Ícone de Niemeyer em BH, Edifício JK abriga apartamento com leitura contemporânea do modernismo

Projetado por Oscar Niemeyer em 1951, o Edifício JK é considerado um dos marcos do modernismo em Belo Horizonte. Sua fachada já anunciava uma linguagem que o arquiteto levaria ao limite anos depois. É nesse contexto que o escritório Piacesi Arquitetos Associados assina a reforma deste apartamento de 80 m², encomendada por um casal de médicas anestesistas, entre 30 e 35 anos, que mora em Salvador e buscava um endereço bem localizado na capital mineira.
As clientes já conheciam o trabalho de Júnior Piacesi e tinham projetos anteriores com ele – o que agilizou a definição das diretrizes: integração quase total dos ambientes, preservando apenas a privacidade da suíte, e uma atmosfera com personalidade em diálogo com o caráter modernista do edifício.
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No living, luminária Costume, design Cris Bertolucci Studio
Jomar Bragança
A planta original foi profundamente alterada. Um dos quartos foi eliminado para dar lugar a uma sala de TV conectada à área social, e cozinha e área de serviço passaram a se comunicar diretamente com os espaços de estar e jantar. "A reforma removeu praticamente todas as divisórias internas, mantendo apenas a estrutura original do edifício", diz Piacesi. O resultado é um apartamento com ambientes fluidos e bem iluminados, composto por cozinha, área de serviço, estar, jantar e TV integrados, além de lavabo e suíte do casal.
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A ilha de aço inoxidável divide a cozinha e a sala de estar
Jomar Bragança
Na ilha, duo de cadeiras Presto, design Marcelo Ligieri para a Novo Ambiente
Jomar Bragança
"O azulejo geométrico e modernista na parede da cozinha é responsável por introduzir cor, ritmo e um toque poético ao ambiente", diz Piacesi
Jomar Bragança
Paredes foram pintadas de verde para marcar o hall de entrada, o lavabo e o acesso ao quarto
Jomar Bragança
Ao fundo, o lavabo
Jomar Bragança
As moradoras queriam uma atmosfera de brasilidade com referências da Bahia, sem abrir mão do minimalismo. A paleta parte de tons terrosos – presentes no piso original de taco e em banquetas, poltronas e objetos – passa pelos estofamentos de couro marrom e pelas nuances de verde, e se equilibra com o cinza das vigas e dos pilares aparentes, do cimento queimado da cozinha, da cuba do lavabo e da bancada de aço inoxidável. "A proposta foi criar um refúgio urbano no qual elementos naturais dialogam com gestos mais brutalistas, como a estrutura de concreto aparente em contraste com a bancada de refeições", explica o arquiteto.
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Cerâmica de Evilasio Leao Machado
Jomar Bragança
No quarto, destaque para a marcenaria verde no mesmo tom da parede
Jomar Bragança
Entre os destaques do projeto estão o lavabo, concebido como uma "caixa" verde – com paredes, teto e porta no mesmo tom –, a bancada de refeições de aço inoxidável na ilha da cozinha e a mesa de centro redonda, desenhada pelo escritório e executada com travertino.
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Edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer em 1951
Jomar Bragança
Mais do que atualizar a planta original, a reforma reafirma a vocação modernista do Edifício JK ao traduzir, para o cotidiano contemporâneo, a fluidez espacial e a integração entre arquitetura, luz e modo de viver que marcaram a obra de Niemeyer.
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