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Belo Horizonte,11/06/2026

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Do quarto para o palco: o babydoll é o queridinho das popstars

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Do quarto para o palco: o babydoll é o queridinho das popstars

Criado a partir de uma camisola encurtada por Sylvia Pedlar nos anos 1940, o babydoll retorna em 2026 entre pop, grunge, coquette e a velha disputa sobre o corpo feminino. Foto: Colagem


Nos últimos dias, o babydoll voltou a bombar nas redes sociais como se tivesse acabado de ser descoberto. Olivia Rodrigo foi um dos nomes que puxou essa conversa ao usar a peça, que gerou polêmica atrás de polêmica. Em Barcelona, durante uma apresentação do “Spotify Billions Club Live”, a cantora usou uma blusa floral da Génération78 como minivestido, combinada com bloomer aparente e botas Dr. Martens de cano alto. O look parecia seguir um estilo que ela vem construindo nesta fase: um encontro entre camisola antiga, referência punk, feminilidade desconfortável e uma certa vontade de provocar.


A repercussão fez Olivia responder às críticas. Em entrevista ao “Popcast”, do “The New York Times”, ela afirmou que já usou looks reveladores no palco sem receber a mesma reação, enquanto um vestido totalmente coberto foi considerado inadequado por parecer “infantil”. Para ela, esse incômodo diz menos sobre a roupa e mais sobre a forma como mulheres são responsabilizadas pela sexualização de seus corpos.


Sabrina Carpenter também ajudou a recolocar o babydoll no radar. Na turnê “Short n’ Sweet”, a peça aparece como parte do figurino de abertura, sobre corset e meia-calça, dentro de uma estética de camarim, showgirl e pop star saída de um quarto cenográfico. No caso dela, o babydoll se aproxima da pin-up, da cultura dos anos 1960 e de referências como Brigitte Bardot, mas sem abandonar a ideia contemporânea de transformar roupa íntima em roupa de palco.


Como surgiu


Criado a partir de uma camisola encurtada por Sylvia Pedlar nos anos 1940, o babydoll retorna em 2026 entre pop, grunge, coquette e a velha disputa sobre o corpo feminino. Foto: Reprodução


A peça, porém, não nasceu no pop. O babydoll tem origem na camisola curta criada pela designer americana Sylvia Pedlar em 1942, em resposta à escassez de tecido durante a Segunda Guerra Mundial. A lógica era prática: encurtar a camisola tradicional, até então longa e volumosa, para economizar material. O resultado foi uma silhueta de cintura alta, corte amplo e comprimento reduzido, que décadas depois seria lida como romântica, infantilizada, sexy, punk ou tudo isso ao mesmo tempo.


O nome se popularizou depois do filme “Baby Doll”, lançado em 1956, com Carroll Baker. A imagem da personagem usando camisolas curtas ajudou a fixar o termo no imaginário da moda, ainda que Pedlar não gostasse da expressão. Esse detalhe importa porque mostra como a peça sempre viveu entre intenção e interpretação. O que nasceu como solução de construção virou símbolo cultural.


Criado a partir de uma camisola encurtada por Sylvia Pedlar nos anos 1940, o babydoll retorna em 2026 entre pop, grunge, coquette e a velha disputa sobre o corpo feminino. Foto: Reprodução


Nos anos 1950 e 1960, o babydoll entrou na moda pela via da silhueta curta, do corte trapézio, da cintura império e de uma juventude que começava a se vestir contra a formalidade das gerações anteriores. Depois, nos anos 1990, ele ganhou outra camada nas mãos do grunge e da cena riot grrrl. Courtney Love, Kat Bjelland e Kim Gordon usaram vestidos curtos, rendados e florais com maquiagem borrada, cabelo desalinhado e guitarra no corpo. A peça deixava de ser apenas delicada para se tornar uma resposta à própria ideia de delicadeza.


O contexto


Criado a partir de uma camisola encurtada por Sylvia Pedlar nos anos 1940, o babydoll retorna em 2026 entre pop, grunge, coquette e a velha disputa sobre o corpo feminino. Foto: Reprodução


É por isso que a leitura atual sobre Olivia Rodrigo parece tão limitada quando reduz o babydoll a uma suposta infantilização. A cantora não está usando a peça fora de contexto. Ao combinar vestido curto, bloomers e botas pesadas, ela se conecta a uma linhagem em que o babydoll nunca foi apenas “fofo”. Ele também foi desconforto, ironia, ruído e confronto.


A volta da peça hoje conversa com várias frentes ao mesmo tempo. Pense na estética coquette, com laços, rendas, transparências e aparência de quarto antigo. Tem o revival dos anos 1990, que devolve o vestido floral curto ao território do rock. Tem o avanço da lingerie aparente como roupa de rua e de palco. E tem, principalmente, uma geração de artistas pop usando figurino como ferramenta narrativa, sem separar tanto o que é moda, personagem e performance.


Por conta dessa ambiguidade, ele pode ser usado de forma diversa, seja com sapatilha e meia fina, com bota pesada, com jaqueta de couro, com blazer oversized ou com bloomer aparecendo. Pode parecer doce de longe e estranho de perto. Pode ser camisola, vestido, fantasia, crítica ou… apenas roupa.


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