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Belo Horizonte,28/07/2026

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Pontinhos pretos no queixo? Entenda o que é a acne felina e como prevenir o problema

g1.globo.com
Pontinhos pretos no queixo? Entenda o que é a acne felina e como prevenir o problema


Acnes felina: veterinário dermatologista de Presidente Prudente (SP) explica quais são as possíveis causas
Arquivo pessoal/Bruna Marina Ferrari

Sabe aqueles pontinhos pretos que podem aparecer no queixo do gato? Há um nome para isso: acne felina. Ao g1, um veterinário dermatologista de Presidente Prudente (SP) explica quais são as possíveis causas e tratamentos para garantir a saúde do animal.

A acne felina, apesar do nome semelhante, é diferente da acne de humanos, a começar pela localização.

“Na maioria das vezes, a acne felina ocorre na região do mento (queixo), diferente do ser humano, que pode ocorrer em toda a extensão da face”, descreve o especialista Luís Felipe da Costa Zulim.

Já o processo inicial da inflamação pode até ser parecido com o de humanos, quando ocorre o aumento e a retenção de queratina dentro do folículo.

“Com esse acúmulo, temos a formação do que chamamos de ‘comedos’ ou ‘comedão’, que é a obstrução do folículo”, continua o veterinário.

A partir dos comedos, também conhecidos como cravos, ocorre a ruptura folicular, segundo o especialista.

“Posteriormente, com o processo inflamatório, temos a infecção bacteriana, o que pode agravar o quadro”, alerta.

A causa para a acne felina ainda não é bem esclarecida pela medicina veterinária, mas, conforme Luís Felipe, alguns fatores podem contribuir, como:
dermatopatias alérgicas;
causas parasitárias (ácaros/sarna);
acúmulo de conteúdo sebáceo na região;
falta de higiene (em animais idosos ou imunossuprimidos);
fatores como estresse.

“O tratamento pode variar de acordo com o padrão lesional e a extensão, e a gravidade. Desde limpeza/higiene local, até uso de antissépticos e antibióticos”, descreve o especialista.

A doença é considerada relativamente comum, segundo o veterinário Luís Felipe.

“Gatos apresentam menor probabilidade a dermatopatias comparado a cães, porém, como está aumentando o número de gatos por família, a busca por atendimento para a espécie tem aumentado também.”
“Alguns gatos apresentam a doença de maneira crônica e recorrente, sendo necessário tratamento de manutenção, bem como higienização frequente no local”, continua.


Felizmente, a inflamação não é transmissível para outros gatos, nem para outros animais; no entanto, o veterinário reforça:

“O tratamento dermatológico no paciente da espécie felina deve ser sempre individualizado, pois gatos não toleram alguns tratamentos e a manipulação excessiva quanto cães.”

Mudança na rotina da família
A gatinha frajola Gabrielly, de três anos, foi diagnosticada com acne felina no “auge da adolescência”, aos nove meses de vida, em outubro de 2023, quando a tutora Bruna Marina Ferrari, 29 anos, percebeu alguns pontos pretos no queixo do animal.

“De início, achei que era sujeira, tentei limpar com algodão e água, mas não saiu. Já no dia seguinte, notei que ela começou a coçar muito; desesperada, chegou a machucar a região do queixo”, destaca.
A pet evitava beber água para não molhar a região e piorar o incômodo.

“Como minha outra gata, Arya, já fazia acompanhamento dermatológico com o Dr. Zulim, não pensei duas vezes, levei a Gaby direto para ele avaliar. Fiquei com medo de ser algo mais grave.”
O tratamento da frajola durou aproximadamente 15 dias, com o apoio da “mãe de pet”, que seguiu todas as dicas de skincare felino prescritas pelo dermatologista veterinário.
“Quando procurei atendimento para ela e recebi todas as orientações, fiquei mais tranquila.”


“Uma das orientações foi em relação aos comedouros/bebedouros; troquei os antigos, que eram de plástico, por inox/porcelana, pois os de plástico são porosos, acumulam muita gordura e bactérias, que influenciam na acne felina”, reforça a médica Bruna, tutora da gata.

A partir das orientações veterinárias, a Bruna conseguiu garantir uma qualidade de vida ainda mais saudável para as companheirinhas.

“Hoje sou mais rigorosa quanto à higiene dos comedouros/bebedouros, sempre checo o queixo da Gabrielly para ver se não tem acne, limpo a região quando necessário e realizo acompanhamento com veterinário regularmente”, completa.

Cuidados para prevenção
Cuidados com o material dos comedouros/bebedouros são reforçados pelo dermatologista veterinário Luís Felipe, bem como descreveu a tutora da frajola.


“Pode acontecer hipersensibilidade ao material do comedouro, principalmente aqueles de plástico que desbotam ou que soltam cor, mas não é bem elucidada essa causa.”

Segundo o especialista, para evitar as possíveis inflamações, os comedouros ideais são os de materiais que facilitam a limpeza regular e não acumulam “biofilme”, como os de louça, vidro, inox e, se for de plástico, que sejam os de melhor qualidade.

“A prevenção é a higiene local; entretanto, gatos são uma espécie ‘autolimpante', então eu diria que a prevenção é um cuidado generalista com a saúde, imunidade e inspeção regular se existir alguma alteração, para que possamos intervir no início.” 




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