AGU defende no STF manutenção da proibição das bets
A AGU (Advocacia-Geral da União) enviou manifestação ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (6) na qual defende a manutenção da MP das bets, medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.
A manifestação foi enviada ao ministro Luiz Fux, relator das ações que discutem a constituicionalidade das apostas on-line na Suprema Corte. Após a publicação da MP, diversas associações acionaram o STF para tentar derrubar a norma, sob o argumento de que ela viola a livre iniciativa e pode estimular o mercado ilegal de apostas. Antes de definir se concede ou não a liminar, Fux pediu a posicionamento da AGU.
Na manifestação, o órgão defende a constitucionalidade da nova norma. Argumenta que a União tem competência para reavaliar políticas públicas e extinguir modalidades lotéricas quando a experiência prática demonstra riscos à saúde financeira, à segurança pública e ao bem-estar das famílias.
Segundo dados de órgãos técnicos do Ministério da Saúde citados pela AGU, houve um aumento de 140% nos atendimentos do SUS relacionados a transtornos de jogo patológico e mania de jogo entre 2018 e 2025. O risco de suicídio entre pessoas com problemas relacionados ao jogo também seria 15 vezes maior do que na população geral. Com isso, a AGU cita uma estimativa de R$ 30,6 bilhões por ano em custos sociais associados aos impactos das apostas na saúde.
A manifestação aponta ainda que o impacto financeiro das apostas atingiu de forma desproporcional as populações de menor renda e os mais jovens, comprometendo quase 50% da renda das famílias brasilerias.
Segundo a advocacia-geral, o impacto financeiro também alcança dependentes, como crianças e idosos, que não participaram da decisão de apostar, o que poderia comprometer a proteção constitucional à família e ao mínimo existencial.
A AGU também aponta riscos relacionados à segurança pública. Segundo dados das forças de segurança e dos Ministérios Públicos, facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) passaram a utilizar estruturas de apostas on-line para lavar dinheiro do tráfico de drogas e de armas. Para o órgão, a fiscalização administrativa e a regulamentação não têm sido suficientes para conter as plataformas clandestinas.
“O que se tem, na espécie, é a configuração de uma hipótese de urgência superveniente, que foi detectada pelos órgãos federais a partir da experiência acumulada do funcionamento do mercado regulado, evidenciando a insustentabilidade dos riscos associados à atividade, mesmo com todas as diligências mitigadoras aplicadas. Não se trata de risco hipotético, mas de realidade lastreada em fortes evidências”, afirmou.
Além de defender a manutenção da MP das bets, a AGU pede que o procurador-geral da República seja ouvido antes de qualquer decisão sobre o caso. O órgão também solicita que o STF avalie a realização de uma audiência pública para discutir os impactos das apostas on-line.




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