Reinventar-se aos 40: a jornada da empresária que equilibra a delicadeza da clínica com a técnica no tatame
Saiba como a disciplina das artes marciais e o rigor da tricologia científica podem coexistir na gestão de negócios, servindo de modelo para uma transição de carreira bem-sucedida focada em saúde e segurança.
Roberta Santos | Empresária e Instrutora Sênior de Krav-Maga da Bukan School of Krav-Maga, a arte marcial israelense para defesa pessoal. Mudar de rota profissional após os 40 anos tem deixado de ser um tabu para se tornar uma tendência real no Brasil. De acordo com dados do Sebrae, o empreendedorismo nessa faixa etária cresceu cerca de 20% nos últimos anos, refletindo um desejo maior por propósito e autonomia. Essa virada de chave, no entanto, exige mais do que vontade; demanda uma mistura fina entre o equilíbrio emocional e a capacidade de se adaptar a novos ritmos. Muitas vezes, a resposta para esse sucesso vem de lugares inesperados, onde a disciplina de uma vida inteira ganha um novo fôlego e uma aplicação prática no mundo dos negócios.
Nesse contexto de transformação, Roberta Santos encontrou um ponto de equilíbrio curioso e potente. Ela divide seus dias entre o olhar minucioso da tricologia científica e a intensidade do tatame como Instrutora Sênior da Bukan School of Krav-Maga. O que para muitos poderia parecer um contraste, para ela é uma engrenagem perfeita. A técnica israelense de defesa pessoal não trouxe apenas o preparo físico, mas a base mental para gerir sua clínica com a precisão que a saúde capilar exige, provando que é possível ser técnica e acolhedora ao mesmo tempo.
A trajetória dessa profissional mostra que a força e a delicadeza podem e devem caminhar juntas. No consultório, o foco está na ciência e no bem-estar; já na escola de artes marciais, o foco é a sobrevivência e a autoconfiança.
"O Krav-Maga me ensinou que a confiança não vem do tamanho da sua força, mas da qualidade da sua preparação. No tatame ou na gestão da empresa, quando você domina a técnica, o medo vira estratégia", afirma a empresária, destacando como os ensinamentos de Imi Lichtenfeld moldaram sua resiliência.
Para ela, o amadurecimento trouxe a clareza de que a segurança física é um pilar essencial da liberdade feminina. Ao ensinar outras mulheres, a instrutora percebe que o impacto vai muito além de um golpe bem aplicado.
"É muito bonito ver o momento em que uma aluna entende que pode se proteger. Essa segurança não fica só no treino, ela transborda para a postura dela no trabalho e na vida. A gente para de pedir licença para ocupar o nosso espaço", observa, reforçando o papel empoderador da arte marcial.
Conciliar as duas rotinas exige um fôlego que a própria prática esportiva proporciona. Enquanto a tricologia pede um estudo detalhado e um atendimento humanizado, o Krav-Maga exige respostas rápidas e instinto apurado. Essa dualidade criou uma visão de mundo mais ampla, onde cuidar da saúde do outro e ensinar alguém a se defender são formas complementares de cuidado e respeito ao ser humano. É uma rotina puxada, mas que reflete a escolha de quem decidiu não se limitar a apenas uma faceta.
O exemplo de Roberta serve de inspiração para quem sente que o tempo de mudar já passou. Aos 40, ela mostra que a reinvenção é, na verdade, uma soma de todas as experiências vividas anteriormente.
"Chega um momento em que a gente para de tentar se encaixar em moldes prontos para criar o próprio caminho. Reinventar-se é aceitar que tudo o que eu aprendi, da clínica ao tatame, é o que me faz ser inteira hoje", finaliza.

Fonte: Roberta Santos | Empresária e Instrutora Sênior de Krav-Maga da Bukan School of Krav-Maga, a arte marcial israelense para defesa pessoal.





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