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Belo Horizonte,28/07/2026

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Preview: Maldito Paris leva fetiche, memória e fantasia ao Copan

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Preview: Maldito Paris leva fetiche, memória e fantasia ao Copan


O designer Francisco Terra nasceu em 1983 e cresceu observando os pais se arrumarem para sair. Daquela década, guarda uma memória de ombros marcados, volumes generosos e roupas que não pareciam preocupadas em justificar a lógica de sua existência. É para este imaginário que o designer retorna em sua nova coleção para Maldito Paris, que será apresentada nesta sexta-feira (24.07), no Copan, em São Paulo.


“Quero propor sonho, quero propor referência”, diz. Terra nomeia o desfile como “Fantastic Fashion Fetish”, em uma investigação sobre a moda enquanto objeto de desejo. O fetiche apresentado pelo estilista não está necessariamente associado ao erotismo, mas à capacidade de uma roupa exercer sobre alguém uma sensação de feitiço.


A narrativa começa em 1986, durante a passagem do cometa Halley: um grupo de amigos viaja até uma cachoeira no interior de Minas Gerais para assistir ao fenômeno e, quando o cometa cruza o céu, o cenário se transforma e tudo começa a adquirir uma dimensão onírica. Claude Montana, Thierry Mugler e Jean Paul Gaultier aparecem entre as referências de uma coleção que também recupera códigos recorrentes da Maldito Paris, como o jeans, as flores, a corseteria e o universo dos motoqueiros.


Os croquis, cedidos com exclusividade à BAZAAR, antecipam esse mix. Em um deles, couro, fivelas e ombros monumentais constroem o arquétipo do motociclista, personagem que acompanha a marca desde sua origem, quando começou a esboçar seus looks para o mangá que hoje dá o nome à etiqueta. Em outro, uma calça parece se desprender do corpo, enquanto a corseteria cria a ilusão de nudez. Há ainda volumes inspirados em pufes, camas e colchões, revestidos por uma estampa floral que traz a peônia, flor-fetiche da etiqueta.









A coleção também marca a primeira incursão de Terra pela roupa de balneário. Mas, para um designer mineiro que não cresceu diante do mar, o ponto de partida não poderia ser o beachwear tradicional. Ele chama a proposta de “Cachoeira Wear”: uma moda pensada a partir dos rios, quedas-d’água e outras paisagens aquáticas que atravessam o interior brasileiro.


Maior e mais estruturado que o desfile apresentado pela marca no ano passado, em Paris, o novo trabalho acompanha o amadurecimento da Maldito Paris sem abandonar o excesso. O designer quer construir uma moda completa, grandiosa e capaz de permanecer na memória. No Copan, essa vontade aparece entre o couro e flores que transforma uma noite mineira em fantasia.


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