Saiba detalhes da comovente história real por trás de Hamnet, indicado oito vezes ao Oscar 2026

Há perdas que o tempo não apaga, apenas transforma em arte. No caso de William Shakespeare, o luto pelo filho de 11 anos, Hamnet, levou quatro séculos para ser plenamente compreendido pelo grande público. Agora, o que era nota de rodapé na história do maior dramaturgo de todos os tempos, tornou-se o epicentro de uma febre cultural. O filme foi indicado oito vezes ao Oscar 2026.
Adaptado do aclamado romance de Maggie O'Farrell (vencedor do National Book Critics Circle), o longa-metragem Hamnet acaba de desembarcar no streaming, disponível no Peacock, após uma trajetória triunfal na temporada de premiações de 2025. Com Paul Mescal entregando uma performance vulnerável como o jovem Shakespeare e Jessie Buckley em uma atuação visceral como Agnes (Anne Hathaway) — papel que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Atriz —, o filme é uma ode estética à resiliência familiar.
A trama nos transporta para Stratford, Warwickshire, onde a história de amor entre William e Agnes desafia convenções. Ela, uma figura mística e conectada à natureza; ele, um jovem tutor em busca de um destino maior em Londres. O idílio, contudo, é interrompido pela "pestilência". Em um ato de amor desesperado, o pequeno Hamnet tenta salvar sua irmã gêmea, Judith, rastejando para seu leito para "tomar" a doença para si. Judith sobrevive. Hamnet se torna uma memória.
Em entrevista à revista PEOPLE em dezembro de 2025, O'Farrell revelou que a centelha para o livro surgiu de um incômodo adolescente: o fato de Hamnet "não fizesse parte da conversa" quando Shakespeare escreveu Hamlet, apesar da simetria óbvia dos nomes.
"Embora eu estivesse muito longe de ser escritora e mãe, sabia que não era mera coincidência. Não era o tipo de decisão que um escritor tomaria de forma leviana", explicou ela.
O longa (e o livro) não se esquiva das liberdades poéticas. O'Farrell opta por chamar a esposa de Shakespeare de Agnes, nome que consta no testamento de seu pai, e especula sobre a causa da morte do menino — que nos registros paroquiais de 1596 permanece um mistério.
"A Peste Negra, ou 'pestilência', como era conhecida no final do século XVI, não é mencionada uma única vez por Shakespeare em nenhuma de suas peças ou poesias", observou a autora em sua nota histórica. "Sempre me questionei sobre essa ausência e seu possível significado; este romance é o resultado de minhas especulações."
O clímax emocional, tanto na tela quanto nas páginas, reside na criação da peça Hamlet. Para a autora, a tragédia dinamarquesa não é apenas ficção, mas uma carta de amor e dor enviada de Londres para Stratford. Ao falar com a CBC, ela reforçou sua missão de tirar o menino da obscuridade:
"O que me motivou a escrever um livro foi fazer com que mais pessoas entendessem que esse menino havia vivido, que ele havia sofrido e que era amado. Sem dúvida, alguns dos discursos mais impactantes de [Hamlet] vêm daquele enorme abismo de tristeza que Shakespeare sentiu quando seu filho morreu."
Por Que Assistir Agora?
Mais do que uma cinebiografia, Hamnet é um estudo sobre como o luto pode ser metabolizado em genialidade. É um convite para olhar para além do "Bardo" e enxergar o pai, o marido ausente e a mulher que sustentou o lar enquanto o mundo ganhava um gênio.
Como O'Farrell bem definiu em seu encontro com o A Word on Words: "Basta ler as cenas iniciais da peça Hamlet para perceber que toda a obra é sustentada por esse enorme sentimento, essa imensa fonte de tristeza. Então, eu queria ressuscitá-lo, de certa forma, e dar-lhe o reconhecimento que lhe era devido. Eu queria dar-lhe voz e presença e dizer aos leitores: este menino foi importante."
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Hamnet: A vida antes de Hamlet
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Cena de "Hamnet"
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