DFB 2026: os novos talentos apontam para o futuro da moda brasileira

Foto: Lino Villaventura
A viagem a Fortaleza para acompanhar a 27ª edição do DFB foi também um mergulho na potência criativa da nova geração da moda brasileira. Mais do que os desfiles, o festival reafirmou seu papel como plataforma de descoberta, formação e incentivo a talentos que estão construindo novos caminhos para a moda nacional. Em um momento em que a indústria busca cada vez mais autenticidade e identidade, o evento mostrou que algumas das respostas podem estar justamente no diálogo entre tradição, território e inovação.
Essa vocação ficou evidente em iniciativas voltadas ao desenvolvimento de novos criadores. Entre elas, a estreia do Mãos da Moda, projeto da Nordestesse em parceria com o Riachuelo Lab, que conectou estilistas e grupos artesanais nordestinos em um intercâmbio de conhecimentos e técnicas. O festival também abriu espaço para estudantes e jovens profissionais por meio de concursos e plataformas de visibilidade que ajudam a impulsionar novos nomes no mercado.
Nas passarelas, o resgate dos saberes manuais apareceu como um dos principais temas da edição. A Inttuí, de Washington Carvalho, apresentou uma coleção que combinou alfaiataria, estampas inspiradas na obra de Heitor dos Prazeres, vestidos de tule e rendas produzidas em colaboração com artesãs. A TeroyTreze aproximou streetwear e tradição artesanal, enquanto a Areia explorou modelagens amplas enriquecidas por bordados e aplicações de palha de piaçava. Já a Dua transformou técnicas tradicionais de bordado em maxibijoux de forte presença visual, evidenciando a riqueza dos fazeres manuais do Recôncavo Baiano.
Entre os momentos mais marcantes da programação esteve também o desfile de Lino Villaventura na Ponte dos Ingleses. Ao pôr do sol, o estilista apresentou uma coleção marcada por volumes escultóricos, texturas elaboradas e um trabalho artesanal que reafirma sua importância para a moda brasileira. A Patú, por sua vez, estreou nas passarelas com uma coleção que combinou construções arquitetônicas, silhuetas precisas e acessórios de forte apelo de design, como bolsas em madeira e óculos que ampliavam a narrativa visual das peças.
Outro destaque foi a Almacor, que levou à passarela estampas desenvolvidas a partir das obras de artistas neurodivergentes, aproximando moda, arte e inclusão de forma genuína. Encerrando a programação, o Studio Orla apresentou uma coleção masculina marcada por modelagens precisas, aplicações de miçangas e estampas artísticas, sinalizando um novo momento para a marca.
Ao longo de quatro dias, o DFB mostrou que inovação nem sempre significa ruptura. Em muitos casos, ela nasce justamente da valorização dos saberes tradicionais, da colaboração entre diferentes gerações de criadores e da capacidade de transformar referências locais em propostas contemporâneas. Em Fortaleza, a moda brasileira encontrou mais uma vez um espaço para olhar para o futuro sem perder de vista suas origens.















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