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Belo Horizonte,01/08/2026

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Ninguém fica para trás: como Espanha salvou animais de incêndios florestais

cnnbrasil.com.br
Ninguém fica para trás: como Espanha salvou animais de incêndios florestais

Enquanto dezenas de pessoas fugiam dos incêndios florestais devastadores na Espanha, a equipe do Safari Madrid tinha outros com quem se preocupar.


De pássaros a répteis e grandes felinos, todos estavam em perigo e precisavam ser salvos.


À medida que as chamas se aproximavam do parque de safári, equipes de tratadores permaneceram para cuidar dos animais, conduzindo-os para recintos internos de concreto com ar-condicionado, na esperança de mantê-los fora do alcance do fogo. E enquanto o céu ficava alaranjado e o ar se enchia de densas colunas de fumaça cinza, eles jogavam água nas áreas ao redor para conter as chamas.


Quando os incêndios florestais que devastaram o oeste de Madri na semana passada consumiram 340 quilômetros quadrados de terra, o Safari Madrid foi apenas um dos agentes que surgiram em um esforço regional para salvar inúmeros animais de fazendas e santuários ameaçados pelas chamas.


Em San Martín de Valdeiglesias, a cerca de 70 km a oeste de Madri, uma praça de touros foi convertida em um abrigo improvisado para cavalos e pôneis, burros e cabras, gatos e cachorros, de acordo com a prefeita Aránzazu Povedano Fraguela.


Entretanto, a Guarda Civil espanhola entrou em ação. “Não deixamos ninguém para trás, seja qual for a espécie”, publicou no Instagram, juntamente com vídeos nas redes sociais mostrando seus membros em fazendas por toda a região, resgatando cavalos e cabras, confortando vacas e galinhas e verificando o estado de avestruzes, camelos e crocodilos.


https://www.instagram.com/reel/DbYFx5doevQ/?utm_source=ig_web_button_share_sheet


Outros vídeos mostravam seus membros resgatando animais de estimação domésticos, como gatos e cachorros.



“Eles parecem tão indefesos e confusos quando os evacuamos, ficam completamente paralisados. Mas são como membros da família, ainda mais nessas circunstâncias”, publicou a guarda civil.


De volta ao Safari Madrid, além de seus próprios cerca de 1.000 animais, o parque acolheu os evacuados do centro de vida selvagem Kuna Ibérica, um santuário próximo que resgata animais feridos ou abandonados.



Com o avanço das chamas, o Safari Madrid tornou-se o guardião temporário de um lince-euroasiático e um lobo-ibérico, ambos tendo que ser anestesiados durante a transferência, e de quatro abutres.




“O plano de evacuação era simplesmente retirar tudo o que pudéssemos, e tudo o que conseguíssemos tirar, tiraríamos”, disse Isaac Navarro, diretor da Kuna Ibérica. Alguns dos animais foram transferidos para a Universidade Alfonso X El Sabio, e outros, como aves de rapina, foram acolhidos por outro centro de resgate de animais selvagens em Madri.


“Eu nunca tinha vivenciado uma situação como essa, nunca tínhamos enfrentado um incêndio desse tipo, e (a evacuação) foi feita com toda a rapidez, da melhor maneira possível”, disse Navarro.


A equipe da Kuna Ibérica abriu os portões dos recintos para que alguns dos animais restantes pudessem escapar temporariamente, antes de reuni-los novamente e cuidar deles na manhã seguinte. Por serem animais resgatados que não podem ser soltos na natureza e dependem totalmente de cuidadores humanos, eles permaneceram por perto e retornaram rapidamente para casa quando foi mais seguro. Foi por pouco, já que as chamas chegaram a 10 metros do local, mas os animais saíram ilesos, diz Navarro.




Animais resgatados ficaram em locais fechados, com ar-condicionado
Animais resgatados ficaram em locais fechados, com ar-condicionado • Safari Madrid via CNN Newsource

No Safari Madrid, as chamas chegaram a ficar a 500 metros do parque antes de mudarem de direção. Mas mesmo assim, o perigo persistia.


“Durante o dia, examinamos a área que havia sido queimada… e apagamos um tronco que ainda estava em chamas e poderia reacender”, disse à CNN um porta-voz do parque, José Luis Cano Becerro.


Durante duas noites, os cuidadores mantiveram-se vigilantes e, na segunda noite, sentiram-se suficientemente seguros para dormir, disse ele, “embora sempre com alguma preocupação, mas a cada dia a situação melhorava”.


Felizmente, todos os animais foram salvos – embora alguns tenham ficado um pouco agitados.


Embora os animais do parque estejam acostumados a passar algum tempo em recintos fechados para exames veterinários, ficar lá por mais de um dia foi uma novidade para alguns.




“Alguns (animais) ficaram um pouco agitados”, disse Cano Becerro. “Acreditamos que foi porque tiveram que ficar dentro de casa por muito tempo e não puderam sair, o que não é comum em sua rotina, especialmente os elefantes asiáticos machos, que são adolescentes e estavam um pouco mais inquietos, mas nada preocupante”.


“No fim, fica aquela sensação amarga de que toda a área, toda a região, foi queimada, mas pelo menos nossos animais estão todos a salvo”, disse Navarro, da Kuna Ibérica, cujos animais já retornaram.


No Safari Madrid, os animais também já retornaram aos seus habitats e o parque foi reaberto aos visitantes.


Mas, como a fumaça persiste à distância e o governo alerta o público para que permaneça vigilante, pode levar algum tempo até que os responsáveis ​​pela manutenção da área possam respirar aliviados novamente.


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