Secretária de Saúde é exonerada após prisão em operação que investiga fraude de R$ 139 milhões

Servidor investigado por fraude em contrato da Saúde de Palmas é exonerado
A secretária de saúde de Palmas, Dhieine Caminski, foi exonerada do cargo nesta quarta-feira (17). A saída ocorre uma semana após ser presa pela Polícia Civil em investigação sobre supostas fraudes no processo de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas, em um contrato de R$ 139,1 milhões. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município, informando ter sido um pedido da própria secretária.
Dhieine Caminski foi presa no último dia 10 de junho, durante a segunda fase da Operação Falsa Emergência. Na mesma ação, também foram presos o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, e posteriormente a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como lobista no contrato.
A investigação apura indícios de direcionamento de contratação, falsidade ideológica e corrupção passiva e ativa no acordo firmado, sem licitação, com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.
A defesa de Dhieine disse que não fará manifestação sobre o mérito da investigação, pois o caso corre em segredo de justiça. Também afirmou que ela pediu exoneração para afastar qualquer dúvida sobre eventual interferência funcional (veja íntegra da nota abaixo).
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Além da secretária, o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, também foi exonerado. Assim como Dhieine, a publicação oficial informa que a saída dele ocorreu "a pedido".
As defesas de Dhieine Caminski e Andreis Vicente também informaram que entraram com pedidos para a revogação das prisões. O advogado do superintendente detalhou ainda que, antes da operação, o servidor havia protocolado formalmente o pedido para deixar a Secretaria Municipal de Saúde e retornar ao seu órgão de origem (Veja a nota na íntegra ao final da reportagem).
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Dhieine Caminski, secretária de saúde de Palmas
Divulgação/Prefeitura de Palmas
Entenda a investigação
As investigações da Polícia Civil apontam que o contrato de terceirização pode ter sido fruto de uma "emergência fabricada" para justificar a dispensa de licitação. Entre as irregularidades apontadas estão a suposta produção de documentos com datas retroativas e a pressão sobre servidores para assinarem pareceres técnicos favoráveis ao contrato, mesmo sem acesso ao plano de trabalho da entidade.
No caso de Dhieine Caminski, a Justiça decretou a prisão por conveniência da instrução criminal. Mensagens eletrônicas indicaram que ela teria usado sua posição hierárquica para monitorar e tentar influenciar os depoimentos de subordinados à polícia após o início das investigações.
Contra Andreis Vicente pesou a suspeita de que ele redigiu minutas de pareceres e as entregava prontas para assinatura, sem debate prévio. Ele também foi flagrado utilizando um carro de luxo que teria sido locado pela empresária Cláudia Fernanda, o que a polícia investiga como suposto pagamento de propina.
Contrato de R$ 139 milhões segue vigente
Apesar das prisões e das exonerações da cúpula da Saúde, o contrato com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba continua valendo. O acordo, anunciado em março de 2026, previa o repasse de R$ 139 milhões por 12 meses de gestão das UPAs Norte e Sul.
O contrato chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO), que identificou um aumento de custos de cerca de 800% (passando de R$ 16,8 milhões para R$ 139,1 milhões anuais) sem justificativa estrutural.
No entanto, o município recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a manutenção da terceirização para evitar riscos de interrupção no atendimento à população até que o mérito seja julgado definitivamente.
Em nota, a Prefeitura de Palmas informou que acompanha o caso e tem prestado todas as informações requeridas pela Justiça e pela Polícia Civil, ressaltando que o atendimento nas UPAs segue funcionando regularmente. A Irmandade Santa Casa de Itatiba nega irregularidades e afirma que colabora com as autoridades. As defesas dos investigados informaram que buscam a revogação das prisões. (Veja a nota na íntegra abaixo).
Nota defesa de Andreis
Antes de ser preso, antes mesmo de ter sido proferida a decisão que decretou sua prisão, Andreis já tinha requerido formalmente sua saída da Secretaria Municipal de Saúde e retorno ao órgão de origem. Andreis é servidor do Estado, concursado, com duas décadas de serviço público e nunca respondeu a um PAD sequer.
Então, em razão da investigação, Andreis solicitou sua saída da Secretaria Municipal justamente para não existir qualquer tipo de alegação de influência dele naquela Secretaria. Andreis não praticou qualquer tipo de irregularidade.
O que a investigação afirma é que ele teria elaborado pareceres e manifestações administrativas – o que é precisamente o trabalho dele. A investigação não fala o que existiria de ilícito ou falso nos pareceres e manifestações que ele elaborou. Não há conduta criminosa de Andreis.
A investigação juntou fotografia de Andreis um único dia entrando na garagem do prédio onde reside a senhora Cláudia com um veículo alugado por ela – ele estava indo devolver o veículo que tinha usado por algumas horas naquele dia. Cláudia é uma pessoa com quem Andreis passou a ter um relacionamento pessoal totalmente dissociado de qualquer atuação dele no âmbito da Administração Pública.
De modo que a conclusão da investigação no sentido de que Andreis estaria usando frequentemente o tal veículo e que isso seria demonstração de recebimento de "vantagem indevida" é manifestamente incompatível com o que a própria investigação produziu: fotografia de Andreis um único dia usando o veículo alugado – e ainda assim, indo devolvê-lo na garagem da senhora Cláudia.
Quanto ao mais, afirmar que um servidor concursado com duas décadas de funcionalismo público teria recebido como “vantagem indevida” o fato de usar um veículo alugado para praticar ato de ofício em um contrato de 139 milhões de reais, e como dito existe fotografia dele usando esse veículo um único dia,com todo respeito, é uma conclusão divorciada da realidade.
Fizemos pedido de revogação da prisão preventiva que se encontra pendente de apreciação pelo MP e pelo Poder Judiciário.
Íntegra da nota da Prefeitura
A Prefeitura de Palmas informa que a exoneração do servidor Andreis Vicente da Costa ocorreu conforme pedido protocolado pelo interessado no processo e-Palmas n° 000000048671/2026, formalizada por meio de portaria publicada no Diário Oficial do Município. A gestão municipal acompanha o andamento das investigações.
A Prefeitura de Palmas informa que as ações da Secretaria Municipal da Saúde seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à população, inclusive nos atendimentos realizados pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Sul e Norte.
Íntegra da nota da Irmandade Santa Casa
Sobre as investigações a Irmandade não é e nunca foi parte investigada na Operação Falsa Emergência. A pessoa que foi equivocadamente identificada pela imprensa como "representante da Santa Casa" não possui qualquer vínculo com esta Irmandade, fato que está sendo formalmente comunicado às autoridades e aos veículos de imprensa.
Sobre a continuidade dos serviços: as UPAs Norte e Sul permanecem em plena operação. A Irmandade não cogita qualquer medida que deixe a população de Palmas sem atendimento de urgência e emergência.
Sobre a medida judicial, a Irmandade buscou proteção jurisdicional para garantir o sigilo de informações sensíveis no âmbito das investigações, em respeito ao devido processo legal. A decisão de indeferimento está sendo analisada pela equipe jurídica, que avaliará os recursos cabíveis.
A Santa Casa colabora plenamente com as autoridades e confia no curso natural da Justiça.
Íntegra da nota da defesa de Dhieine Caminski
Embora tenhamos obtido acesso a partes do material da investigação, não faremos manifestação acerca do mérito, pois o caso corre em segredo de justiça.
Sobre a publicação no diário oficial, a Sra. Dhieine Caminski informa que pediu exoneração do cargo de Secretária Municipal de Saúde de Palmas como gesto voluntário de boa-fé e postura colaborativa com a investigação em curso. A medida visa afastar qualquer dúvida sobre eventual interferência funcional, reafirmando sua confiança no esclarecimento dos fatos perante o Poder Judiciário.
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