Análise: Falta de mão de obra é impasse no fim da 6×1
A proposta pelo fim da escala 6×1 avança no debate político e começa a levantar questionamentos sobre seus impactos econômicos. A analista de Economia da CNN Lucinda Pinto comenta o tema ao CNN Prime Time.
Segundo Lucinda, ainda é difícil mensurar objetivamente os efeitos da medida, mas há riscos concretos no curto prazo, especialmente para setores intensivos em mão de obra.
De acordo com a analista, os setores mais vulneráveis seriam aqueles que dependem diretamente de pessoas para funcionar.
“Hotéis, bares, restaurantes ou prestadores de serviço de um modo geral — aqueles negócios que, no fim das contas, não funcionam sem pessoas ali trabalhando”, afirmou Lucinda.
No médio e longo prazo, no entanto, ela avalia que os efeitos tendem a ser absorvidos, assim como ocorreu em outros países que reduziram a jornada de trabalho.
Mercado de trabalho já está “bastante apertado”
Um dos pontos mais críticos levantados por Lucinda é o momento em que a mudança estaria ocorrendo. Segundo ela, o mercado de trabalho já se encontra sob pressão.
A analista citou uma pesquisa da FGV realizada com empresários que revela que, no final do ano passado, cerca de 41% dos entrevistados relataram dificuldade em contratar trabalhadores — a maior taxa desde o início da pesquisa, em junho de 2008.
“Provavelmente essa pesquisa está retratando uma dificuldade de contratar determinadas classes, aquele profissional mais técnico, mais especializado”, explicou a analista.
Caso as empresas precisem contratar mais funcionários para compensar a escala reduzida, a tendência seria de aumento na pressão salarial.
“Vai precisar pagar mais caro para trazer esse profissional e isso geraria um custo maior que vai para o consumidor”, alertou Lucinda.
Ela acrescentou que grandes empresas ainda conseguem absorver parte desse custo, mas as menores provavelmente o repassariam ao consumidor final.
Ajuste possível, mas com custo no curto prazo
Lucinda Pinto também destacou que o ajuste ao novo modelo pode ocorrer por diferentes caminhos.
Entre as possibilidades, ela mencionou a recontratação com salários menores em processos de renovação de equipes, além de investimentos em tecnologia, automação e inteligência artificial para aumentar a produtividade.
“É um cenário em que a gente acredita que qualquer efeito que a gente sinta no curto prazo, ao longo do tempo, vai sendo absorvido, vai sendo acomodado”, disse.
A analista ressaltou, no entanto, que há um risco relacionado ao calendário eleitoral se sobrepor ao momento econômico.
“Existe um risco aí do calendário eleitoral acabar se sobrepondo ao momento econômico e isso gerar uma pressão adicional, uma distorção que poderia ser evitada se essas coisas tivessem sido melhor planejadas”, concluiu Lucinda Pinto.
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