Ateliers Hugo reúne história, tradição e família

Foto: Divulgação
Um dos maiores escritores, Victor Hugo deixou um legado muito maior do que suas grandes obras, como O Corcunda de Notre-Dame e Os Miseráveis. A essência artística foi transmitida de geração em geração até os dias de hoje. Um dos maiores legados para a família Hugo é a essência e a honra pela história e tradição, comenta Nicholas à BAZAAR.
Em sua primeira vez em solo brasileiro e na América Latina, o Ateliers Hugo, a convite da Gomide&Co, se apresentou nesta edição da SP-Arte. “Tudo começou com o meu avô, François Hugo, que era ourives nas décadas de 1920 e 1930. Ele trabalhava para Chanel e Schiaparelli, criando joias e botões de alta-costura. Por causa disso, os artistas ficaram curiosos. Eles pensavam: ‘O que um ourives está fazendo com a moda?’ e começaram a imaginar como levar isso para a arte”, conta Nicholas.
Pablo Picasso já desenvolvia, naquele momento, uma série de pratos em cerâmica quando surgiu o interesse em transpor essas obras para outro material. Foi então que decidiu explorar a prata e procurou François Hugo para dar forma a essa ideia. “Ele foi até o meu avô e pediu para transformá-los em prata, inclusive, é prata pura”, conta Nicholas. Após a parceria com Pablo Picasso, outros artistas tiveram interesse em desenvolver obras com François Hugo, como Max Ernst e Jean Cocteau. Eles eram todos amigos no período entre guerras e, juntos, desenvolveram o conceito de joias de artista: esculturas para vestir. Literalmente, esculturas para vestir.

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“Meu avô desenvolveu todas essas colaborações com artistas, sempre trabalhando com eles em vida. Nunca trabalhamos com heranças ou após a morte de um artista. Pablo Picasso, Max Ernst, Jean Cocteau, André Derain todos iam até a casa e trabalhavam no ateliê com meu avô. Depois, meu pai assumiu e trabalhou com Salvador Dalí e muitos outros. Quando eu assumi, há oito anos, comecei a trabalhar com meus próprios artistas. O ateliê fica dentro da casa, e eu cresci ouvindo o som do martelo — ele ficava literalmente embaixo do meu quarto”, diz.
Até Nicholas assumir o ateliê, o espaço era um estúdio privativo de seu avô e de seu pai, frequentado apenas por amigos da família e, de certa forma, continua assim. O ateliê não é aberto ao público, mas, quando Nicholas assumiu, sentiu a necessidade de compartilhar essa história com o mundo.
“Meu pai era uma pessoa muito reservada, nunca tivemos loja de rua. Mas, quando eu assumi, senti que precisávamos nos abrir para o mundo. Existe internet, Instagram… ele nem sabia o que era Facebook. O ateliê não é oficialmente aberto ao público, mas as pessoas podem visitar se demonstrarem interesse genuíno. Não é sobre ser cliente ou jornalista. Se você realmente se interessa, a casa está aberta. Fazemos encontros e recepções o tempo todo e, se eu percebo alguém realmente interessado, convido para visitar. Não é sobre dinheiro, é sobre história, legado e cultura. Mas, se não há conexão real, não fazemos. Precisa ser baseado em amizade — é algo humano.”
Hoje, o ateliê tem presença digital e se abre para que mais pessoas possam conhecer esse trabalho e o legado da família, gerar novas conexões e apresentar ao mundo toda a história e as obras produzidas ali. Na SP-Arte, o ateliê encantou os visitantes com suas joias, objetos e sua cultura.
Nos bastidores dessa história, há também uma figura fundamental: Monique Hugo, avó de Nicholas. Química de formação, foi responsável por uma inovação técnica ao desenvolver uma fórmula especial para o ouro. O ouro 24 quilates é o mais puro, mas é muito mole — dobra facilmente. Então, ela criou uma fórmula de ouro 23,91 quilates, resistente o suficiente para ser trabalhado.

Foto: Reprodução/@ateliershugo
“Ela conheceu meu avô durante a Resistência Francesa, na guerra. Ela falava alemão e interceptava e traduzia mensagens alemãs na França. Seu codinome era Monique. Depois, ela disse ao meu avô: ‘Você se apaixonou por Monique, mas meu nome verdadeiro é Marguerite. Ainda assim, por você, continuarei sendo Monique.’ Ela chegou a mudar o nome por ele.”
Entre tradição e contemporaneidade, o Ateliers Hugo segue dando continuidade a um legado construído ao longo de gerações. Mantendo o diálogo direto com artistas e o compromisso com processos artesanais, o ateliê preserva sua essência ao mesmo tempo em que se insere em novos contextos e públicos, reforçando sua relevância no cenário atual.
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