Volta por cima: a reconstrução de Rafael Niquini e seu retorno ao mundo da moda
Foto: Januária Vargas / Cenário: Lumina Studio Há profissões que nascem antes mesmo de serem escolhidas. No caso de Rafael Niquini, a moda o encontrou ainda criança, sentado no chão da sala, folheando as páginas da Revista Manequim, que chegava religiosamente todos os meses à sua casa. O carteiro mal tinha tempo de se afastar, o menino já arrancava o plástico, como quem abre uma porta para outro mundo. Foi ali, entre moldes, silhuetas e o imaginário que só a infância permite, que nasceu um futuro estilista.
A mãe, vaidosa, elegante e leitora assídua da revista, tornou-se sua primeira inspiração. E, assim, Rafael começou cedo na moda. Aos 15 anos já preenchia páginas inteiras de desenhos, às vezes fazia trinta croquis em um único dia. Mais tarde, em seu primeiro emprego na área, passou a sugerir looks para as clientes com a segurança de quem sempre entendeu de moda e estilo.
Uma moda para todas
O jovem estilista nunca se encantou apenas pelo glamour, mas pela pluralidade. Defende, com firmeza, que a moda não pode restringir, ela precisa abraçar a diversidade. Foi esse pensamento que o conduziu aos desfiles inclusivos, onde celebrava corpos reais e únicos.
“Não existe só manequim 36”, repete, com a convicção de quem viveu para enxergar cada mulher em sua própria grandeza.
O reconhecimento
O reconhecimento veio cedo. A primeira famosa que vestiu seu trabalho foi a cantora Simony, uma descoberta inesperada que abriu portas e amizades. Depois dela, vieram outras: a artista Gretchen, a influenciadora Andressa Ferreira, entre tantas que passaram a se identificar com sua estética marcada.
O prêmio de Estilista do Ano no Minas Fashion Week coroou essa fase. Uma homenagem pública ao menino que sonhava ao folhear as revistas Manequim no chão da sala e desenhava com paixão incansável.

Foto: Januária Vargas / Cenário: Lumina Studio
O susto
No auge da carreira, quando trabalhava em ritmo frenético (eram quatro desfiles por ano, meses de preparação e noites mal dormidas), o corpo pediu pausa. E a pausa veio de forma brusca.
Um desmaio no corredor do prédio, seguindo de perda total da memória. Foi um mês inteiro sem saber quem era. Sem reconhecer pessoas, lugares e histórias.
O estilista que moldava silhuetas viu seu próprio contorno desaparecer. E, naquele vazio, restou apenas uma âncora: a fé. A espiritualidade católica herdada da mãe lhe dava forças. E Rafael, com a simplicidade de quem encontrou o essencial, apenas disse: “Se eu tiver que ir, vou em paz. Se eu ficar, vou fazer valer.” E para alívio de si mesmo, da sua mãe e de todos que o acompanharam, ele ficou - e renasceu.
O retorno
Ainda em processo de recuperação, Rafael retoma a carreira de forma mais consciente e mais leve. A partir de agora, fará apenas um desfile por ano. O primeiro, planejado para junho de 2026, marcará oficialmente seu retorno. Além de apresentar vestidos pensados para exaltar a feminilidade e a força das mulheres, será um momento de celebração. Ele quer todas as clientes, amigas e pessoas que caminharam ao seu lado presentes. Ademais, ele pretende agradecer com aquilo que sabe fazer e que o deixa completo: a moda
A volta de Rafael Niquini ao mundo da moda não é o retorno de um estilista à sua rotina. É o retorno de um homem à própria essência, agora reescrita com a precisão de quem sabe que a vida é frágil e, justamente por isso, preciosa.
Ele está de volta, e mais do que nunca: inteiro, repleto de esperança e fé!
Confira, na íntegra, a entrevista de Rafael Niquini ao programa Outra Voz:





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