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Belo Horizonte,09/03/2026

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O que você designers aprenderam sendo mulher no mercado da moda?

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O que você  designers aprenderam sendo mulher no mercado da moda?
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Entre paradoxos, violências, identidade e potência criativa, estilistas brasileiras refletem sobre o que a experiência de ser mulher ensina dentro de um mercado ainda atravessado por desigualdades. Foto: Reprodução


O que uma mulher aprende ao construir uma marca, sustentar uma visão criativa e ocupar espaço no mercado da moda? As respostas reunidas aqui passam por camadas diferentes de experiência, mas se encontram em alguns pontos: resistência, autonomia, escuta, autoestima e disputa por espaço. Em um setor historicamente voltado para o feminino, mas ainda marcado por estruturas de poder masculinas, ser mulher segue significando negociar presença, afirmar identidade e transformar o próprio corpo, a roupa e a criação em linguagem.


Nas falas de designers mulheres, a moda aparece como campo de expressão, mas também de confronto. Há quem fale sobre liderança e intuição, quem aponte o paradoxo de um mercado feito para mulheres, mas ainda dirigido por homens, e quem lembre que existir, para muitas, já é um ato de resistência. Juntas, essas vozes ajudam a desenhar um retrato direto do que significa ser mulher na moda hoje. Confira


 


Marcia Kemp (Nannacay)


“Ser mulher é ter múltiplas camadas. Somos força e sensibilidade ao mesmo tempo. Liderança pode ser feita com escuta, firmeza não exclui delicadeza e a intuição feminina é uma potência criativa.”


Sasha Meneghel (Mondepars)


“A moda me mostrou um paradoxo: mesmo sendo feita para mulheres e consumida por mulheres, ela ainda é dirigida e ditada por homens. Eu encaro isso como desafio diário e como motivo para puxar mais mulheres junto.”


Marina Bitu (Marina Bitu)


“Força e delicadeza podem coexistir sem se anular. Ainda existem muitas portas fechadas para mulheres, mas com consistência e determinação é possível ocupar esses espaços e transformá-los.”


Luiza Mallmann (Ryzí)

“Toda mulher tem muitas facetas dentro de si, e o bom é conseguir representar cada um desses lados. Eu aprendo isso todos os dias: posso ser a mulher que estou me sentindo hoje.”


Monica Sampaio (Santa Resistência)


“A mulher pode e deve estar onde ela quiser. Ser mulher em um país com taxas alarmantes de feminicídio nunca foi fácil, mas não desistimos. Eu enfrento o racismo, o machismo e o etarismo, mas continuo fazendo o que amo.”


Nastacia Schatt (Charth)

“Quando a autoestima está alinhada com quem a mulher é, algo muda. A postura muda, o olhar muda, a presença muda. Não é sobre tendência, é sobre identidade.”


Heloisa Strobel (Reptilia)


“Ser mulher é um ato de resistência política, muitas vezes silencioso. A nossa força não está em reproduzir estruturas, mas em reinventá-las com sensibilidade e inclusão.”


Isa Silva (Acredite no seu axé)


“Poder existir. Ser uma mulher trans, travestir é resistir. Com tantos casos de feminicídio, de mulheres cis e trans, isso é desumano e a gente não deve deixar isso acontecer jamais.”


Ana Luisa Fernandes (ALUF)


“O corpo de uma mulher é um lugar político, assim como a indumentária que o cobre. A forma como uma mulher se veste ainda é muito interpretada e julgada, e isso diz muito sobre expressão, liberdade e identidade.”


 


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