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Belo Horizonte,09/03/2026

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Os segredos do design de interiores para melhorar a vida a dois

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Os segredos do design de interiores para melhorar a vida a dois
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Muitos relacionamentos parecem quase perfeitos até que surge o desafio de morar juntos. No entanto, mais do que incompatibilidades, talvez tudo dependa de negociação, comunicação e, sim, também de dinâmicas ligadas a um espaço comum que favoreça a convivência. Afinal, o lugar que habitamos molda a forma como nos relacionamos.
A distribuição, a luz, os materiais e os pequenos rituais espaciais influenciam — muito mais do que imaginamos — na qualidade da nossa convivência. E o design de interiores, entendido como uma ferramenta emocional, pode se tornar um aliado silencioso para fortalecer a conexão e preservar a individualidade dentro da vida a dois. A designer de interiores e stylist de decoração Paula González Quintas nos conta como acertar nesse interiorismo secreto do amor.
Convivência a dois: como viver melhor graças ao design
1. Espaços pessoais: autonomia sem distância
Espaços pessoais, como este cantinho de leitura projetado por Ana Toscano, são essenciais para uma boa convivência
Renato Navarro
“Um casal saudável precisa de proximidade, mas também de um território próprio. Não se trata de metros quadrados, e sim de reconhecimento”, conta Paula González à AD Espanha. “Um canto de leitura junto à janela, uma mesa para escrever, uma penteadeira, um pequeno estúdio criativo ou até mesmo uma poltrona que ‘pertence’ simbolicamente a um dos dois. Esses microespaços funcionam como válvulas de regulação emocional. Ter um lugar próprio reduz atritos e aumenta a sensação de respeito mútuo.”
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Para Paula, os segredos de design para essa autonomia estão em delimitar os espaços com tapetes ou iluminação pontual, incorporar mobiliário que represente a identidade pessoal e evitar que esses ambientes sejam invadidos pelo armazenamento comum, já que a autonomia espacial fortalece a conexão afetiva.
2. O dormitório: santuário, não “coworking”
“Um dos erros mais comuns na moradia contemporânea é transformar o dormitório em escritório. Quando o laptop entra na cama, o estresse também entra. O quarto deveria ser um espaço de descanso, intimidade e reconexão. Neuroarquitetura básica: a mente precisa de associações claras. Se o ambiente remete ao trabalho, o corpo não consegue se desligar”, explica Paula.
O quarto deve ser o santuário intocável do casal. Projeto assinado pela arquiteta Flávia Gerab
Ruy Teixeira
Segundo a designer de interiores, eliminar a mesa de trabalho e os dispositivos visíveis é uma das chaves nesse ponto: “Também apostaria em uma iluminação quente (2700K–3000K); incorporaria texturas acolhedoras como linho, algodão lavado ou lã, além de cabeceiras estofadas que absorvam acusticamente. Para fazer a verificação, uma regra simples: se é possível ter uma reunião nesse quarto, algo está errado.”
3. A luz como reguladora emocional
A iluminação é, provavelmente, a ferramenta mais poderosa na convivência. A luz fria ativa; a luz quente suaviza. Em um casal, precisamos das duas, mas em momentos diferentes: “Em áreas de encontro noturno — sala de estar, sala de jantar e dormitório — convém priorizar temperaturas quentes, iluminação indireta e variadores de intensidade”. A luz regulável permite acompanhar o estado emocional. Uma discussão sob uma luz branca intensa pode escalar; uma conversa sob luz suave favorece um tom mais íntimo. “Projetar com luz é projetar estados de espírito”, acrescenta Paula.
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4. Espaços de conexão: ritualizar o encontro
Ambientes que convidem ao convívio também são importantes. Projeto assinado pelo escritório DalArqui
Leila Viegas
Quando convivemos em casal, não basta apenas compartilhar a casa; é preciso criar lugares que convidem ao encontro consciente. “Podem ser uma mesa redonda para jantares sem telas, um banco ao lado da cozinha para o café da manhã, um sofá voltado um para o outro (e não apenas para a televisão) ou uma lareira — real ou simbólica — como ponto focal”, sugere Paula. “O design de interiores pode estimular rituais: o aperitivo de sexta-feira, o chá da noite, a conversa de domingo. Quando o espaço facilita o gesto, o vínculo se sustenta.”
5. Um canto de pausa (mesmo que mínimo)
A convivência amplia o ruído mental. Incorporar um pequeno espaço de meditação ou silêncio pode ser transformador: “Para isso, não é preciso um cômodo inteiro. Basta uma almofada confortável, uma luminária suave, um elemento natural (madeira, pedra ou plantas) e organização visual. Esse espaço não é apenas para meditar; é para se regular. Quando cada pessoa pode voltar ao próprio centro, a relação se torna mais estável.”
6. Ordem compartilhada, acordos visíveis
A desordem não é apenas estética; ela também é simbólica, gerando pequenas tensões diárias. “O design de interiores pode ajudar a evitar conflitos recorrentes por meio de soluções claras: sistemas de armazenamento definidos, armários divididos de forma equilibrada, cestos de roupa individuais, bandejas organizadoras na entrada.” Projetar acordos físicos reduz discussões verbais.
7. Materialidade e tato: a importância do corpo
Materiais e texturas aconchegantes são essenciais. Projeto assinado por Lucas Jimeno Dualde
Fran Parente
Uma relação não é feita apenas de conversa; também envolve contato. Os materiais influenciam a forma como nos movemos e nos tocamos dentro de um espaço. Superfícies macias, tapetes que convidam a ficar descalço, sofás profundos que incentivam a proximidade, mesas sem quinas agressivas. O design pode estimular a proximidade física sem que ela pareça forçada.
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“De certa forma, a casa se torna um terceiro integrante do casamento. Ela pode tensionar ou sustentar. Pode invadir ou proteger. Um bom design de interiores não busca perfeição estética, mas coerência emocional: espaços em que exista intimidade sem isolamento, encontro sem invasão, ordem sem rigidez”, diz Paula. “Projetar para um bom casamento é, na verdade, projetar para que duas identidades possam crescer sob o mesmo teto sem deixar de se escolher todos os dias.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest Espanha

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