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Belo Horizonte,22/06/2026

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Ângela Barbosa Dias

Os Desdobramentos da Maternidade - Cap. 06

Arquivo Pessoal
Os Desdobramentos da Maternidade - Cap. 06 Lorenzo e Ângela

Ao deixar aquela sala entorpecida por uma sombra angustiante de incertezas e fragilidades, meu olhar se apequenava diante ao meu limite  maternal de não  ser capaz de impedir o sofrimento  de um filho, o peso da minha impotência  de não  curar sua enfermidade, era uma dor que transpassava minha alma.

Mesmo ferida emocionalmente  com aquele diagnóstico, tínhamos a urgência  do tempo... ali mesmo  no carro entrei em contato  com o consultório  do Neurocirurgião  Pediátrico  para marcar  a consulta, e como o Neurologista  já havia passado o caso e a gravidade do mesmo, fomos agendados para o dia 14 de setembro, na segunda próxima.

Ao retornar  para casa éramos visitados por um silêncio, um desassossego  na alma e uma inquietação  profunda , era necessário organizar   e acomodar  todos aqueles sentimentos  que permeavam  nossos corações.

Nosso pequeno Lolô ao chegar, foi recebido  pelo Henzo  com muito carinho, no seu coração puro de irmão, ele acreditava que ali conosco tínhamos uma receita com a medicação para curar  todos os desconfortos que  Lorenzo  estava passando.


Como adultos e pais, não poderíamos  dar essa notícia  ao Henzo, ele  não tinha maturidade  e nem entendimento para compreender  a dimensão  da situação  do irmão, então,  contamos apenas que o Lolô precisaria  fazer  um procedimento cirúrgico.

Com muita cautela e lucidez, foi necessário refletir como compartilhar   uma notícia  dessas  com nossa família  e   amigos, pois ainda vivíamos as fragilidades da Pandemia, nos encontrávamos no limiar entre a vida e a morte  e aquele diagnóstico  era devastador demais para qualquer pessoa compreender.


Sem diminuir o valor de ninguém  e sua importância  em nossas vidas, revelamos a pouquíssimas pessoas a situação do Lolô, ainda  de  forma  limitada  e resumida, pois não tínhamos como revelar com a mesma intensidade  e nem sentença  abordada  pelo médico, era um golpe impactante demais para qualquer pessoa, principalmente as que faziam parte de nosso cotidiano.

Nesse mesmo dia passamos todas as informações  do atendimento  com o Neurologista para o Pediatra e a Oftalmologista, que nos cercaram de apoio e carinho, nos tranquilizaram  a cerca do Neurocirurgião indicado, que era um  profissional de grande destaque nessa área  e de amplo reconhecimento  no Rio de Janeiro e que o Lolô estaria em boas mãos.

Desejando que o final de semana decorresse rapidamente, Lorenzo apresentou alguns episódios de vômitos e senti que estava sonolento , aquela nova realidade nos preocupou demasiadamente,  a verdade que a saúde do pequeno Lolô estava agravando-se consideravelmente.

Chegou o dia da consulta com o  Neurocirurgião, fomos bem recebidos e acolhidos por aquele profissional  que via nos nossos olhos o  pedido de socorro para o nosso filho.

Ele examinou o Lorenzo, logo  relatamos os últimos ocorridos e minuciosamente  ele analisou a Ressonância  Magnética, ao terminar confirmou a gravidade do quadro, principalmente  se referindo aos últimos sintomas, que eram realmente  preocupantes.

Cuidadosamente explicou através de desenhos o que estava acontecendo e afirmou a necessidade urgente do Lorenzo ser submetido à colocação de derivação ventrículo Peritoneal (Válvula  Programável), pois ele apresentava um volumoso tumor  situado no tronco cerebral  que acusava  Hidrocefalia obstrutiva, que ocorre quando há um bloqueio na  circulação  do líquor causando pressão intracraniana (Líquor é um fluido claro e incolor  que envolve o cérebro e a medula espinhal que protege o sistema nervoso).

Vale esclarecer  que a Válvula  Programável  é um dispositivo  implantável que permite ajustar a pressão de drenagem  do líquido  cefalorraquidiano externamente (líquor).

Ela drena o excesso de líquido  do cérebro  para a cavidade abdominal, onde é absorvido, aliviando assim a pressão  intracraniana.

Administrar todas aquelas informações no curto  espaço de tempo era  aterrorizante, mas fundamental para dar início ao processo de enfrentamento da enfermidade  do Lolô.

O Neurocirurgião  já solicitou a marcação  da cirurgia para dia 16/09 e esclareceu que Hidrocefalia  causa danos irreversíveis  ao cérebro, podendo levar o paciente  a óbito, por isso a cirurgia  era emergencial.

Com muita experiência  e conhecimento do quadro clínico  do Lorenzo, o médico foi  enfático  ao confirmar que o tipo de Lesão que o Lorenzo apresentava, era impossível de remover cirurgicamente, pois estava  localizada em áreas cruciais para o controle das funções  vitais. Que o tratamento  mais adequado  era Radioterapia.

Como tumor estava em áreas muito sensíveis ao cérebro  esse procedimento atuava destruindo ou reduzindo as células cancerígenas, ouvir isso pela segunda vez era desumano  demais para uma família  que suplicava naquele momento o reverso de todas as falas médicas.

Sobrecarregados emocionalmente  pelo volume  de informações, ainda  tínhamos   que lidar  com as questões  burocráticas do  plano de saúde  e financeira para a execução da cirurgia, como qualquer família. Não há nada mais valioso que a vida de um filho e não mediríamos  esforços  para iniciar seu tratamento.

Termino  esse capítulo  esgotada  emocionalmente com a cirurgia, a radioterapia e tudo ainda que precisaria enfrentar para restabelecer  a saúde do pequeno Lolô de apenas 4 anos.

Nos bastidores do meu coração, eu não podia controlar a enfermidade  do meu filho, mas daria meu melhor para cuidar, proteger,  amar e permanecer ao seu lado, eu buscaria a minha melhor versão  de mãe   diante de todo esse caos  de incertezas,  não permitiria  que o medo paralisasse a nossa história  de amor.



No próximo  capítulo  Lolô inicia sua Radioterapia...




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