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Belo Horizonte,30/05/2026

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Brasil pentacampeão: o que passava na TV em 2002?

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Brasil pentacampeão: o que passava na TV em 2002?

Em 30 de junho de 2002, o Brasil acordou cedo para acompanhar uma das finais mais marcantes da história do futebol. Diante da Alemanha, a seleção brasileira venceu por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo Nazário, conquistando o pentacampeonato e se tornando a maior vencedora da história das Copas do Mundo. Em uma era sem redes sociais e plataformas de streaming, milhões de pessoas se reuniram diante das televisões para acompanhar cada lance daquele domingo que parou o país.


A conquista, também comandada por nomes como Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Cafu, marcou uma geração que acompanhava o campeonato pela TV aberta, em salas lotadas, ruas esvaziadas e televisores de tubo ligados desde as primeiras horas da manhã. Na telinha, o grito de “é penta” ecoou na voz do narrador Galvão Bueno, eternizando um dos momentos mais emblemáticos da televisão brasileira.




Mas nem só de futebol vivia o Brasil de 2002. Enquanto a seleção fazia história no Japão e na Coreia do Sul, que sediaram a primeira Copa do Mundo realizada em dois países, novelas como “O Clone” dominavam o horário nobre, realities começavam a ganhar espaço com “Big Brother Brasil“, “Casa dos Artistas” e “No Limite” e o país vivia uma era marcada pela internet discada — lenta e instável.


A população, que ainda frequentava locadoras de fitas VHS, começava a se acostumar com comunicadores instantâneos, como o MSN Messenger, e acompanhava fielmente os tradicionais programas de auditório aos fins de semana.


A televisão brasileira dentro e fora de campo


Na televisão, a Copa do Mundo praticamente dominava a programação das emissoras. Telejornais acompanhavam a todo instante a rotina da seleção brasileira diretamente da Ásia, programas esportivos ganhavam edições especiais e até atrações de entretenimento incorporavam o clima do Mundial.


Dentro de campo, a trajetória da seleção carregava um peso simbólico. O time comandado por Luiz Felipe Scolari chegava desacreditado após uma campanha difícil e turbulenta nas eliminatórias. Contudo, o país viu Ronaldo Nazário protagonizar uma das maiores voltas por cima da história do esporte. Quatro anos depois do episódio de saúde que chocou o mundo antes da final da Copa de 1998, o atacante terminou o Mundial de 2002 como artilheiro, com oito gols, incluindo os dois da decisão contra a Alemanha.


Fora das quatro linhas, além dos tradicionais programas de auditório, o Brasil começava a mergulhar na cultura dos reality shows, em formatos que ainda eram novidade no país.


Entre uma partida e outra da seleção, as crianças brasileiras também acompanhavam programas infantis da TV Cultura e de outras emissoras. Os adultos, por sua vez, exploravam tendências musicais em canais como a MTV Brasil, que exibia clipes e programas de entretenimento em sua grade. Era um período em que televisão, música e futebol caminhavam juntos na construção da memória coletiva daquela geração.


No mesmo dia da conquista do pentacampeonato, o país assistiu pela televisão à notícia da morte de Chico Xavier, uma das figuras religiosas mais conhecidas e respeitadas do Brasil, aos 92 anos, em Uberaba, Minas Gerais. A coincidência entre a despedida do médium e a comemoração da seleção chamou atenção do país, especialmente porque pessoas próximas afirmavam que ele desejava partir em um momento de felicidade nacional.




Memorial Chico Xavier, em Uberaba (MG)
Memorial Chico Xavier, em Uberaba (MG) • Divulgação

A era dos comerciais criativos


Em uma época em que a publicidade ainda concentrava enormes audiências na TV aberta, campanhas das mais variadas marcas se transformavam em verdadeiros fenômenos populares, grudando na mente dos brasileiros que reproduziam suas músicas e bordões.


Em 2002, empresas esportivas, de refrigerantes, brinquedos e patrocinadores oficiais apostaram fortemente em peças publicitárias com essa temática. Comerciais de marcas de diversos países com jogadores eram exibidos repetidamente durante a programação, ajudando a consolidar a imagem dos atletas como ídolos nacionais e internacionais e, claro, rendendo boas cifras aos cofres das companhias.




Comercial televisivo no ano de 2002 • Reprodução

Nem só de futebol vivia o Brasil


O ano de 2002 também marcou um período de fortalecimento de outros esportes no país. Gustavo Kuerten ainda figurava entre os principais ídolos nacionais por suas conquistas no tênis, enquanto Rubens Barrichello levava o Brasil às manhãs de Fórmula 1 pela Ferrari. No vôlei, a seleção masculina conquistava seu primeiro título mundial naquele ano, marco que iniciaria uma das eras mais vitoriosas da modalidade sob o comando do técnico Bernardinho.


O esporte feminino também começava a ganhar mais espaço na televisão brasileira. Na ginástica artística, Daiane dos Santos surgia como uma das grandes promessas do país, enquanto o vôlei feminino consolidava atletas como Fofão, Virna Dias e Sheilla Castro nas transmissões esportivas. Em uma época em que a cobertura ainda era majoritariamente masculina, aquelas atletas ajudavam a ampliar a presença das mulheres no esporte exibido pela TV aberta.




Daiane dos Santos e Rebeca Andrade treinando juntas • Reprodução

Como era assistir TV no Brasil de 2002?



  • O sinal analógico dominava as televisões do país;

  • Televisores de tubo ocupavam praticamente todas as salas brasileiras;

  • Muitas famílias ainda usavam antena parabólica para acompanhar a programação;

  • O controle remoto já era popular, mas televisores sem ele ainda eram comuns;

  • O “plantão” na televisão era uma das principais formas de transmitir e assustar o público  notícias urgentes;

  • Assistir televisão em família ainda era um hábito extremamente comum;

  • Era comum que pessoas acompanhassem os jogos com a TV ligada e o rádio sincronizado pela narração esportiva;

  • DVDs começavam a ganhar espaço nas casas brasileiras; e

  • Canais infantis pagos começavam a crescer, mas a TV aberta ainda dominava entre as crianças.


Mais de duas décadas depois, o pentacampeonato de 2002 segue vivo não apenas na memória dos brasileiros, mas também por representar o retrato de um país pré-redes sociais.


Em um tempo sem celulares conectados o tempo inteiro, a experiência do futebol era coletiva. Diferente dos dias atuais, a Copa daquele ano foi sentida e vivida de forma única, quase como um ritual nacional diante de uma população que ainda tinha na TV aberta uma de suas principais — e, para muitos, únicas — formas de entretenimento.


Por que as músicas que ouvimos na juventude marcam a nossa vida?





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