Cinco lições da natureza para lidar com os ciclos da vida
Observar os pássaros, as árvores e tudo aquilo que forma a natureza pode ser um momento de profunda imersão. Cada elemento é uma peça importante para a organização da vida: a chuva que nutre o solo faz a semente romper a terra e permite que as plantas floresçam. Depois, os frutos amadurecem e, quando caem, também cumprem seu propósito.
Mas, muitas vezes, há uma tendência de ocupar o lugar de observadores e esquecer que também fazemos parte do meio ambiente. Talvez por isso muitos de seus padrões se pareçam com os nossos, há tempos de expansão e recolhimento, pausas que preparam recomeços, perdas que abrem espaço para o novo. Por isso, a Vida Simples reuniu cinco lições da natureza que ensinam sobre a vida humana:
Recomeços fazem parte
Podar uma planta para remover os galhos secos e doentes, apesar de parecer uma perda de forma instantânea, muitas vezes, faz com que o sol e o vento circulem melhor pelo interior dela. Isso estimula um crescimento ainda mais saudável, porque é possível concentrar-se apenas em florescer, tornando a volta mais volumosa, saudável e abundante.
A planta lembra que é possível recomeçar para voltar com mais vitalidade. Nem todo fim é fracasso. Às vezes, é apenas espaço sendo aberto para que algo mais saudável possa ganhar vida.
Ostra feliz não faz pérola
Quando um grão de areia entra na ostra e provoca incômodo, começa um processo de cuidado interno. Aos poucos, ela cria camadas ao redor daquele corpo estranho até formar uma superfície lisa, que já não machuca por dentro. É desse processo que nasce a pérola. Uma ostra que nunca precisou lidar com esse incômodo, também não é capaz de produzir uma pérola. Elas são, em essência, feridas cicatrizadas.
A frase “ostra feliz não faz pérola”, que também dá título a uma obra do escritor Rubem Alves, funciona como uma metáfora para lembrar que todos estão sujeitos a situações e pessoas que incomodam, machucam ou deixam marcas. Mas, aos poucos, é possível transformar essas feridas em algo que faça sentido por dentro. Criar as próprias “pérolas” talvez seja encontrar uma forma de cuidar do que doeu, cicatrizar o que ficou e permitir que, dali, alguma beleza também possa nascer.
Nem todo crescimento é visível
Antes que uma árvore cresça acima do solo, suas raízes se desenvolvem embaixo da terra. Embora esse processo não seja visível, é ele que sustenta toda a estrutura que virá depois. Por isso, sempre que surgir a sensação de que, mesmo com esforço, nada parece sair do lugar, vale lembrar das árvores.
Em um mundo acelerado, é comum haver uma cobrança por resultados rápidos, sinais concretos e provas de avanço. No entanto, o crescimento também acontece naquilo que é invisível, seja por constância, novos repertórios, decisões difíceis ou dias em que ninguém vê o quanto uma pessoa está tentando.
Equilíbrio em dividir o peso
Você já olhou para o céu e notou várias aves juntas, formando um “V” enquanto voam? Isso não acontece por acaso, é uma forma de cooperação aerodinâmica. Quando a ave que está à frente bate as asas, ela movimenta o ar e cria correntes que podem reduzir o esforço de quem vem atrás, ajudando o grupo a poupar energia durante a migração.
A ave que ocupa a dianteira, e tende a se desgastar mais por enfrentar o vento de frente, pode revezar essa posição com as outras. Assim, há equilíbrio, e todas podem ter tanto um momentos de esforço, quanto de descanso durante a viagem.
Muitas vezes, existe a sensação de que é preciso dar conta de tudo sozinho ou ser sempre o pilar de força das relações. Mas abrir mão do controle, admitir o cansaço e permitir que outra pessoa assuma a dianteira também pode fazer com que um grupo chegue mais longe, sem que ninguém precise carregar tudo sozinho.
Respeitar os próprios ciclos
As estações do ano mostram que a natureza não permanece o tempo todo florescendo. Há momentos de expansão, intensidade, transição e recolhimento, e cada um deles tem uma função no ciclo da vida. Na vida humana, muitas vezes, existe uma cobrança para estar sempre produzindo e dando sinais visíveis de avanço, como se a pausa fosse um erro.
As árvores passam por diferentes estações, e ninguém olha para elas no inverno como se tivessem falhado. Recolher-se também é uma forma de preparo para o que vem depois. Respeitar os próprios ciclos pode ser entender que a vida não acontece em um ritmo linear e que também há sabedoria nos tempos de pausa, espera e recomeço.
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