Reagir, evitar ou agradar: qual a sua linguagem do estresse?
Em uma situação difícil, você discute ou se cala? Parte para o confronto, muda de assunto, trava no meio da frase ou sorri como se nada tivesse acontecido? Diante de uma situação estressante, cada pessoa reage de um jeito. Assim como as linguagens do amor, que indicam como expressamos e recebemos afeto, também existem diferentes maneiras de reagir à um momento de grande tensão.
Em 1915, o fisiologista Walter Bradford identificou pela primeira vez, as principais reações do corpo à esses momentos: você luta, ou foge. Com o tempo, diversos autores ampliaram esse conceito, e identificaram cinco tipos de reações emocionais. São elas: lutar, fugir, congelar, colapsar ou agradar.
De acordo com Marilda Novaes Felipe, diretora do Instituto de Psicologia e Controle do Estresse, reconhecer as linguagens adotadas em momentos assim, pode ajudar na adoção de estratégias mais eficientes para recuperar o equilíbrio.
A psicóloga Adriana Santiago explica que “o autoconhecimento não impede que elas apareçam, mas permite perceber mais cedo”.
“E quando isso acontece, é possível reorganizar as próprias ações. A maturidade emocional não é não se estressar, mas saber sair de modo automático e voltar para o comando.”
A seguir, entenda como cada linguagem do estresse se manifesta no dia a dia e quais são as orientações da especialista para regular o corpo em cada caso.
Lutar
“Se eu não me impor, vão passar por cima de mim”, é uma frase comum para quem tem esse padrão prevalente. É como se o corpo entrasse no modo de “ataque”, a irritação sobe rápido, e a sensação de urgência em resolver o problema toma conta.
Mas, discutir com os ânimos a flor da pele, provavelmente, não vai resolver o problema. Tentar se acalmar sozinho, também não costuma funcionar. O melhor é evitar responder ou enviar mensagens importantes neste momento.
Neste caso, a especialista sugere se movimentar. Caminhadas e outros tipos de exercício físico são uma boa opção para descarregar o estresse. Quando a frequência cardíaca voltar ao normal, pense como lidar com a situação.
Fugir
Nesta linguagem, a dificuldade está em sustentar conversas difíceis. Você prefere adiar, não atender, não decidir. É o cérebro entende que a melhor estratégia é sair de cena, mas o problema é que evitar os problemas com frequência, alimenta uma sensação constante de ansiedade e medo.
Tentar resolver tudo de uma vez pode sobrecarregar ainda mais o corpo, neste caso, o mais indicado é dividir a situação em partes e se expor ao desconforto em pequenas doses. Assim, o cérebro aprende com o tempo, que é possível se sentir seguro ao encarar algo que causa tensão.
Congelar
A sensação é de “branco mental”, você pensa “eu não sei o que fazer” e realmente não sabe. Com ele, vem a dificuldade de organizar os pensamentos, como uma sobrecarga que deixa você cognitivamente travado. Depois, passa dias pensando: “por que eu não falei nada?”.
O ideal é reduzir os estímulos, escrever o que está acontecendo e organizar no papel. O cérebro precisa de uma estrutura externa quando está desorganizado por dentro. Escolher uma decisão, mesmo que pequena, já começa a destravar o cérebro.
Colapsar
Aqui, o corpo não está em alerta: ele desliga. E depois de um momento de estresse, é comum que as memórias sejam “apagadas”. É como se o corpo dissesse “eu não consigo lidar com isso”, acompanhado de um profundo sentimento de exaustão, que para os outros pode soar como desinteresse. Muitas vezes, é resposta de um estresse crônico. O cérebro já lutou demais e agora “desliga” para economizar energia.
Nesse caso, o cuidado é mais prolongado e pode demorar a voltar ao eixo. É necessário estabelecer uma rotina, manter o sono regulado e realizar pequenas ações, mesmo sem vontade, pois a motivação costuma surgir com a sensação de movimento após a realização de pequenas tarefas.
Agradar
É a resposta mais silenciosa entre as linguagens, pois você tenta se moldar ao ambiente. O sistema nervoso entende que a melhor forma de sobreviver é manter o vínculo a qualquer custo, já que se sentir pertencente é uma necessidade humana.
Mas, quando isso vira padrão, o preço é alto: ressentimento, somatização e esgotamento. O antídoto é aprender pequenas doses de assertividade. Não é virar agressivo, é começar a dizer “eu prefiro assim” ou “isso me incomodou”. Dessa forma, você entende que é possível estabelecer limites sem que, necessariamente, o vínculo seja perdido.
Adriana reforça que cada forma de lidar com o estresse tem relação com comportamentos aprendidos ao longo da vida, mas também são respostas instintivas. Não se trata de um defeito de caráter, e sim de uma reação natural do corpo humano. No entanto, entender a própria linguagem não é desculpa para repetir padrões, mas uma forma de ampliar a consciência e lidar com as situações difíceis de maneira mais positiva.
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