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Belo Horizonte,04/07/2026

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Journaling: a alma no papel

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Journaling: a alma no papel
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Em um tempo em que quase tudo passa por telas, há quem escolha o caminho contrário: abrir um caderno, pegar uma caneta e escrever. Mais do que registrar o dia, a prática conhecida como journaling tem sido um jeito de organizar pensamentos, dar nome ao que se sente e criar pausas possíveis em meio à rotina acelerada.


 


É bem semelhante aos diários tradicionais. No entanto, é uma prática ainda mais livre e criativa, podendo incluir desenhos, fotos e listas. Assim, contribuem com a organização da mente, reduzem a ansiedade e promovem o autoconhecimento. “Escrever ajuda a organizar as emoções, pois a escrita tem um tempo dela, tempo de cada palavra ganhando voz no papel”, explica a psicóloga Tayná Amorim. 


 


Segundo ela, quando escrevemos desaceleramos nosso diálogo interno, abrindo espaço para maiores reflexões. “Além disso, o movimento de colocar palavras no que ainda não tinha nome é algo precioso! E muito importante para conseguirmos visualizar o que nos acontece”, completa.


 


Na prática, esse movimento de dar forma ao que se sente aparece de maneiras singelas e, muitas vezes, inesperadas. Para quem incorporou o journaling ao cotidiano, a escrita deixa de ser apenas um registro e passa a funcionar como um espaço de escuta e presença. 


 


É o caso de Lucineia Giordano, bancária, que encontrou na prática um jeito de se reconectar com o que vive. “É um momento só meu, um lugar seguro para eu colocar no papel tudo aquilo que às vezes acaba guardado ou até esquecido na memória.”


 


Sem regras rígidas ou fórmulas prontas, o hábito dessa escrita se constrói aos poucos. Para quem quer começar, alguns caminhos simples podem ajudar a transformar esse gesto em um momento possível no dia a dia.


 


É para ser espontâneo


 


Não é preciso nenhum método elaborado ou páginas perfeitas. O mais importante é começar, mesmo que com poucas linhas, sem estrutura definida. Não há regras quando a espontaneidade e a leveza assumem protagonismo. “Feito é melhor que perfeito, por mais que eu caia nessa cilada também”, diz Lucineia. “Mas acho importante um certo ritual, adoro pegar meu journal e meu estojo de canetas antes de ir dormir”. Acender uma vela com seu aroma preferido ou ter um lugar especial na casa para esse exercício são estratégias que também podem ajudar.


 


Seu momento possível


 


Mais do que frequência rígida, o que sustenta um hábito é a constância dentro da rotina. Pode ser pela manhã, ao acordar, ou à noite, como forma de encerrar o dia. O importante é incluir isso em um espaço que seja confortável em seu dia a dia, para que a atividade não corra o risco de virar um peso ou cobrança. “Criei o hábito de escrever antes de dormir, como uma forma de recapitular o dia. Mas ultimamente venho escrevendo mais pela manhã e acabo incluindo como foi a noite de sono”, conta Lucineia.


 


Sem julgamentos


 


Mais do que a forma, é importante permitir que a escrita aconteça com liberdade, sem a preocupação de estar certa ou bonita. Lembre-se: não há uma forma correta ou errada aqui. “A escrita é esse espaço sem julgamentos, você só escreve e coloca lá. O papel aceita tudo, não é uma escrita para alguém ler, mas para desaguar”, afirma Tayná Amorim.


 


Vá além da rotina


 


Registrar o que aconteceu no dia é um ótimo começo! Mas, para aprofundar a experiência, incluir o que foi sentido, percebido e vivido diante de determinadas situações, pode trazer mais clareza. “Ultimamente comecei a anotar algumas categorias, entre elas ‘pequenas alegrias da vida’. Coisas bobas, mas que me fizeram feliz naquele dia”, exemplifica Lucineia.


 


Encontre o seu jeito


 


Não existe um formato único. Com o tempo, cada pessoa descobre o que faz sentido, seja escrevendo livremente, criando listas ou combinando palavras com imagens. “Vi vários vídeos de inspirações, o que até me causou uma certa angústia. Foi quando percebi que não adiantava querer copiar o estilo de ninguém, precisava encontrar o meu”, conta Lucineia.


 


Quando as palavras não bastam


Em alguns momentos, recorrer a imagens, seja por meio de colagens, desenhos ou recortes, pode abrir caminhos mais intuitivos de expressão. “Quando definimos as imagens e palavras que queremos registrar, essa escolha não é aleatória. Ela carrega aspectos inconscientes, revela a forma como lemos o mundo, as marcas que trazemos e os sentidos que construímos a partir das nossas experiências”, explica Tayná. “É uma expressão simbólica, muito própria, de como cada pessoa enxerga e vive a sua realidade.”


Débora Gomes é jornalista e, entre afetos e palavras, aprendeu a desacelerar a mente para escutar e, então, escrever o que sente.


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