Brasil registra alta de 30,2% nas mortes com caminhões e reforça debate sobre tecnologia no trânsito

As mortes no trânsito voltaram a crescer no Brasil e reacenderam o debate sobre fiscalização, infraestrutura viária e segurança nas cidades e rodovias. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram aumento de 6,5% na mortalidade geral no trânsito, além de uma alta de 30,2% nas mortes envolvendo caminhões e crescimento expressivo das ocorrências com motociclistas, que registraram cerca de 2 mil mortes a mais nos últimos anos. O relatório também alerta para a necessidade urgente de medidas estruturais para conter a escalada da violência viária no país.
O estudo destaca que as regiões com maior crescimento de mortes tendem a ser aquelas com pior estrutura institucional, menor capacidade de fiscalização e investimentos pouco efetivos em infraestrutura viária. Entre as recomendações apresentadas no item 12.4 do relatório estão o fortalecimento do controle de velocidade, melhoria da sinalização, iluminação adequada, expansão de ciclovias, reforço da fiscalização e modernização da gestão do trânsito.
Para especialistas do setor, o cenário reforça a necessidade de ampliar o uso de tecnologia no monitoramento viário. A Pumatronix, empresa brasileira especializada em soluções para mobilidade e fiscalização inteligente, desenvolve sistemas que utilizam inteligência artificial, sensores e videomonitoramento para apoiar a gestão do trânsito em cidades e rodovias.
"O aumento da mortalidade no trânsito mostra que o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais na fiscalização e na gestão viária. Hoje já existe tecnologia capaz de monitorar velocidade, comportamento dos veículos, fluxo de tráfego e até identificar situações de risco em tempo real. O desafio passa pela integração dessas ferramentas às políticas públicas e à operação das vias", afirma Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia da Pumatronix.
Entre as tecnologias utilizadas nesse contexto estão soluções desenvolvidas pela própria Pumatronix, como radares inteligentes com sensores Doppler para fiscalização de velocidade, câmeras ITSCAM com leitura automática de placas (LPR) e sistemas de videomonitoramento com inteligência artificial embarcada. A empresa também atua com soluções de pesagem em movimento em alta velocidade (HS-WIM), tecnologia capaz de identificar caminhões com excesso de carga sem necessidade de parada, ajudando a reduzir danos à infraestrutura viária e aumentar a segurança nas rodovias.
Além disso, a Pumatronix desenvolveu módulos de IA capazes de identificar automaticamente motoristas utilizando celular ao volante e ocupantes sem cinto de segurança, tanto em vias urbanas quanto em rodovias. Em conjunto, essas tecnologias ajudam a detectar comportamentos de risco em tempo real, apoiar investigações, ampliar a capacidade operacional dos órgãos de trânsito e gerar dados estratégicos para planejamento urbano, preservação da infraestrutura e redução de acidentes nas vias.
O Atlas da Violência também chama atenção para o crescimento das mortes envolvendo motociclistas, que atingiram o maior patamar da série histórica recente. Segundo o levantamento, os acidentes com motos continuam sendo um dos principais desafios da mobilidade urbana brasileira, especialmente após o aumento do uso desse modal em entregas, deslocamentos urbanos e serviços por aplicativo.
Para Krzyzanovski, parte importante da solução passa por uma combinação entre fiscalização eficiente, infraestrutura adequada e gestão baseada em dados. "A tecnologia sozinha não resolve o problema, mas ela permite aumentar a capacidade operacional das cidades e rodovias. Quando você consegue entender o comportamento do tráfego em tempo real, identificar pontos críticos e agir rapidamente, o impacto na segurança viária é muito relevante", afirma.
Além da fiscalização, sistemas inteligentes também vêm sendo utilizados para transformar a gestão do trânsito e da infraestrutura urbana de forma mais ampla. Semáforos adaptativos, por exemplo, utilizam sensores, câmeras e inteligência artificial para ajustar automaticamente os tempos dos sinais de acordo com o fluxo de veículos em tempo real, reduzindo congestionamentos e melhorando a fluidez das vias. Já soluções de monitoramento climático ajudam a identificar situações que aumentam o risco de acidentes, como chuva intensa, neblina ou baixa visibilidade, permitindo respostas operacionais mais rápidas em rodovias e áreas urbanas.
Outro avanço está na gestão inteligente da iluminação pública, com sistemas de telegestão que permitem monitorar remotamente o funcionamento dos pontos de iluminação e identificar falhas rapidamente. Quando integradas, essas tecnologias criam uma infraestrutura urbana mais conectada, capaz de gerar dados em tempo real sobre o comportamento do trânsito, condições das vias e riscos operacionais, contribuindo para decisões mais rápidas, maior segurança e redução de acidentes.




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