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Belo Horizonte,04/04/2026

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Precisamos que algo seja difícil para que tenha valor?

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Precisamos que algo seja difícil para que tenha valor?
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A gente cresce escutando que tudo o que realmente vale a pena exige “sangue, suor e lágrimas”. O esforço, de fato, costuma fazer parte das conquistas, mas vale refletir: será que ele, sozinho, é o que determina o valor de alguma coisa?


É possível que você já tenha elogiado algo e, como resposta, ouviu a frase “imagina, nem deu trabalho”. Segundo a psicóloga Camila Ribeiro, existe uma crença difundida de que aquilo que realmente importa precisa ser conquistado com sacrifício. Por isso, quando uma tarefa é realizada com leveza, eficiência ou naturalidade, os méritos acabam sendo minimizados.



“Muitas vezes, essa facilidade é resultado de experiência, preparo e maturidade. Fazer algo bem não precisa significar fazê-lo com sofrimento.”



Essa cobrança se estende a outras esferas porque, culturalmente, o valor pessoal é constantemente associado à capacidade de produzir. Mas quando isso se torna o principal critério de reconhecimento, muitas pessoas passam a medir o próprio valor apenas pelo que entregam. “Estar ocupado passou a ser visto como sinal de importância e competência. Percebo que muitas pessoas só conseguem se sentir úteis quando estão exaustas.”


Por consequência, cria-se um ciclo de autocobrança. Mesmo depois de cumprir uma tarefa, especialmente quando ela é realizada com facilidade, seja por organização, talento ou afinidade, surge um sentimento de culpa.


A psicóloga explica que essa lógica favorece o esgotamento emocional, uma vez que, ao acreditar na necessidade de estar sempre produzindo para se sentir valioso, o descanso deixa de ser reparador. “É comum vermos pessoas vivendo em estado de alerta constante, com dificuldade de desacelerar, sensação crônica de insuficiência e níveis elevados de ansiedade.”


Para ela, o primeiro passo é reconhecer que a importância das coisas não deveria estar condicionada apenas ao nível de esforço. Trata-se de uma parte importante da vida, mas não pode ser o único espaço onde encontramos reconhecimento.



“Questionar essas crenças envolve construir uma relação mais equilibrada com o tempo, com o descanso e com os próprios limites. Em muitos casos, aprender a desacelerar não é sinal de fraqueza, mas de maturidade emocional.”



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