Amigas que brincavam de escolinha na infância hoje comandam escola bilíngue milionária no Rio

Amigas de infância, Diana Quintella, 44 anos, e Laila Mendes, 43, fundaram a MiniMe na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, em janeiro de 2020. Os pais das duas já eram próximos antes mesmo de elas nascerem, e a dupla conta que costumava brincar de "escolinha". Na vida adulta, a brincadeira se tornou um grande negócio, mas antes disso, Mendes, construiu carreira em marketing internacional, enquanto Quintella atuava como psicóloga em RH de multinacionais. Hoje, Mendes é diretora administrativa e Quintella diretora operacional da MiniMe.
O ponto de virada ocorreu há aproximadamente 13 anos, quando Quintella se tornou mãe e buscava uma creche para seu filho, Arthur. Ao visitarem instituições, perceberam que as propostas pedagógicas estavam desatualizadas para as necessidades da infância contemporânea.
"A gente olhou uma para a outra e falou: acho que cabe resgatar aquela nossa ideia de infância. Aí mergulhamos nesse mundo da primeira infância de uma forma muito profunda para buscar um olhar onde o cuidar e o educar estejam juntos. A criança não deixa de aprender só porque está trocando uma fralda ou se alimentando", conta Mendes.
Antes de abrir as portas, as sócias mergulharam em um estudo que durou sete anos. Inicialmente em paralelo com seus empregos, elas realizaram pesquisas e análises no mercado no Brasil e em países como Estados Unidos e Inglaterra. A maior inspiração veio da abordagem de Reggio Emilia, na Itália, que foca no protagonismo da criança. "Quanto mais a gente avançava nesse estudo mais a gente via que fazia muito sentido e que daria muito certo. E, que era mais do que o nosso sonho, era uma missão de vida ", conta Quintella.
Com um investimento de R$ 1,4 milhão em recursos próprios, a escola foi inaugurada em 2020. As matrículas começaram em julho de 2019, e, para apresentar o projeto arquitetônico aos pais enquanto o prédio ainda estava em obras, elas utilizavam óculos de realidade virtual.
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O sucesso foi imediato: abriram com 50 matrículas e chegaram a 80 em fevereiro. No entanto, em março, a pandemia forçou o fechamento das escolas. Para sobreviver, reduziram as mensalidades em 50% e renegociaram com fornecedores e funcionários, garantindo que não houvesse demissões motivadas pela crise. Durante o isolamento, inovaram com o "teatro drive-in" e atividades via YouTube e Zoom. Porém, mesmo com as atividades remotas e essas estratégias de retenção, o período de lockdown resultou na perda gradual de alunos, atingindo o ponto mais crítico em outubro de 2020, quando a instituição reabriu as portas com apenas 30 matriculados.
A retomada, contudo, foi acelerada. As ações criativas e o suporte oferecido pela MiniMe durante a crise chamaram a atenção das famílias do entorno, gerando uma forte procura no final daquele ano. Dessa forma, já no início do ano letivo de 2021, a escola superava a marca de 100 alunos. O crescimento foi consolidado em 2022, quando a instituição passou a operar com fila de espera.
Para as empreendedoras, o período contribuiu para a maturidade da marca: "Ganhamos uma experiência que talvez não tivéssemos se fosse de outra forma. Mal ou bem todo o aprendizado que aconteceu ali fez a gente crescer. Aquela máxima de que com crise se cresce foi bem real para nós".
Apesar do início conturbado, a escola atingiu o ponto de equilíbrio financeiro em aproximadamente três anos, quando recuperou o capital investido. O aperfeiçoamento da marca é constante: "Estamos sempre revendo algumas coisas para oferecer realmente o que a gente percebe de melhor aí pelo mundo para essas crianças. A gente preza muito pela qualidade aqui dentro da MiniMe, não só na parte do aprendizado, mas no cuidado, afeto e carinho. Porque um não está distante do outro, de jeito nenhum e a gente sabe muito bem disso", comenta Mendes.
Contação de histórias e artes são algumas das aulas oferecidas pela escola
Divulgação
A instituição atende crianças em uma fase que as sócias consideram a janela de ouro do desenvolvimento: dos 4 meses aos 6 anos de idade. Estruturada para seguir as diretrizes do MEC (do Berçário 1 ao Pré 2), a MiniMe adota o sociointeracionismo e uma proposta bilíngue imersiva, onde o inglês é o idioma principal desde os primeiros meses de vida. O currículo conta com 10 aulas especializadas, conhecidas como 'Clubs', que estimulam as múltiplas inteligências por meio de ioga, teatro, música, educação física e psicomotricidade, artes, contação de histórias (em inglês e português), robótica (com Lego), ciências (parceria com EcoFuture) e a 'Sala Mundo', voltada para a cultura global.
Complementando a formação regular, o programa pós-aula (after school) oferece atividades como Ballet (Petit Dance), Jiu-jitsu (Grace Costa), Judô, Capoeira (Raiz do Mangue) e Futebol (Bento Kickers). Utilizadas por 25% dos alunos, as modalidades são geridas de forma independente por parceiros externos e, por isso, seus valores não integram o faturamento da escola.
Para garantir a segurança e a confiança das famílias, um dos diferenciais da infraestrutura é o acesso dos pais às câmeras do espaço em tempo real pelo celular.
Para sustentar a operação e o padrão das aulas, as sócias investem no cuidado com a equipe, que atualmente conta com mais de 100 colaboradores. Além da realização de palestras com nomes importantes do setor e participação em congressos de educação infantil, a escola envia, pelo quarto ano consecutivo, parte do time para capacitação na Itália. "O maior desafio de duplicar a escola está na equipe. Se eu não tenho uma equipe que garanta a qualidade, eu não tenho a retenção", explicam as diretoras.
Além dos indicadores financeiros, a escola monitora métricas como renovação de matrícula, indicações espontâneas e pesquisas anuais de satisfação. Os resultados são expressivos: no ano passado, atingiram R$ 12 milhões em faturamento, gerando um crescimento acumulado de 807% desde o início da operação.
Atualmente, a unidade opera próxima de sua capacidade máxima de 279 crianças, trabalhando com um número que oscila entre 210 a 260 alunos ao longo do ano e mantendo uma fila de espera de cerca de 20 crianças. Com um tíquete médio de R$ 5.100, a escola oferece flexibilidade para as famílias, com permanência que varia de 4 a 12 horas diárias.
Com o espaço físico na Barra da Tijuca atingindo seu limite e o registro de 48 novas matrículas no último ano, os próximos passos envolvem a abertura de novas unidades. A estratégia foca inicialmente em outras regiões da cidade, que ainda estão sendo sondadas, e, em um segundo momento, em escala nacional.
O investimento previsto para a nova unidade é de R$ 2 milhões, com uma projeção de cerca de 220 alunos, visando atingir a marca total de 500 estudantes somando as duas operações. A expansão será feita por gestão própria ou parcerias estruturadas, descartando o modelo de franquias para garantir a manutenção da qualidade pedagógica.
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