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Belo Horizonte,08/04/2026

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Marco Orsini: “o grande negócio na Medicina atual é entender que trabalhamos com vidas”

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Marco Orsini: “o grande negócio na Medicina atual é entender que trabalhamos com vidas”
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Em um cenário onde a Medicina tem sido cada vez mais associada a modelos de negócio, o médico Marco Orsini, com formação em neurologia, propõe uma reflexão direta sobre os limites entre gestão profissional e mercantilização da saúde.
“Me parece sensato afirmar que tornar a Medicina um negócio atropela princípios fundamentais de ética. Vivemos em um cenário preocupante em que a busca de lucro me parece uma balança desregulada quando é posta em equilíbrio com a saúde e os cuidados ao paciente”.
Para ele, é necessário distinguir organização profissional de atividade puramente mercantil. Reconhece que a área exige estrutura, gestão e sustentabilidade, mas reforça que o propósito central não pode ser distorcido. “Ser negócio no sentido de organização profissional é completamente distinto de atividade mercantil”.
Orsini também chama atenção para o que considera uma mudança preocupante na mentalidade de parte dos profissionais. “Às vezes me excedo internamente ao acreditar que a crescente alienação da dimensão humanística tornou-se o maior modelo em nosso País”.
Ao abordar caminhos para o sucesso na carreira, rejeita fórmulas prontas e reforça a importância da base. “A melhor maneira de se ter sucesso na Medicina é exercê-la em suas raízes, na integralidade, com equipes transdisciplinares e em um contexto de ofertar o melhor para o paciente”.
Ele pontua ainda que existem tendências que caminham na contramão da ética, muitas vezes impulsionadas por interesses financeiros. “Não existem modelos únicos de sucesso na profissão médica, mas há tendências, algumas vezes inaceitáveis, de pensamentos e condutas, como excessos ou negligência em prol do capital”.
Apesar das críticas, reconhece a importância da remuneração digna. “É óbvio que devemos ser bem remunerados, pois cuidamos do maior bem, que é a nossa espécie. Mas não esqueçamos que excessos, promessas por terapias milagrosas e procedimentos desnecessários são práticas que deterioram e borram a imagem dos profissionais”.
Outro ponto de atenção é a formação acadêmica. “A escola médica tem se tornado um produto de alto valor e, indubitavelmente, isso é extremamente perigoso”.
Para ele, o verdadeiro sucesso está no equilíbrio entre ciência, ética e humanização. “Ter sucesso na atualidade é aplicar a técnica através de estudos, com humanização e ética”.
Também defende uma atuação mais colaborativa. “Sempre acreditei na descentralização do insubstituível e intocável e na construção de caminhos com equipes eficazes”.
Ao final, deixa uma orientação clara. “A minha recomendação é buscar o conhecimento em locais com níveis de excelência para a prática”.
Sobre o capital, é direto ao afirmar que não deve ser o ponto de partida, mas consequência. “Ganhar dinheiro não é crime. Vivemos para construir planos, educar filhos, viajar e nos aperfeiçoar. O capital vem a reboque do conhecimento, da competência e de um trabalho estruturado para o paciente”.
Ele também faz um alerta sobre práticas que comprometem a credibilidade da profissão. “Profissionais que prescrevem de forma desnecessária, como alquimistas, estão praticamente excluídos desse processo, e não são poucos”.
Por fim, destaca que o reconhecimento verdadeiro vem do impacto gerado na vida das pessoas. “A oportunidade surge da forma mais simples: estudar, capacitar-se e estar na vitrine não para os colegas, mas no rol de indicações dos próprios pacientes, por benfeitorias e histórico de sucesso em casos e situações específicas”.
Sobre Marco Orsini - Médico com Formação e Doutorado em Neurologia pela UFF.
Agendamento: (21) 98888-4335
@neuromarcoorsini




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