Mulheres assumem protagonismo no franchising e se tornam maioria entre multifranqueados

As mulheres já são maioria entre os franqueados brasileiros e, nos últimos anos, vêm ganhando cada vez mais espaço em uma das principais tendências do franchising: os mulfifranqueados. De acordo com uma pesquisa da CommUnit/Hibou, de 2024, 55% dos responsáveis pela operação de mais de uma unidade de franquias são mulheres. O número representa um avanço expressivo na comparação com o ano anterior, quando as multifranqueadas eram um terço do total.
Segundo o estudo, que incluiu todos os estado brasileiros, as mulheres representam 60% dos franqueados, um crescimento de seis pontos percentuais na comparação com 2023. De acordo com levantamento da CommUnit, existem cerca de 61,6 mil multifranqueados no Brasil.
Na avaliação de Cristina Franco, presidente do Conselho da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o franchising brasileiro vem passando por uma transformação significativa em relação ao empreendedorismo feminino. “Hoje vemos um número crescente de mulheres entrando no franchising com visão estratégica de crescimento, profissionalizando suas operações e expandindo para novas unidades. Além disso, o setor tem se mostrado cada vez mais aberto e estruturado para apoiar esse movimento, com redes estimulando a formação de lideranças femininas e criando ambientes mais favoráveis para que essas empreendedoras escalem seus negócios”, diz.
Foi nesse cenário que a empreendedora Beatriz Abras, 33 anos, decidiu entrar para o franchising e, mais recentemente, se tornar multifranqueada. Formada em arquitetura, ela decidiu migrar de carreira durante a pandemia, quando abriu uma confeitaria. Em 2022, em busca de um negócio mais rentável e com menos complexidade operacional, ela abriu uma franquia da JAH Açaí e Sorvetes, em Belo Horizonte (MG).
O processo de expansão do negócio veio dois anos depois. “No começo, meu objetivo era fazer a primeira unidade dar certo. Mas, conforme fui entendendo melhor o negócio, percebi que existia um grande potencial de expansão. O modelo de franquia permite escalar quando há organização, processos claros e um time bem estruturado”, aponta Abras, que afirma ver no franchising um caminho para impulsionar o protagonismo de mulheres nos negócios.
Atualmente, a empreendedora está à frente de sete unidades da rede de açaí, todas localizadas em Belo Horizonte. Em 2025, as lojas faturaram cerca de R$ 7 milhões, e a expectativa é superar a casa dos R$ 8 milhões este ano. Para sustentar o crescimento, Abras estruturou uma equipe de apoio com gerente geral, responsável pelo financeiro, compras e supervisores em todas as unidades. "Investir em pessoas e em formação de lideranças dentro das lojas é essencial para sustentar o crescimento", diz.
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Antes do ‘boom’, elas já ocupavam espaço
Mesmo que o crescimento mais expressivo no percentual de mulheres entre os multifranqueados seja recente, a presença feminina no setor não começou agora. Há anos, empreendedoras vêm construindo trajetórias sólidas no franchising — incluindo a gestão de múltiplas unidades. Aos 52 anos, Carina Mendonça, é um dos exemplos de mulheres que há mais de uma década apostam na atuação como multifranqueada.
Em 2012, quando atuava como supervisora comercial de uma multinacional, ela aproveitou as férias para pesquisar franquias em Mato Grosso do Sul, onde morava. No processo, conheceu a Casa de Bolos e deu início à primeira operação, já imaginado o potencial de escala. “Sempre sonhei em ser multifranqueada. Então, assim que consegui performar com a minha primeira unidade, eu já comecei a sonhar em ampliar a operação”, afirma Mendonça
A primeira loja foi aberta em outubro de 2013, em Campo Grande (MS), com capital proveniente da rescisão do filho — cerca de R$ 50 mil — e economias familiares. Um ano depois, já veio a segunda unidade, em Dourados (MS). Hoje, a empreendedora comanda sete unidades espalhadas por três estados: duas em Dourados, uma em Ponta Porã e três em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, além de uma em Camboriú, Santa Catarina. O faturamento de 2025 somou R$ 10 milhões, com projeção de crescimento de 10% para este ano. A meta é abrir mais duas lojas até dezembro.
Para gerir todas as unidades, Mendonça transformou a primeira loja em um centro de treinamento para as operações e passou a contar com a ajuda da filha na liderança das unidades da capital. "É uma rotina intensa, mas que eu gosto muito", diz. O maior desafio, na avaliação da empreendedora, é a gestão de pessoas e a qualificação de mão de obra. Para driblar a dificuldade, ela afirma que busca investir sobretudo na contratação de profissionais acima de 50 anos.
A presença de mulheres no franchising se espalha por diferentes segmentos. No setor de educação, Luciane Costa Mello, 53 anos, construiu uma trajetória de 17 anos como multifranqueada. "O que me motivou a empreender em franquias foi justamente a combinação entre autonomia e segurança", conta a empreendedora que atualmente é responsável por nove unidades da rede CNA no Rio de Janeiro.
A primeira escola foi inaugurada em 2007 e, dois anos depois, Mello deu início à expansão das operações. Para garantir o funcionamento de todas as unidades, ela estruturou um back office dividido em departamentos, como financeiro, recursos humanos, operacional, TI e marketing. Hoje, são mais de 100 colaboradores. "O sucesso de todas as escolas depende de uma equipe dedicada e comprometida", afirma.
Assim como as outras multifranqueadas, Mello aponta a gestão de pessoas como o principal desafio. "A captação de novos colaboradores, o desenvolvimento constante das equipes e a retenção de talentos são fundamentais para garantir que todas as escolas funcionem com padrão e qualidade", diz.
Na avaliação de Cristina Franco, da ABF, o desafio com gestão de pessoas é natural entre multifranqueados. “Ser multifranqueada exige uma mudança importante de mentalidade. O empreendedor deixa de atuar apenas na operação de uma unidade e passa a atuar como gestor de um grupo de negócios”, afirma. Com isso, ela afirma que um desafio central é estruturar equipes e lideranças intermediárias capazes de manter a qualidade da operação quando o empreendedor não está presente em todas as lojas.
Para a multifranqueada Leandra Bisi Printe, 44 anos, responsável por 16 franquias em Belém (PA), sendo 12 da 5àsec e 4 da Havanna, ter isso em mente desde que começou a empreender no setor, em 2012, foi determinante para o sucesso de suas operações. “Desde o início entrei no franchising com o pensamento de me tornar multifranqueada e trabalhei estrategicamente para que isso acontecesse. Ao longo dos anos fui estruturando a operação, fortalecendo processos e desenvolvendo um time preparado para sustentar o crescimento”, afirma Printe.
Para isso, ela afirma que sua rotina é baseada no acompanhamento constante de indicadores, visitas às lojas e alinhamento permanente com o time de liderança. “Dedico boa parte do meu tempo à análise de desempenho das operações, ao desenvolvimento do time e à implementação de melhorias que aumentem a eficiência da operação e tragam melhores resultados”, diz.
Segundo a presidente do conselho da ABF, o franchising vem registrando uma presença cada vez mais forte de mulheres, tanto como franqueadas quanto em posições de liderança nas próprias redes. “À medida que mais mulheres entram no setor, ganham experiência e consolidam resultados, é natural que avancem também para modelos de multifranquias. Por isso, a tendência é que nos próximos anos vejamos um número cada vez maior de mulheres liderando múltiplas unidades e grupos de franquias no Brasil”, conclui.
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