Dez pontos para entender o assassinato de brigadista do Ibama morto a tiros na porta de casa no TO

Delegado explica investigação sobre morte de brigadista do Ibama no Tocantins
O brigadista do Ibama Sidiney de Oliveira Silva, foi morto a tiros na porta de casa enquanto realizava tarefas rotineiras na manhã de 15 de junho de 2024. O crime aconteceu em Formoso do Araguaia (TO) e expôs os perigos enfrentados por defensores ambientais na região da Ilha do Bananal. A conclusão do inquérito apontou um crime encomendado com motivações econômicas e passionais.
O caso mobilizou órgãos ambientais federais e gerou repercussão em todo o país sobre a segurança de fiscalizadores ambientais. As investigações conduzidas pela 3ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Gurupi resultaram no indiciamento de três suspeitos, incluindo dois agropecuaristas e um policial militar.
Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, por isso o g1 não conseguiu contato com as defesas deles.
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Segundo a polícia, o assassinato foi planejado para conter as denúncias sobre a criação ilegal de gado em área de proteção ambiental, além de envolver desavenças pessoais. Com a entrega do relatório final ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, o processo segue para as etapas de responsabilização criminal dos envolvidos.
Veja abaixo os principais para entender o assassinato do brigadista.
Sidney Silva foi morto a tiros na porta de casa em Formoso do Araguaia
Arquivo Pessoal/Cleide Oliveira
1 - Quem era o brigadista e qual era a sua atuação no Ibama?
Sidiney de Oliveira Silva tinha 44 anos, era casado e pai de três filhos. Ele atuava como brigadista experiente contratado pelo Prevfogo, programa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Reconhecido por seu conhecimento geográfico da região, Sidiney combatia incêndios florestais e atuava na fiscalização ambiental na Ilha do Bananal e no Parque Nacional do Araguaia. Ele também presidia a Associação de Brigadistas da Brigada Federal (Brif) Nordeste e prestava apoio logístico a ações de proteção indígena na região.
2 - Como e onde ocorreu o assassinato do ambientalista?
O crime aconteceu por volta das 7h do dia 15 de junho de 2024, no centro de Formoso do Araguaia, no sul do Tocantins. Sidiney estava na porta da residência de sua irmã verificando a água e o óleo de seu veículo quando foi atingido por dois tiros.
A pericia e a investigação indicaram que os disparos foram efetuados com uma espingarda cartucheira a partir de uma casa abandonada situada em frente ao local. A irmã da vítima relatou ter ouvido o barulho de "explosões" antes de encontrá-lo caído e agonizando perto do portão. A mulher não soube dizer quem disparou os tiros que mataram o irmão dela.
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3 - Quem são os suspeitos indiciados pela Polícia Civil pelo crime?
O inquérito policial concluído pela 3ª DHPP de Gurupi resultou no indiciamento de três pessoas. Entre os indiciados estão dois agropecuaristas, apontados como mandante principal e intermediador, e um policial militar acusado de ser o executor dos disparos. No relatório policial, os suspeitos foram identificados por suas iniciais: L.V.M.S. (mandante), W.V.A. (intermediador e articulador) e o policial militar (executor).
4 - Quais foram as motivações identificadas no inquérito policial?
A Polícia Civil apontou a existência de duas motivações conjugadas para o homicídio: uma econômica e uma passional. A motivação econômica decorre do combate promovido por Sidiney contra a criação clandestina de gado na área de preservação da Ilha do Bananal, cujas denúncias geravam prejuízos financeiros aos investigados.
Já a motivação passional partiu do mandante L.V.M.S., que confessou o crime e alegou vingança por um suposto relacionamento extraconjugal da vítima com sua ex-companheira.
5 - Como o homicídio foi encomendado e qual o valor pago pela execução?
Conforme apurado pela Secretaria da Segurança Pública, L.V.M.S. encomendou a morte do servidor e acertou o pagamento de R$ 50 mil pela execução. O planejamento e o repasse de informações foram intermediados pelo agropecuarista W.V.A., que mantinha contato direto com o atirador e encaminhou fotografias da vítima para facilitar a identificação no momento do ataque.
Sidiney Oliveira atuava na fiscalização da Ilha do Bananal e foi morto a tiros na porta de casa
Reprodução/Tv Anhanguera
6 - Qual era a situação do policial militar apontado como executor?
O policial militar foi identificado como o autor direto dos disparos. Em junho de 2026, ele foi alvo de uma operação que investigava o crime. Na época, o PM já estava preso na sede do 4º Batalhão da PM, em Gurupi, por causa de outra investigação de homicídio. Na cela dele, os agentes apreenderam um aparelho celular e carregadores de arma de fogo.
7 - Qual foi o papel das provas digitais e da tecnologia na resolução do caso?
Como a coleta inicial de depoimentos tradicionais não havia resultado na prisão de suspeitos imediatos, o inquérito foi transferido para a 3ª DHPP de Gurupi para focar na produção de provas. Com a autorização judicial para a quebra de sigilo de dados, a perícia analisou as comunicações e informações digitais dos investigados.
Esse cruzamento de dados permitiu à Polícia Civil comprovar o fluxo do planejamento do assassinato, incluindo o envio de fotografias da vítima para facilitar a identificação pelo executor no momento do ataque e a troca de mensagens entre os mandantes e o atirador.
8 - Quais medidas cautelares e prisões foram decretadas pela Justiça?
A Justiça decretou a prisão preventiva do policial militar, ordem cumprida no próprio batalhão onde ele estava custodiado. O intermediador W.V.A. também teve a prisão preventiva decretada, contudo a medida foi convertida em prisão domiciliar devido à sua idade avançada e ao seu estado de saúde.
Para o mandante L.V.M.S., que confessou a participação, foram aplicadas medidas cautelares que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de deixar Formoso do Araguaia e impedimento de contato com os demais investigados, testemunhas e parentes da vítima.
9 - Por que houve pedido de federalização das investigações e qual foi o resultado no STF?
Devido à demora na solução do caso e à repercussão do crime contra um agente ambiental federal, o Ibama e a família de Sidiney solicitaram a transferência das investigações para a alçada federal. Em abril de 2025, a irmã do brigadista entregou em mãos uma cópia do pedido ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, o STF indeferiu a solicitação de federalização, mantendo a apuração sob a responsabilidade da Justiça Estadual e da Polícia Civil do Tocantins
10 - Qual foi o posicionamento oficial dos órgãos ambientais e da PM?
O Ibama e a Funai emitiram notas públicas lamentando a morte do brigadista, destacando seus anos de dedicação ao combate a incêndios e à proteção dos territórios indígenas na Ilha do Bananal. A Polícia Militar do Tocantins informou que prestou apoio às ações da Polícia Civil, instaurou procedimento na Corregedoria-Geral para apurar a presença de celular e munições na cela e ressaltou que o policial permanece vinculado à corporação e recebendo remuneração conforme os trâmites legais vigentes.
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