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Belo Horizonte,24/06/2026

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Pressão por validação afeta autoestima e saúde mental de mulheres em ambientes predominantemente masculinos

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Pressão por validação afeta autoestima e saúde mental de mulheres em ambientes predominantemente masculinos
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A sensação de precisar provar constantemente a própria competência não é incomum. Pesquisa realizada pela KPMG em 2020 revelou que 75% das mulheres em cargos de liderança já vivenciaram a síndrome da impostora em algum momento da carreira, demonstrando como a insegurança profissional pode afetar até mesmo profissionais altamente qualificadas.
O tema voltou ao debate recentemente após a árbitra Fernanda Colombo relatar a resistência enfrentada ao longo da carreira em um ambiente historicamente masculino. A experiência é compartilhada por muitas profissionais que, mesmo altamente capacitadas, ainda convivem com a necessidade constante de validar sua competência para conquistar reconhecimento e credibilidade no mercado de trabalho.
Segundo a psicóloga Dra. Andrea Beltran, a necessidade frequente de validação pode gerar desgaste emocional e aumentar os níveis de ansiedade.
"Quando a mulher percebe que sua capacidade é questionada com mais frequência ou que precisa entregar mais resultados para obter o mesmo reconhecimento, ela pode desenvolver um estado permanente de alerta. É como se estivesse constantemente sendo avaliada, o que gera tensão, insegurança e uma autocobrança excessiva", explica.
A especialista destaca que esse cenário pode afetar diretamente a forma como a profissional percebe seu próprio valor.
"Com o tempo, muitas mulheres passam a acreditar que precisam ser impecáveis para serem respeitadas. Isso pode enfraquecer a autoestima e favorecer sentimentos de inadequação, mesmo diante de conquistas concretas e de uma trajetória profissional sólida", afirma.
Outro fenômeno comum nesses contextos é a chamada síndrome da impostora, caracterizada pela dificuldade de reconhecer as próprias competências e pelo medo constante de ser considerada incapaz.
"Mesmo quando existem resultados consistentes, algumas mulheres continuam sentindo que precisam provar que merecem ocupar aquele espaço. A sensação de estar sempre em teste gera sofrimento emocional e pode comprometer a confiança para assumir novos desafios ou posições de liderança", observa a Dra. Andrea.
Além dos impactos individuais, a psicóloga ressalta que ambientes marcados por preconceitos explícitos ou sutis também afetam a produtividade e o bem-estar das equipes.
"Quando parte da energia emocional é direcionada para lidar com julgamentos, estereótipos ou a necessidade constante de validação, sobra menos espaço para inovação, criatividade e desenvolvimento profissional. O resultado é um desgaste que pode contribuir para quadros de ansiedade, estresse crônico e exaustão emocional", diz.
Para a Dra., promover ambientes mais inclusivos é uma medida que beneficia não apenas as mulheres, mas toda a organização.
"O reconhecimento profissional deve estar associado à competência, ao desempenho e aos resultados, independentemente do gênero. Ambientes saudáveis são aqueles em que as pessoas podem desenvolver seu potencial sem a necessidade de provar diariamente que merecem estar ali", conclui.




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