Seja bem-vindo
Belo Horizonte,21/07/2026

  • A +
  • A -

A liderança que se constrói com autenticidade

vidasimples.co
A liderança que se constrói com autenticidade
Publicidade

Algumas pessoas transmitem autoridade de forma natural, e Lorice Scalise é uma delas. Atual presidente da Roche Farma Brasil, a executiva construiu uma carreira de sucesso sem deixar de lado a busca por uma vida com mais significado, pautada pelo alinhamento entre pensar, falar e agir.


Primeira mulher e latino-americana a liderar a empresa no país, Lorice é formada em Farmácia pela Unesp e acumula mais de 20 anos de experiência na área da saúde. No episódio desta semana do Pod Ser Simples, a executiva conversa com Débora Zanelato, diretora de conteúdo da Vida Simples, sobre liderança com alma, intuição e autenticidade.


Arquétipos mais humanos de liderança


É comum que o mundo corporativo seja associado a uma imagem rígida, com agendas lotadas, ternos bem alinhados e foco quase exclusivo em métricas. No caso da executiva, ocupar uma posição de liderança não significa entrar nesses clichês. Há espaço para roupas leves de tecidos naturais, escuta ativa e uma gestão mais possível do tempo. Essa forma de estar no mundo, segundo ela, parte de desejo profundo: não se afastar de si mesma.


No dia a dia, por exemplo, ela escolhe uma gestão que também prioriza parar para tomar um café, perguntar sobre o outro e olhar nos olhos de quem trabalha ao seu redor. Naquela mesma manhã, Lorice conta que conversou com um colaborador sobre a expectativa pelo nascimento da filha, já que a esposa dele está grávida de sete meses.


“O que eu quero deixar na posição em que estou, além de um legado para o sistema de saúde, é justamente isso: criar novas possibilidades, arquétipos e verdades. Para que homens e mulheres que estejam em uma posição de liderança possam exercê-la a partir de um lugar mais genuíno. Não existe outra forma de liderar ou interagir se não for a partir da própria verdade.”


A inteireza como forma de estar no mundo


Durante a entrevista, Lorice relembra as vezes em que foi questionada sobre como equilibrar a vida pessoal e a profissional. Ela admite que a pergunta sempre causou incômodo, pois, em sua visão, essa separação não existe. “O trabalho sempre foi um lugar de exercício da minha cidadania, militância,  crenças e propósitos.”


Uma vida simples, segundo Lorice, é poder transitar sendo você em todos os lugares que ocupa, seja no papel de mãe, filha, irmã ou profissional. “Acho que a primeira coisa é sair dessa dicotomia. Quando você separa tudo, parece que existe uma expectativa sobre quem deve ser no trabalho e, quando sai dali, pode finalmente voltar a ser você. Para mim, isso não existe.”


Na prática, isso aparece em escolhas que fazem sentido para ela, como a alimentação inspirada na Ayurveda e a maneira de enxergar o aniversário como o fechamento de um ciclo solar, momento em que sente suas energias se renovarem. “Não é uma verdade que eu queira passar para todo mundo, nem algo que pretenda transformar em pregação. Mas tudo isso sou eu, e isso permeia as minhas relações.”


Lorice exemplifica que, se você é obrigado a dizer uma coisa e fazer outra, há uma ruptura interna e um desalinhamento que geram desperdício de energia. “O lugar mais confortável e acolhedor, é quando aquilo que eu penso, falo, sinto e a forma como ajo estão em perfeita consonância. E isso tem que existir em todos os ambientes.”


Combinados que tornam a rotina mais leve


Essa personalidade também aparece na dinâmica construída com a equipe. Desde o início do ano, a executiva conta que a empresa tem trabalhado com três pactos internos, afim de criar uma convivência saudável e acolhedora.


O primeiro, envolve a disposição para conversas corajosas. A ideia é que as pessoas consigam falar sobre situações difíceis sem transformar o incômodo em conflito. Para isso, a equipe utiliza uma ferramenta conhecida no mundo corporativo como SBI, sigla em inglês para situação, comportamento e impacto.


O exercício requer olhar para um contexto específico, descrever o que a pessoa fez — sem julgamentos ou adjetivos — e explicar como aquela atitude afetou você, a equipe ou o resultado do trabalho. “Isso alivia e tira a tensão do ambiente”, explica.


O segundo pacto é evitar generalizações e expressões como “as pessoas” ou “todo mundo”. Em vez disso, a orientação é olhar para cada situação de forma específica e descrevê-la com clareza. Esse cuidado ajuda a resolver problemas com mais objetividade, sem transformar uma questão pontual em algo maior do que realmente é.


O último pacto está ligado ao uso consciente do tempo. Se alguém é convidado para uma reunião e percebe que aquele encontro não faz sentido para sua agenda ou atuação naquele momento, a cultura da empresa incentiva que essa pessoa diga que prefere não participar.


Embora reconheça que nem todos estejam no mesmo nível de maturidade ou conforto com esses acordos, Lorice acredita que eles ajudam a construir uma rotina com mais qualidade. “É justamente para que as pessoas tenham um tempo criativo e o ambiente laboral seja saudável e leve. Tem que ser leve.”


Intuição como ferramenta


Débora Zanelato, entrevistadora do podcast, observa a conexão interna que Lorice transparece durante a conversa e pergunta à executiva sobre o papel da intuição em sua liderança. “É um recurso poderoso”, responde com convicção.


“A questão que tenho com a intuição é que muita gente a vê como algo místico, e eu não enxergo por esse lado”, explica. Para Lorice, o cérebro está o tempo todo captando informações e detalhes antes mesmo que elas se tornem conscientes. Somado às experiências que acumulamos ao longo da vida, é esse processo que ajuda a formar a intuição. “Eu vejo e acredito nisso como uma informação armazenada, inconsciente, não processada e que pode ser muito valiosa.”


Promover saúde é ampliar possibilidades


Questionada sobre o que significa promover saúde, ela parte da definição da OMS, que considera não apenas a ausência de doença, mas também o bem-estar físico, mental e social. “Se você não garantir isso para a população, o resto não existe. E isso também é atravessado pelos determinantes sociais”, afirma.


Por isso, fatores como saneamento básico, infraestrutura e educação são essenciais para essa conversa. Quando alguém tem acesso à leitura, por exemplo, consegue compreender melhor as informações que recebe e refletir sobre elas. Com isso, ganha mais condições de fazer escolhas conscientes no dia a dia, inclusive sobre alimentação, cuidados com o corpo e qualidade de vida.


“Essa escolha torna a pessoa mais saudável. E, quando surgir uma intercorrência que ela realmente não consegue evitar — como um câncer, uma doença genética ou diabetes —, haverá espaço e recursos dentro do sistema de saúde para tratar, justamente porque todas as outras causas evitáveis já terão sido sanadas.”


O Pod Ser Simples conta com patrocínio da Tok&Stok, da Inovar Previdência e da Verde Campo. Os episódios vão ao ar quinzenalmente no YouTube da Vida Simples. Confira!


➥ Leia mais

‘Onde estiver a vida, é lá que eu vou’

Quem é você quando as luzes se apagam?

A finitude como bússola


O post A liderança que se constrói com autenticidade apareceu primeiro em Vida Simples.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.