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Belo Horizonte,04/04/2026

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Claudia Alarcón & Silät estreiam no MASP com exposição sobre tecelagem Wichí

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Claudia Alarcón & Silät estreiam no MASP com exposição sobre tecelagem Wichí
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Na sexta-feira (06.03), o MASP recebe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. É a primeira vez que a artista argentina Claudia Alarcón e o coletivo Silät ocupam um museu brasileiro, e fazem isso tensionando tudo o que normalmente se associa à ideia de tecelagem ancestral. São 25 trabalhos que não preservam uma tradição intacta, mas a colocam em movimento.
O Silät é formado por mais de cem mulheres do povo Wichí, que vivem no Gran Chaco, um dos maiores biomas da América do Sul. O coletivo surgiu em 2023, quando Alarcón chegou à região com oficinas que propõem deslocamentos formais a partir das yicas — bolsas quadradas que as mulheres Wichí produzem há gerações.
A exposição, com curadoria de Adriano Pedrosa e Laura Cosendey, conta com obras feitas com chaguar, planta nativa do clima seco da região, quase fibra em estado bruto. Tudo é manual, sem tear: os fios passam diretamente pelas mãos. Durante muito tempo, a paleta se manteve restrita a tons terrosos, vermelhos queimados, azuis opacos. O Silät decide inverter essa lógica e introduz cores intensas, obtidas com anilinas — laranja, fúcsia, cores que antes simplesmente não pertenciam a esse universo.

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Ainda assim, a mudança mais profunda não está na cor. A tecelagem Wichí sempre foi um gesto solitário, cada mulher trabalhando sozinha. O Silät cria métodos para que várias tecelãs atuem na mesma peça, ou para que uma continue exatamente do ponto onde a outra parou. Esse gesto coletivo altera a escala, o tempo e a própria ideia de autoria, permitindo obras muito maiores do que as bolsas tradicionais.
Kyelhkyup — El otoño, 2023 Fibra de chaguar fiada à mão, tingida com pigmentos naturais e anilina, tecida em ponto yica
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand / Eduardo Ortega
Em Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas, mais de cem bolsas — uma de cada mulher do coletivo — ocupam a parede. O conjunto funciona como um corpo só, mas basta olhar com atenção para perceber que nenhuma peça é igual à outra. Cada uma carrega sua própria assinatura, em cor, ritmo e padrão. Kyelhkyup — El otoño, hoje parte da coleção do MASP, traduz as mudanças de estação no território Wichí. Não é uma paisagem literal, mas um estado: algo que escurece, se transforma, muda de temperatura.
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Já Kates tsinhay — Mujeres estrellas nasce de um mito Wichí. Mulheres-estrelas desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas teciam, para roubar peixes dos homens. Quando os fios foram cortados, ficaram presas aqui. A obra mistura geometrias ancestrais com formas que evocam corpos celestes, como se o céu ainda estivesse em disputa. N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrices, de 2025, foi criado para a data da independência da Argentina, mas assume um tom de denúncia. O tecido fala da repressão histórica do Estado argentino contra os povos indígenas — caminhos marcados por cortes que não se fecharam. A exposição fica em cartaz até 2 de agosto.
Claudia Alarcón, Kates tsinhay — Mujeres estrellas, 2023
Divulgação
SERVIÇO
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente,
MASP
6.3 — 2.8.2026
Edifício Pietro Maria Bardi, 3o andar
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo,
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