Uso da polilaminina: cientista admite erros em estudo, mas garante eficácia
A professora Tatiana Sampaio, responsável pela pesquisa que aponta a polilaminina como potencial tratamento para lesões na medula espinhal, confirmou que o artigo passará por uma revisão rigorosa.
A decisão ocorre após o reconhecimento de inconsistências na versão preliminar do estudo, que detalha os primeiros testes em humanos.
Em entrevista ao G1, a pesquisadora afirmou que o texto será submetido a uma revisão geral, incluindo correções técnicas, ajustes na divulgação de dados e mudanças na descrição das informações.
Entenda o caso
O material divulgado em fevereiro de 2024 era um pré-print — uma versão inicial que ainda não havia passado pela revisão de outros cientistas.
Segundo Tatiana, o arquivo foi publicado online para garantir a autoria da descoberta, sem a expectativa de grande repercussão. “Ele não estava bem escrito”, admitiu.
Os principais pontos questionados por outros especialistas envolvem inconsistência na apresentação de dados e a interpretação de eficácia do tratamento.
Um dos exemplos citados trata-se de um gráfico que acompanha a evolução do paciente. A imagem diz que o doente teria sido acompanhado por quase 400 dias, apresentando melhoras, mas o texto afirma que ele morreu cinco dias após o tratamento.
Conforme detalhou a pesquisadora, o gráfico se refere a outro paciente, que sobreviveu e foi acompanhado. “Foi um erro de digitação”, garantiu ao veículo.
Também será necessária uma mudança nas figuras que mostram exames de eletromiografia – que avaliam as alterações dos músculos e nervos responsáveis pelo movimento do corpo. Sampaio diz que as imagens estavam mal programadas, com dados brutos.
“Não tem nenhum dado novo, tá? Então é exatamente a mesma coisa. Só que dito de uma maneira melhor e com figuras um pouco mais cuidadas”, contou ela.
Uma nova avaliação que divide os pacientes conforme o tipo de lesão também será incluída no estudo. De acordo com a cientista, quatro pacientes com lesões torácicas tiveram uma taxa de recuperação próxima de 1%, número que reforçaria a eficácia da proteína.
Por fim, a escrita do texto vai passar por uma revisão geral e essa será a principal mudança do estudo. “Tem trechos que eu estou explicando mal e aí posso explicar melhor”, disse ela.
Previsão de publicação
O estudo atualizado só será tornado público após a aceitação por uma revista científica. Até o momento, versões corrigidas foram submetidas à Springer Nature e ao Journal of Neurosurgery, mas acabaram rejeitadas por ambas.
Sampaio mantém a confiança no potencial da terapia e garante que as mudanças são de formato, não de mérito.
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