HARPER’S BAZAAR BRASIL: Qual foi a sua inspiração para essa nova coleção? O ponto de partida para desenvolver esse desfile.
Lucas Leão: Em um mundo em que somos impactados por anúncios guiados por algoritmos, onde uma roupa é comprada com um clique e descartada após um único fim de semana, o ponto de partida desta coleção é justamente o oposto. Trata-se de resgatar o tempo, o processo e o valor da construção: uma roupa que precisa ser pensada, provada, ajustada — até finalmente se tornar única. Uma roupa feita sob medida.
O objetivo da coleção é recolocar sob os holofotes a alfaiataria tradicional e os ofícios manuais que a sustentam, como o trabalho dos alfaiates. Profissões que, diante das transformações nos modos de consumo, vêm sendo progressivamente apagadas, caminhando para um estado quase de extinção.
HBB: O que você tem achado desse novo posicionamento da semana de moda do Brasil? Ter o Rio de Janeiro como cenário para o mercado de moda nacional?
LL :O Rio de Janeiro, cada vez mais, atrai os olhares do mundo. Sempre foi uma cidade de vocação global, mas vive hoje um momento de ainda maior visibilidade. Levar a moda para um território que está no centro dessa atenção internacional é uma decisão estratégica e extremamente pertinente.
Acredito que essa iniciativa tem um impacto positivo direto na indústria, fortalecendo sua relevância e ampliando suas possibilidades de projeção.
HBB: O que vocês trazem de novidade nas peças, nas modelagens e tecidos?
LL:Estamos desenvolvendo uma textura inspirada nas penas e plumas do carnaval carioca. Esse processo combina tecnologia de ponta — como o corte a laser em máquinas de alta precisão — com o saber manual.
Com o apoio do nosso parceiro Casa Firjan, os recortes ganham vida nas mãos de artistas e artesãos, que transformam o material em esculturas de penas.
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