Mixue chega ao Brasil com itens a partir de R$ 3 e mira até 100 lojas em 2026

Após anunciar um investimento bilionário no Brasil, a empresa chinesa de fast-food Mixue, maior rede global do segmento de sorvetes e chás gelados, se prepara para inaugurar sua primeira loja no país. A unidade de estreia abre neste sábado (11/4), no Shopping Cidade São Paulo, na capital paulista. O plano da marca para o Brasil é agressivo: a expectativa é abrir de 60 a 100 lojas em 2026 e chegar a até 1 mil pontos de venda antes de 2030.
Nesta quinta-feira (9/11) a marca abriu as portas da primeira loja em uma pré-inaugurarão exclusiva para a imprensa. Com 71 m², a unidade chega com um cardápio com itens a partir de R$ 3, para uma casquinha de sorvete. Tian Zezhong, CEO da Mixue no Brasil, afirma que a casquinha deve ser um dos carros-chefes no Brasil, ao lado da limonada, que custa R$ 6.
Segundo o executivo, o cardápio segue a essência da marca na Ásia, mas foi ajustado para se adaptar ao paladar brasileiro. Por enquanto, as lojas serão majoritariamente abastecidas pelas fábricas chinesas da companhia. Alguns insumos, porém, já estão sendo comprados no Brasil, como o limão utilizado na limonada. Os planos até 2030 – que abrangem uma previsão de investimento de R$ 3,2 bilhões, anunciada em 2025 – incluem a construção de uma fábrica em solo brasileiro.
Fundada em 1997, na província de Henan, a Mixue começou como uma barraca de “raspadinhas” chamada Mixue Bingcheng, que, em português, significa "palácio de neve doce como mel". A expansão do negócio veio a partir de 2008, com a entrada no mercado de franquias. A partir dali, o portfólio de produtos foi sendo ampliado para a venda de sorvetes, chá, limonada, smoothies de frutas e cafés. A aposta da empresa é se diferenciar pelos preços baixos.
No mundo, já são mais de 47 mil lojas, número que supera o volume de outras gigantes do mercado. O McDonald’s, por exemplo, soma 44 mil unidades, segundo site institucional. De acordo com Zezhong, a estratégia por trás da capilaridade do negócio é o modelo de franquias. Apesar de estrear no Brasil com loja própria, a empresa afirma que a maior parte das unidades serão franqueadas. Até agora, Zezhong afirma que a rede já conta com ao menos cinco franqueados em processo de implantação.
Tian Zezhong, CEO da Mixue no Brasil
Divulgação
Segundo o CEO da operação brasileira, a expectativa é levar a marca “onde o público estiver”. Ele afirma que a rede chegará ao Rio de Janeiro ainda neste ano e que deve crescer para outros estados no projeto a médio e longo prazo.
O modelo de loja no Brasil prevê espaços acima de 50 m². Além da SYN, empresa proprietária e administradora do shopping Cidade São Paulo, Zezhong afirma que já há contratos fechados com outros grupos administrados de shoppings centers. Na própria SYN, que também administra os shoppings Grand Plaza, Metropolitano Barra e Tiete Plaza, Ricardo Loducca, diretor comercial e de marketing da empresa, afirma que a expectativa é levar a marca chinesa para outras unidades do grupo. No Cidade São Paulo, a projeção é de um aumento de 8% a 10% no fluxo de pessoas nas primeiras semanas após a inauguração da loja.
O modelo também deve ser replicado na rua. Em São Paulo, Zezhong afirma que a região da 25 de Março é um dos locais que receberá uma loja de rua em breve.
Mercado disputado
Além dos players já conhecidos entre os brasileiros no mercado de fast-food, a Mixue chega ao país com uma concorrência direta: a Ai-CHA. Também asiática, a Ai-CHA desembarcou em São Paulo em fevereiro deste ano com uma proposta semelhante de ofertas de sorvetes e chás a preços acessíveis.
Mais jovem que a Mixue, a Ai-CHA foi fundada em 2019, na Indonésia. A marca faz parte da Nanyang Group, um conglomerado asiático com atuação em diversos setores, incluindo alimentação, indústria química e telecomunicações. Atualmente, a rede soma mais de 2 mil lojas ao redor do mundo.
Para Zezhong, a concorrência é vista com bons olhos. “O público brasileiro precisa ter contato com mais marcas e mais inovações. Quanto mais empresas vierem para o público brasileiro ter conhecimento desse ramo de bebidas e sobremesas, será mais favorável”, diz.





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