BioLinker capta US$ 1,4 milhão para ampliar produção de proteínas sob demanda

A BioLinker, biotech que produz proteínas em laboratório para empresas e pesquisadores, recebeu um investimento de US$ 1,4 milhão (R$ 7,3 milhões) do Axcell, fundo de investimento de Manaus (AM), focado em bioeconomia. O capital será usado para a abertura de um novo laboratório da startup na capital amazonense, para ampliar a capacidade de produção.
Fundada em 2018 por Mona Oliveira, a startup atua como uma espécie de "fábrica de proteínas sob demanda", criando moléculas utilizadas em pesquisas científicas e no desenvolvimento de novos medicamentos, ingredientes alimentícios, produtos agrícolas e cosméticos. Entre os clientes estão BRF, Bauducco, Ambev, Eurofarma, USP, Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Antes dessa captação, a BioLinker havia recebido um aporte em troca de participação societária: em 2022, a startup foi investida por Fabricio Bloisi, então CEO do iFood (atualmente CEO da Prosus, empresa holandesa que investiu na plataforma de delivery brasileira). Desde então, a biotech garantiu cerca de R$ 3,7 milhões em editais de subvenção econômica das instituições Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Atualmente, a startup concorre a mais R$ 30 milhões em cinco editais, que devem ter os resultados anunciados em 2027.
Segundo Oliveira, fundadora e CEO da BioLinker, o financiamento público trouxe fôlego para escolher os termos do investimento atual. O processo de captação teve início no fim de 2024 e, ao longo do ano seguinte, a empreendedora se dedicou a viagens internacionais em busca do capital, participando de eventos e feiras e conversando com investidores individuais e fundos. Segundo ela, dois pontos ajudaram a abrir portas para a startup: ser integrante do ecossistema Google for Startups e estar incubada em Portugal. Ainda assim, o investimento veio do Brasil.
“São poucos os fundos que investem globalmente, a maior parte deles têm mandato de investimento local. Já sabíamos desse desafio, mas tentamos criar relacionamentos. Nos Estados Unidos, por não faturar em dólar e não operar no país, tiveram ressalvas e queriam americanos na operação. Na Europa, precisava ter um plano claro de expansão por lá”, revela.
Oliveira conta que utilizou agentes de inteligência artificial para encontrar investidores que tivessem maior conexão com a BioLinker e enviou mil e-mails tentando uma aproximação. A estratégia rendeu 10 reuniões e uma diligência em aberto – no momento, ela está com conversas avançadas com dois fundos da Europa e um do Brasil, que podem investir mais US$ 1,1 milhão (R$ 5,7 milhões) na startup.
A quantia investida pelo Axcell será direcionada para o laboratório de Manaus, localizado no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), que será todo automatizado para criar sequências genéticas em larga escala – elas servem como "receita" para a fabricação das proteínas. Outra parte da operação ficará na Fundação Paulo Feitosa, próxima ao CBA. Já a produção em escala continuará sendo feita em São Paulo. A filial de Manaus deve ser inaugurada em janeiro de 2027.
Segundo Oliveira, a empresa quer internalizar todas as etapas de desenvolvimento de proteínas, acelerando pesquisas. “Hoje somos dependentes de fornecedores internacionais, estamos antecipando um movimento de autonomia e soberania local. Se acontece uma guerra ou uma nova pandemia, as pesquisas atrasam”, afirma.
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A BioLinker também está desenvolvendo o bAIo Hub, uma plataforma de inteligência artificial voltada para pesquisadores e empresas de biotecnologia. A ferramenta funcionará como um "ChatGPT para cientistas", ajudando usuários a encontrar informações sobre proteínas e acelerar o desenvolvimento de novos produtos.
“É difícil prever e entender a biologia completa das células e uma das grandes lacunas é ter uma base padronizada. Não temos uma base de dados estruturada sobre os vírus e bactérias brasileiros, a biodiversidade é um ponto importante e vamos focar nisso”, afirma.
A tecnologia será vendida como um produto da startup, mas ainda está em fase de testes, com cerca de 200 usuários. O lançamento oficial está previsto para o último trimestre de 2027. No primeiro ano de vendas, a BioLinker estima que a plataforma vai acrescentar R$ 200 mil à receita, chegando a R$ 1 milhão em 2029.
A startup não abre o faturamento atual, mas Oliveira diz que a previsão é encerrar 2026 com o dobro de receita de 2025 – mas ainda dentro do Simples Nacional, que tem teto de R$ 4,8 milhões. “Estávamos patinando com alguns modelos e conseguimos acertar a mão, além de corrigir a prospecção de clientes com a ajuda de agentes de IA”, conta. A projeção é alcançar R$ 33 milhões de faturamento em 2030, com a nova fábrica e o bAIo Hub.
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