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Belo Horizonte,09/03/2026

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Pequenas propriedades concentram até 2,7 mi ha de pastagens degradadas

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Pequenas propriedades concentram até 2,7 mi ha de pastagens degradadas
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A degradação de pastagens em pequenas propriedades rurais soma 2,6 milhões de hectares em Mato Grosso e 2,7 milhões de hectares no Pará, segundo levantamento da consultoria Agroicone ao qual a CNN teve acesso com exclusividade. O estudo considera imóveis de até quatro módulos fiscais registrados no CAR (Cadastro Ambiental Rural).


A análise indica que o problema vai além de questões agronômicas e está associado também a fatores sociais, como baixo acesso a crédito rural e assistência técnica entre produtores de menor porte.




No Mato Grosso, a área total de pastagens degradadas chega a 10,1 milhões de hectares, distribuídos em 152,7 mil registros no CAR. Entre os imóveis de até quatro módulos fiscais analisados no estudo — cerca de 103,3 mil propriedades com pelo menos um hectare de pasto — a degradação corresponde a 2,6 milhões de hectares, o equivalente a 25,3% do total. 


No Pará, o levantamento aponta 6,6 milhões de hectares de pastagens degradadas em 276,7 mil registros do CAR. Dentro do grupo de imóveis de menor porte analisados — 203,8 mil propriedades — a área degradada soma 2,7 milhões de hectares, ou 40,7% do total. 


Segundo a pesquisadora Leila Harfuch, quando fatores sociais são incorporados à análise, o diagnóstico sobre a degradação ganha novas dimensões.


“Quando a análise inclui apenas o solo, ela mostra o tamanho do problema. Quando incorpora as condições de renda, educação e infraestrutura, começa a revelar possíveis causas. Isso muda a forma de olhar para a degradação”, afirma. 


A avaliação dos pesquisadores indica que as condições socioeconômicas dos produtores influenciam diretamente a capacidade de adotar práticas de recuperação de pastagens.


“A degradação não pode ser explicada só por manejo inadequado. Como causas mais profundas existem limitações estruturais, como as condições socioeconômicas nas quais o produtor está inserido, que influenciam a sua capacidade de adotar boas práticas agropecuárias”, afirma o pesquisador Lauro Vicari. 


O estudo utilizou o IDR-CAR, ferramenta desenvolvida pela consultoria para integrar dados ambientais e socioeconômicos a partir do CAR. A metodologia permite analisar o contexto territorial da degradação das pastagens, combinando informações sobre solo, renda, infraestrutura e acesso a políticas públicas. 


 


Baixo acesso a crédito e assistência técnica


Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que, em Mato Grosso, apenas 15,9% dos produtores familiares declararam ter acesso a crédito rural e 12,5% relataram ter recebido orientação técnica, segundo o Censo Agropecuário 2017. 


A adoção de práticas de recuperação de pastagens também é limitada: 11,2% dos produtores afirmaram utilizar medidas como aplicação de calcário ou outros corretivos de solo. 


No Pará, os indicadores são ainda menores. Apenas 6,1% dos produtores declararam ter acesso a crédito rural, enquanto 4,7% disseram ter recebido assistência técnica. A proporção de produtores que utilizam práticas de recuperação de pastagens chega a 4%. 


Na análise dos imóveis focalizados, 28,2 mil propriedades em Mato Grosso (27,3%) contrataram crédito rural ao menos uma vez, com pico na safra 2022/2023, quando 12 mil registros foram observados. 


No Pará, 30,7 mil imóveis (15,1%) acessaram crédito pelo menos uma vez, com maior número de contratações na safra 2021/2022, com 11 mil registros. 


 


Pressão sobre renda e abertura de novas áreas


A Agroicone avalia que a degradação das pastagens gera um ciclo que afeta produtividade e renda dos produtores, além de ampliar a pressão pela abertura de novas áreas.


“Existe um conjunto de soluções já consolidadas para a recuperação de pastagens. O desafio é que elas não chegam de forma igual a todos os produtores, porque as condições de partida são muito diferentes”, afirma o pesquisador Gustavo Lobo. 


Segundo o estudo, a recuperação de pastagens é considerada uma das principais estratégias de mitigação de emissões no agro brasileiro e aparece como prioridade no Plano ABC+, que prevê a ampliação de práticas sustentáveis no setor. 

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