Petróleo cai mais de 12% na semana após cessar-fogo entre EUA e Irã
O petróleo fechou em queda nesta sexta-feira (10), embora os preços permaneçam em patamares elevados, próximos de US$ 100 por barril, ainda com preocupações sobre os fluxos limitados pelo Estreito de Ormuz. A commodity perdeu cerca de 12% nesta semana depois que o Irã e os EUA concordaram na terça-feira com um cessar-fogo.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em baixa de 0,75%, a US$ 95,20 por barril.
Enquanto o WTI, referência no mercado americano, recuaram 1,33%, para US$ 96,57.
Na semana, o WTI recuou 13,4% e o Brent cedeu 12,7%.
No entanto, os combates continuaram e o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua fortemente restrito, mantendo os futuros próximo de US$1 00 por barril e elevando os preços no mercado físico a níveis recordes.
“A principal questão para o mercado de petróleo é se o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz será retomado. Até o momento, não há sinais de que isso aconteça. Se os suprimentos de petróleo do Golfo Pérsico continuarem bloqueados, é provável que os preços do petróleo voltem a subir”, disseram analistas do Commerzbank em uma nota nesta sexta-feira.
O tráfego pelo Estreito de Ormuz permaneceu em menos de 10% dos volumes normais, já que Teerã afirmou seu controle alertando os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais.
A maioria dos navios que navegaram pelo Estreito de Ormuz no último dia estava ligada ao Irã, segundo dados de rastreamento de navios divulgados na sexta-feira.
O Irã quer cobrar taxas para que os navios passem pelo estreito em um acordo de paz, disse uma autoridade de Teerã à Reuters em 7 de abril. Os líderes ocidentais e a agência de transporte marítimo das Nações Unidas rejeitaram a ideia.
A artéria crucial para os fluxos de petróleo e gás foi efetivamente fechada pelo conflito que começou quando os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro.
“O Estreito de Ormuz continua efetivamente restrito e a operação do sistema global de petróleo está longe de ser normal”, disse o analista do Saxo Bank, Ole Hansen, acrescentando que os mercados futuros precificaram uma normalização parcial, mas o mercado físico está refletindo uma escassez aguda.
Os preços oscilaram o sinal nesta sexta-feira, já que os investidores equilibraram a menor produção saudita com o progresso diplomático. A agência de notícias estatal saudita SPA informou na quinta-feira que os ataques às instalações de energia da Arábia Saudita cortaram a capacidade de produção de petróleo do reino em cerca de 600.000 barris por dia e reduziram a produção do oleoduto Leste-Oeste em cerca de 700.000 bpd.
Enquanto isso, o Líbano disse que pretende participar de uma reunião com representantes dos EUA e de Israel em Washington na próxima semana para discutir e anunciar um cessar-fogo na guerra paralela travada por Israel contra os aliados do Hezbollah do Irã no país.
*Com informações da Reuters





COMENTÁRIOS