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Belo Horizonte,08/04/2026

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'Trabalho inacabado': iranianos relatam decepção e medo após cessar-fogo

g1.globo.com
'Trabalho inacabado': iranianos relatam decepção e medo após cessar-fogo
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Irã ameaça sair do acordo por causa de ataques de Israel ao Líbano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma "mudança de regime" no Irã. Após o cessar-fogo recente, porém, opositores iranianos relatam decepção e medo diante de uma república islâmica que se declara vitoriosa, apesar das perdas na cúpula do poder.
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Autoridades iranianas celebraram a trégua de última hora como um triunfo do sistema teocrático instaurado após a revolução islâmica de 1979. Semanas antes da guerra, o governo havia reprimido de forma violenta um movimento de protestos em massa.
Grupos de defesa dos direitos humanos agora temem que o regime se sinta fortalecido e intensifique a repressão.
"Terminar em uma situação em que a república islâmica se sinta vitoriosa não é algo bom", disse à AFP um corretor da bolsa de 30 anos, falando da capital iraniana.
"Eles estão mais confiantes. Matam mais gente. Mantêm a internet cortada. Tudo vai ser muito pior", afirmou o morador de Teerã, que pediu anonimato por medo de represálias.
Segundo ele, a ofensiva israelense-americana "parece um trabalho inacabado". "Acho que em algum momento haverá guerra novamente", acrescentou.
Simin, professora de 48 anos em Teerã, relatou alívio com o fim dos bombardeios após viver "aterrorizada" nas últimas cinco semanas.
Mas afirmou que a permanência da república islâmica no poder também causa temor. "Fico feliz por alguns segundos pensando no fim das bombas, mas me assustam as notícias de execuções", disse.
Para Armin, de 34 anos, se a guerra terminar com o regime ainda no poder, "não há benefício para o povo". Segundo ele, as autoridades vão "fazer o povo pagar pelas perdas sofridas durante a guerra".
O líder supremo Ali Khamenei morreu no primeiro dia do conflito, o principal nome entre vários dirigentes mortos nos ataques conduzidos por Israel e Estados Unidos.
Algumas figuras centrais sobreviveram, incluindo o filho dele, Mojtaba Khamenei, apontado como sucessor, embora não tenha aparecido em público desde então.
Mesmo após as mortes na liderança, a máquina militar e os mecanismos de repressão continuaram funcionando durante a guerra.
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'Caça às bruxas'
Um homem caminha por uma rua de Teerã após anúncio de cessar-fogo, em 8 de abril de 2026
Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irã executou sete pessoas ligadas aos protestos de janeiro. Seis pertenciam a um grupo opositor proibido, e um era um cidadão sueco-iraniano acusado de espionagem para Israel.
Centenas de pessoas também foram detidas. Segundo ONGs, muitas teriam sido forçadas a fazer confissões televisionadas.
As restrições à internet já duram cerca de 40 dias, informou a empresa de monitoramento Netblocks, que descreve uma "desconexão quase total do mundo exterior".
"O regime mostrou que a repressão é a única arma que possui contra o próprio povo", afirmou à AFP Raphael Chenuil-Hazan, diretor-executivo da ONG Juntos contra a Pena de Morte (ECPM), em Paris.
"A pena de morte é um instrumento de medo (...) Tememos profundamente uma caça às bruxas", acrescentou.
Durante os protestos de janeiro, Trump prometeu apoio aos iranianos e pediu o fim das execuções. A trégua anunciada na terça-feira, porém, concentra-se no programa nuclear iraniano e na reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos.
"As pessoas no Irã percebem que esta nunca foi uma guerra por elas ou por seus direitos", afirmou Mahmud Amiry-Moghadam, diretor da ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega.
Grupos políticos no exílio também demonstraram frustração.
Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979, ainda não comentou o cessar-fogo. Um assessor dele, Saeed Ghasseminejad, escreveu na rede X que o acordo é "desnecessário e prejudicial aos interesses nacionais dos Estados Unidos".
Para Thomas Juneau, professor da Universidade de Ottawa, embora o regime declare vitória, o país saiu economicamente fragilizado. Segundo ele, "é uma questão de quando, não de se, os protestos populares voltarão".
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