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Belo Horizonte,08/04/2026

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Educação ao longo da vida pode ajudar a prevenir até 45% dos casos de demência no Brasil

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Educação ao longo da vida pode ajudar a prevenir até 45% dos casos de demência no Brasil
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O envelhecimento acelerado da população brasileira tem colocado a demência no centro do debate sobre saúde pública no país. Dados do Relatório Nacional sobre Demência (Renade) indicam que cerca de 2 milhões de brasileiros com mais de 60 anos vivem atualmente com a doença.
A projeção é de crescimento significativo nas próximas décadas. Até 2050, o número de casos pode ultrapassar 5 milhões, acompanhando o aumento da expectativa de vida e a mudança no perfil etário da população.
Apesar do avanço, parte relevante dos casos pode ser evitada. O próprio relatório aponta que até 45% das ocorrências estão associadas a fatores de risco modificáveis ao longo da vida, o que abre espaço para estratégias de prevenção.
Entre esses fatores, a educação aparece como um dos elementos centrais de proteção cognitiva. Estudos na área de neurologia já demonstram que níveis mais altos de escolaridade estão associados a menor risco de desenvolvimento de demência.
Para a psiquiatra infantil Maxilaine Nonato, que integra o conselho socioemocional do Clube Amplexo, a prevenção da demência exige uma abordagem integrada entre saúde e educação ao longo da vida. “Quando falamos de saúde cognitiva, não estamos olhando apenas para a velhice. O desenvolvimento das funções cognitivas começa na infância e precisa ser estimulado continuamente, em diferentes fases da vida”, afirma.
Segundo a especialista, a construção de uma reserva cognitiva mais robusta depende não apenas da escolarização formal, mas também do estímulo constante ao longo dos anos, incluindo aspectos emocionais e comportamentais. “Educação e saúde mental não podem caminhar separadas quando pensamos em envelhecimento saudável”, completa.
No entanto, o debate ainda tende a se concentrar no acesso à educação formal, deixando de lado um ponto fundamental: a continuidade dos estímulos cognitivos ao longo da vida adulta e do envelhecimento.
Para a educadora Clarissa Vergara, do Clube Amplexo, esse é um dos principais gargalos na forma como o tema é abordado no Brasil.
“Existe um consenso de que a escolaridade protege contra o declínio cognitivo, mas a discussão para por aí. Pouco se fala sobre o que acontece depois que a pessoa sai da escola e como o cérebro continua — ou não — sendo estimulado ao longo da vida”, afirma.
Segundo ela, a ausência de uma cultura de cuidado com a saúde cognitiva contribui para o agravamento do cenário.
“A gente ainda não incorporou a ideia de que o cérebro também precisa de manutenção contínua. Falamos de alimentação, de exercício físico, de saúde mental, mas raramente falamos de estímulo cognitivo como parte da rotina”, diz.
Esse olhar mais amplo tem ganhado espaço a partir do conceito de “saúde cognitiva”, que passa a ser entendido como um terceiro pilar do bem-estar, ao lado da saúde física e mental.
Nesse contexto, a educação deixa de ser vista apenas como uma etapa da vida e passa a ser entendida como um processo contínuo, com impacto direto na qualidade do envelhecimento.
Para Clarissa, isso implica repensar não apenas o acesso à educação, mas também os formatos e as experiências de aprendizagem disponíveis para adultos e idosos.
“Não se trata só de estudar mais, mas de manter o cérebro ativo de diferentes formas. Isso pode acontecer por meio de cursos, leitura, atividades culturais, aprendizado de novas habilidades ou qualquer experiência que desafie o pensamento”, explica.
A discussão também levanta questionamentos sobre a capacidade do modelo educacional atual de responder a esse desafio.
“O modelo tradicional ainda está muito focado na formação inicial. Se queremos pensar em longevidade, precisamos de estruturas mais flexíveis, que acompanhem as pessoas ao longo da vida e incentivem o aprendizado contínuo”, completa.
O avanço desse debate também dialoga com políticas públicas voltadas ao envelhecimento da população, especialmente diante dos impactos sociais e econômicos associados às doenças cognitivas.
Ao ampliar o papel da educação para além da escola, a discussão sobre saúde cognitiva aponta para um novo campo de atuação que conecta aprendizagem, prevenção e qualidade de vida.
Para Clarissa, o tema tende a ganhar cada vez mais relevância nos próximos anos.
“O Brasil está envelhecendo rápido e ainda fala pouco sobre isso. Olhar para a saúde cognitiva é uma forma de se antecipar a um problema que já está colocado e que tende a crescer”, afirma.




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