam, e a gente sempre pensou nisso e confiou nisso", diz.
A expressão "fio do bigode" se refere a acordos garantidos apenas pela palavra.
Advogado defende acordo
O advogado do agricultor, Daniel Pacheco, afirma que há indícios de estelionato, crime que consiste em obter vantagem por meio de fraude. Ainda assim, diz que a prioridade é resolver a situação.
"O interesse nosso é, claro, que essa situação se resolva. (...) Havendo uma situação em que os dois estão confortáveis, não há por que continuar essa discussão. Então, é uma questão de conversar e tentar chegar a um comum acordo."
O que diz o comprador
"Eu, José Martins de Azevedo Souza Neto, esclareço que a negociação mencionada na reportagem decorre de uma relação comercial entre particulares e possui circunstâncias relevantes que não constaram da matéria divulgada.
A simples existência de pagamentos não realizados nas datas originalmente previstas não autoriza, por si só, a conclusão de que tenha ocorrido fraude ou estelionato, especialmente sem a apuração integral das condições da negociação e das tratativas mantidas entre as partes.
Eu informo que estava mantendo tratativas com o vendedor, e, agora, estou reunindo a documentação relacionada ao negócio e prestarei às autoridades competentes todos os esclarecimentos necessários, confiando que a apuração demonstrará adequadamente a natureza e o contexto da relação comercial existente.
Por respeito à própria investigação e para evitar exposição indevida das partes, os demais esclarecimentos serão apresentados pelas vias apropriadas.
Friso que não sou criminoso e muito menos estelionatário, tenho família, pais, filhos, e responsabilidades diversas, tendo sido profunda e negativamente afetado pelos efeitos da reportagem em questão."
Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca
Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca
Vídeos: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e regiã




COMENTÁRIOS