Penha Maia e o brutalismo urbano: marca apresenta nova coleção no coração de São Paulo

Fotos: Zé Takahashi
“Hoje, eu me faço arquiteta do tecido, no coração de São Paulo – um grande canteiro da arquitetura”, resume Penha Maia, minutos antes do desfile que, se quisesse, poderia ter assistido da janela do próprio ateliê. A estilista escolheu um cenário familiar da sua rotina, de milhares de paulistanos e de amantes de horizontes urbanos de cartões postais: o viaduto da Santa Efigênia. É o concreto que ocupa a cidade, as construções brutalistas da capital e o trabalho inesquecível de Lina Bo Bardi que inspiram “Brutalismo: Corpo Urbano”.
Munida de retalhos e armações, Penha brinca com a verticalidade da cidade em silhuetas que desafiam a gravidade. Casas se tornam mochilas, encanamentos inspiram mangas e o cinza tinge de seriedade a leveza de suas rendas. “São todas garimpadas do meu próprio ateliê e tingidas para novas peças”, conta a designer que já vestiu mais de duas mil noivas em 16 anos de carreira – tanto na marca homônima quanto na amada Pó de Arroz. “A noiva [que fecha o desfile] é um patchwork com um pedaço de cada um desses vestidos, em uma silhueta inspirada na bailarina de Bauhaus.”


















Os volumes (ora retos, ora arredondados) pedem passagem entre a multidão para as meninas de “Rosa e Azul”, de Renoir, que sai do MASP para um novo cavalete transparente, o das rendas. Sob o sol quente de São Paulo, com uma multidão ao fundo aguardando no Anhangabaú pela audição novo álbum de Jão, Penha Maia deixou a rigidez paulista menos pesada – e arrancou sorrisos de quem trocou a preguiça do domingo pelo centro da cidade.
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