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Belo Horizonte,30/05/2026

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Quem é você quando as luzes se apagam?

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Quem é você quando as luzes se apagam?

Na busca por amor e aceitação, é comum perceber em algum momento da vida que atender às expectativas dos outros pode trazer uma sensação maior de pertencimento. O problema é que, muitas vezes, essa tentativa de caber cobra um preço alto e nos afasta da própria essência. Enquanto aquilo que há de mais verdadeiro em nós pode ser justamente o ponto de partida para uma vida com mais abundância.


Jacqueline Pereira percebeu isso ao longo da própria trajetória e, hoje, busca ajudar outras pessoas a reencontrarem sua essência. Autora do livro “A coragem de ser gente de verdade” (Cultrix/Vida Simples), ela fala sobre máscaras sociais, autenticidade e propósito em conversa com Débora Zanelato no episódio desta semana do Pod Ser Simples, videocast da Vida Simples.


Se espremer para caber


Ainda criança, Jacqueline já era curiosa, questionadora e tinha uma sensibilidade aguçada para perceber quando alguém estava sendo verdadeiro ou apenas encenando um “teatro” de si mesmo. Mas, quando tentava dizer isso à mãe, acabava sendo corrigida. “Somos educados — ou melhor, somos ‘educastrados’ — para conviver bem socialmente e não trazer nenhum desconforto”, pontua.


Com o tempo, essa essência foi sendo escondida. Já na adolescência, ela notou que quando tentava corresponder a expectativas externas, fosse nos estudos, na comunicação ou no esporte, encontrava respostas positivas. “Entendi que, se criasse um ‘ideal de Jacque’, poderia receber mais pertencimento, amor e aprovação.”


Esse movimento, segundo Jacqueline, costuma fazer com que as pessoas tentem se moldar para caber onde acreditam que precisam estar, seja em um grupo de amigos, uma relação ou um emprego. “É uma linha sempre muito tênue. Falar disso é falar sobre o quanto eu me adapto sem perder o roteiro da minha vida.”


Busca por sentido


Em um dos momentos mais íntimos da entrevista, Jacqueline relembra um episódio de 20 anos atrás, quando seu atual marido terminou a relação após cinco anos de namoro. Na época, ela tinha convicção de que os dois se casariam.


“Eu tinha uma dependência emocional escancarada. Sem ele, sentia medo e um vazio, como se não conseguisse me ‘tangibilizar’”, reflete. Preocupada com a ruminação constante sobre o término e com a crise de identidade da filha, a mãe decidiu levá-la a um lugar especializado para que pudesse atravessar aquele período.


“Quem sou eu quando as cortinas se fecham e as luzes se apagam?”, questionou-se. Foi ali que ela acessou o que chama de coeficiente de sentido, uma inteligência humana que, segundo Jacqueline, não é intelectual nem emocional, mas espiritual, e funciona como um elo entre as outras duas. Para ela, esse coeficiente pode ser acessado a partir de três perguntas: quem sou eu? Qual é a minha verdade interior? O que vim fazer aqui?


A joia está na ferida


Se conhecer de maneira mais profunda a fez questionar a formação em odontologia, profissão que exercia há 17 anos e, inclusive, já havia cursado mestrado e outras especializações. Ela observa que o corpo sinaliza tudo. Mas, quando não escutamos o que ele “fala”, ele grita.


Jacqueline conta que teve um colapso físico: ao entrar na clínica, tinha crises de ansiedade e ao sair, ficava bem. A autora percebeu que gostava do vínculo e da conexão com as pessoas, mas não da profissão que exercia.



“É muito interessante quando começamos a olhar para as nossas histórias, porque elas têm pontos nevrálgicos, aquele trevo onde, se você estiver atento, ele te chamará para uma mensagem sobre o sentido da sua existência.”



Raiz da abundância


Durante a entrevista, a autora conta sobre uma fagulha que insistiu em permanecer acesa dentro de si. Jacqueline se questionava: “por que algumas pessoas pareciam tão verdadeiras, autênticas e confiantes, enquanto outras estavam o tempo todo tentando agradar, se camuflar ou se encolher? Por que algumas pareciam tão abundantes, como se a vida fluísse com mais facilidade, enquanto outras viviam a partir da escassez?”


Com o tempo, ela começou a perceber que isso não tinha a ver, necessariamente, com dinheiro ou oportunidade. Havia pessoas muito simples, mas extremamente abundantes por dentro, que mesmo com pouco, conseguiam fazer muito. Essa observação a levou a perceber como as máscaras sociais que usamos no cotidiano podem abafar a voz interna e nos afastar do próprio potencial.


Casa para ser gente de verdade


Em um sonho, Jacqueline teve uma revelação. Deveria vender a clínica odontológica e criar o espaço filantrópico Casa Gente de Verdade, e assim foi feito. No local, pessoas em situação de vulnerabilidade encontram auxílio para chegarem na própria essência por meio de três pilares: autoconhecimento, autoaceitação e autotransformação.



“Para descobrir no que você é bom, observe o que você faz sem esforço desde criança, o que é natural em você e que traz realização ou elogios das pessoas. O dom muitas vezes está tão normalizado que deixamos de reconhecê-lo como tal.”



Ela explica que muitas pessoas têm dificuldade de reconhecer os próprios talentos, como se assumir uma habilidade fosse falta de humildade. Para Jacqueline, porém, a arrogância está justamente em rejeitar aquilo que é natural em si.


A humildade, segundo ela, aparece quando conseguimos reconhecer tanto as competências quanto os limites, acolhendo o que nos foi dado e colocando isso a serviço da vida. Esse processo de autoconhecimento, ela diz, pode ser solitário como atravessar um túnel, mas, depois dele, existe a possibilidade de viver com mais inteireza.



“Eu senti que estava me “gestando” e dando luz a mim mesma. Hoje, sei quem sou e não dependo da aprovação alheia.”



O Pod Ser Simples conta com patrocínio da Tok&Stok, da Inovar Previdência e da Verde Campo. Os episódios vão ao ar quinzenalmente no YouTube da Vida Simples. Confira!


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